23/09/2015 - Como empresários do setor gastronômico fazem para driblar a crise em SC

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O segredo é aprender e se adequar à realidade para manter o valor e a qualidade

 

Em Florianópolis, o ramo de gastronomia é dividido claramente entre dois blocos: os que sofrem com crise e os que não têm o que reclamar, algo inusitado em épocas de vacas magras.

Quem apostou em diferenciais em nos dois últimos anos “criou um escudo” contra a crise que assolou o país em 2015.

— No cenário nacional, Florianópolis vive em ‘oasis’ dentro da crise, pois aqui é pequena perto do que está acontecendo no Brasil — explica Fábio Queiroz, presidente da Abrasel em Santa Catarina (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

A retração da economia mudou a vida dos brasileiros segundo o Instituto Data Popular. Para 88% dos entrevistados a crise já afeta a vida pessoal.

A ideia não é nova: apostar no micro em vez do macro. E aprender e se adequar à realidade para manter o valor e a qualidade, já que o consumidor está mais seletivo com os gastos. “Quando você tem um produto que cabe no bolso e tem um apelo visual e comercial e visual muito grande, fica mais fácil de vender”, salienta o jovem empresário Fernando D’Aquino Machado, da Fairyland Cupcakes, que já cresceu 20% em 2015 em relação aos anos anteriores e nos finais de semana chega a atender 1.500 clientes por dia. O vizinho May, um charmoso restaurante tailandês à beira mar, mantém a clientela de 2014 graças ao conceito de cozinha asiática com charme.

Para 88% dos entrevistados do estudo, a crise já afeta a vida pessoal, sendo que 88% também afirmam ter mudado de comportamento para reduzir custos. Mas a diversão e a comida, de alguma forma, estão na vida das famílias. É aí que entra a criatividade dos empresários de gastronomia, seja de confeitaria e até de carnes rústicas.

Apostando no público que deixou de comer fora para fazer jantar ou almoço entre amigos em casa, a Bom de Brasa, empresa de Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis, lançou sua loja virtual com kits para churrasco, incluindo a “caixa mágica”, que ajuda os inexperientes a acender o fogo. A ideia corrobora mais um dado do estudo: a classe média corta gastos, mas os gastos abaixo de R$ 80 com entretenimento – os chamados “supérfluos” do orçamento - são mantidos. Sim, comer não é, mas comer fora é considerado supérfluo dentro dos critérios de avaliação de finanças familiares.

Alguns empresários abriram seu negócio em 2015, quando explodiu a esperada crise. Sem arrependimentos. A experiência de Leila Pinheiro, Angela Monguilhott e Bel Hagemann com o Boteco Zé Mané, na orla do bairro Coqueiros, lado continental da capital catarinense, resultou na abertura, no mesmo bairro, do mexicano Tequilaville. O desempenho está dentro do business plan traçado em 2014, com ocupação média do salão em 70%, graças ao tripé: qualidade do produto, atendimento e boa relação custo x benefício. Outro estabelecimento que abriu este ano e contraria os prognósticos pessimistas é o Las Leñas, especializada em churrasco uruguaio (chamado "parrilla"), no Shopping Iguatemi: querem, e estão conseguindo, fidelizar a clientela, composta por adultos acima dos 30 anos.

O setor de comércio e serviços do qual os restaurantes fazem parte constam é o segundo maior gerador de riquezas de Florianópolis, atrás apenas da tecnologia da informação.

 

Fonte: Diario Catarinense