11/09/2015 - Da crise, surge a criatividade

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As dificuldades conjunturais podem motivar a reformulação de procedimentos de gestão e a criatividade nos negócios

 


Para o presidente da ANR, Cristiano Melles, é preciso buscar a fidelização dos clientes e melhorar a oferta de serviços

 

Em um período de inflação alta, o consumidor precisa escolher bem como vai gastar. Toda essa cautela está impactando importantes setores da economia, como o de serviços, inclusive o de alimentação fora do lar. Neste cenário, empresários estão fazendo de tudo para atrair os clientes: há espaço, potencial e necessidade de inovação, como um caminho para retomar e acelerar o desenvolvimento brasileiro.

Momentos de mudanças na economia, como o que o país está atravessando, são ricos em oportunidades para inovar, cria espaço para a introdução de novos produtos e também para o desenvolvimento de processos diferenciados. São ocasiões em que o empresário deve estar mais aberto e motivado a pensar de modo criativo para superar os limites que a acomodação desenhou. A revista Bares & Restaurantes conversou com vários empresários e líderes do setor e eles foram unânimes no apontamento de soluções: é preciso enfrentar a crise defendendo o mercado interno. O setor de bares e restaurantes representa 35% do Produto Interno Bruto (PIB) do turismo e 50% dos empregos deste setor. Devido ao grande número de feriados em 2015 e também pelo fortalecimento do turismo interno, influenciado pela alta do dólar, cidades litorâneas devem ter crescimento real (acima da inflação) de até 3% para o restante de 2015, considerando-se que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche este ano na casa dos 8%.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Restaurantes (ANR) e sócio dos restaurantes Pobre Juan, especializados em carnes nobres, Cristiano Melles, excelência deve ser considerada a palavra-chave. “É preciso olhar o cenário como um todo, cuidar dos desperdícios e da qualidade dos produtos, seja no chopp, no almoço, jantar e nos outros pratos do cardápio. É um momento que percebemos um tráfego menor nos restaurantes, então é preciso buscar a fidelização dos clientes, que estão mais cuidadosos com o dinheiro que gastam. Sendo assim, a exigência do serviço aumenta. É preciso que o empresário esteja atento: buscar parcerias com fornecedores, fazer eventos, um lançamento de um novo produto”, afirma Melles, que ressalta ainda aos empresários a importância de ideias conjuntas da Abrasel e ANR a fim de garantir os interesses do setor.

Para o membro do Conselho de Administração Nacional da Abrasel, Célio Salles, tudo indica que o ano de 2015 continuará sendo um desafio para o setor. “O mercado prevê mais inflação, queda maior do PIB e nova alta dos juros, mas o empreendedor deve saber que crise não é um fato irreversível”. Proprietário de diversas unidades da rede de restaurantes Bob’s em Santa Catarina, ele destaca que cada empreendedor deve analisar o cenário particular de seu negócio diante do cenário global. “Se o empresário possui um restaurante em uma área industrial, esse ambiente terá uma estimativa de redução de emprego, cabe ao proprietário ser conservador. Se a região específica está em desenvolvimento, o empresário pode reagir e expandir com mais agressividade; divulgação, preço, promoção de produtos”.

Ainda segundo Salles, para encarar o atual cenário, é preciso que todo empresário seja proativo. “Administrar uma equipe é agir por antecipação. É preciso saber o que a empresa precisa não apenas para hoje, mas para daqui um mês”. A produtividade deve ser incentivada e a equipe redimensionada. “É papel do administrador, reorganizar, treinar, motivar, fazer com que menos pessoas façam cada vez mais. Do ponto de vista da venda, não devemos nos conformar com a situação. Reagir sempre e nunca se render”.

Para o empresário Mario de Santi, proprietário do restaurante Orquestra de Panelas, de Porto Alegre, em um país de regras engessadoras e encargos tão elevados como o Brasil, não há possibilidade de diminuir custos com mão de obra quando a economia não vai bem. “Um restaurante como o nosso costuma trabalhar com número justo de pessoal, o que impede demissões. Acredito que em restaurantes grandes, com dezenas de funcionários, a redução do número de clientes pode resultar em diminuição de pessoal. Para os pequenos, demitir às vezes sai mais caro que manter o pessoal com alguma ociosidade”.

De Santi se mantém reticente no prognóstico do restante do ano para o setor. “O drama tem sido a contínua elevação dos custos e a dificuldade em superá-los. Não há como mudar os preços do cardápio com frequência. Quem fizer isso vai espantar clientes na mesma proporção. Por exemplo, o quilo de filé de linguado andava na casa dos R$30 há um ano. A aceleração, iniciada no meio do segundo semestre de 2014, levou o preço a R$49,90. Então é possível que esse seja um ano de faturamento apenas um pouco acima do ano passado”, conclui.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 104 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa