11/09/2015 - A evolução do vinho brasileiro

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As vinícolas brasileiras conquistaram uma qualidade capaz de fazer frente aos mais renomados concorrentes estrangeiros

 

O Brasil, considerado o quinto maior produtor vitivinícola do hemisfério sul, vem produzindo vinhos desde sua colonização. Uma história que começou por volta de 1530, com as primeiras vinheiras trazidas pelos portugueses, e foi marcada pela influência da chegada de imigrantes italianos, franceses e até alemães. Um longo processo de evolução fez com que hoje os vinhos brasileiros fossem capazes de competir em pé de igualdade com os rótulos importados.

Foi na década de 1990 que se deu início a trajetória de evolução da qualidade do vinho brasileiro. A abertura econômica do Brasil impulsionou o investimento em novas tecnologias nas vinícolas, a reconversão de vinhedos (de latada para espaldeira) e o uso de mudas de parreiras certificadas. Impulsionou também a entrada de diferentes estilos de vinhos e marcas estrangeiras no território, aumentando a concorrência e levando os produtores a aumentarem a qualidade do vinho nacional.

 


Sílvia Mascella Rosa é jornalista e sommeliére do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)

 

O momento pedia este avanço. “Era uma questão de sobrevivência. Ou as vinícolas se modernizavam ou elas acabavam”, afirma Sílvia Mascella Rosa, jornalista e sommelére do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Além da tecnologia, as vinícolas investiram também na capacitação de seus profissionais. Atualmente a produção vinícola do Brasil se concentra principalmente nas regiões da Serra Gaúcha (RS), do Vale do São Francisco (BA e PE) e do Planalto Catarinense (SC). Mas novas vinícolas também começam a ganhar destaque em outras regiões, como no sul de Minas Gerais e no interior de São Paulo, e já chegam a sua 2ª ou 3ª safra.

Os últimos 15 anos de evolução das vinícolas brasileiras fizeram com que a bebida tomasse posse de uma qualidade capaz de concorrer frente a frente com os vinhos internacionais mais renomados, como os espanhóis, portugueses, argentinos e chilenos. Mas ele ainda tem uma dificuldade: no exterior, o vinho brasileiro é mais aceito que dentro do país, explica Sílvia. “Isso porque o brasileiro ainda guarda a memória dos vinhos antigos, dos vinhos que eram feitos de outra maneira, e ficou na cabeça das pessoas como um vinho mediano. Mas a realidade do vinho brasileiro hoje é outra”. De acordo com a especialista, para acabar com este preconceito e fazer com que a qualidade do vinho nacional seja conhecida dentro do país, é preciso informação e degustação, e o Ibravin tem papel importante neste aspecto.

 

Projeto Qualidade na Taça

Os vinhos e sucos brasileiros estão ganhando cada vez mais espaço nas taças dos consumidores e, juntos, formam um setor em amplo desenvolvimento. Por isso, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) tem o objetivo de ajudar a estruturar o avanço dessa indústria, com ações estratégicas de posicionamento e imagem, promoção comercial e qualificação de seus membros.

Em 2015 o instituto está focado na qualificação profissional de garçons, sommeliers, atendentes de vinhos e outros profissionais que atuam nos pontos de venda. A ideia é fazer da informação e da capacitação as principais ferramentas para aumentar a venda de vinhos brasileiros nos bares e restaurantes. Para isso, o Ibravin e o Sebrae se uniram para sensibilizar mais de mil estabelecimentos de alimentação fora do lar, por meio do projeto Qualidade na Taça. A assinatura do convênio ocorreu em abril de 2014 e conta com apoio da Abrasel.

Entre as ações estão previstos o desenvolvimento de uma metodologia específica para o curso de capacitação, um modelo de carta com os vinhos brasileiros, além da divulgação da iniciativa pelas entidades. O convênio prevê qualificar diretamente cerca de 3 mil pessoas do segmento de alimentação fora do lar, em 16 estados. Também instrumentalizará as vinícolas para que participem de feiras e outros eventos.

De acordo com Pedro Hoffmann, presidente do Conselho de Administração da Abrasel Nacional, o papel da associação será de estimular a participação dos bares e restaurantes em todo o país. “É importante este trabalho para que os colaboradores tenham conhecimento sobre as cartas que são vinificadas no Brasil, sobre a qualidade dos produtos vitivinícolas brasileiros e que também possam estar aptos a sugerir variedades e rótulos que harmonizem com os pratos e que atendem ao gosto dos clientes”, ressalta

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 104 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa