10/09/2015 - O sucesso das ações da Fogo de Chão na Nasdaq

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Precificação das ações atingiu valor acima do esperado, indicando o potencial de expansão da rede de churrascarias nos EUA.

 

Em abril deste ano, a rede de churrascarias Fogo de Chão anunciou que entrou na SEC - Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, com o pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Foram emitidas 4,411 milhões de ações, precificadas a U$20 cada, levando a oferta total a 88,2 milhões de dólares. Com a precificação da Comissão de Valores, a companhia foi avaliada em 545 milhões de dólares.

Para Célio Salles, membro do Conselho de Administração Nacional da Abrasel, o sucesso do modelo de negócios da rede Fogo de Chão nos Estados Unidos se deve especialmente a três fatores: “O gosto de churrasco brasileiro agrada ao paladar de muitos norte-americanos e o conceito de churrascaria com grande variedade de carnes servidas à vontade na mesa do cliente é muito bem aceito por este público. O modelo de negócios das redes, com baixos custos especialmente com mão-de-obra, permite que a empresa entregue preços atrativos, proporcionando um grande giro de clientes”.

Segundo Salles, que para compreender a questão se baseou em reportagem do portal norte-americano Business Insider, especializado em análise de negócios, o que garante o sucesso das churrascarias Fogo de Chão é a oferta de serviços diferenciados, com a conservação dos conceitos das churrascarias e dos rodízios brasileiros no exterior, oferecendo algo diferente do que é comum para o público nativo do país. A título de curiosidade, ele conta que a maior parte das churrascarias brasileiras com unidades nos Estados Unidos contratam funcionários brasileiros, conservando assim a sua “brasilidade”.

 

Caso de sucesso

Fundada em 1979 pelos irmãos Jair e Arri Coser, em Porto Alegre (RS), a Fogo de Chão começou a se expandir para os Estados Unidos em 1997, quando foi aberta a unidade em Dallas, no estado do Texas. O churrasco gaúcho e o modelo de negócios do “espeto corrido” adotado nos restaurantes da rede fizeram sucesso no país, onde estão hoje a maior parte de suas franquias. Em 2012, a Thomas H. Lee, firma norte-americana de private equity, adquiriu a Fogo de Chão por US$ 426 milhões. Em 2014, a Fogo de Chão registrou uma aumento de 20% da receita em comparação ao ano anterior, fechando o período com receita de US$ 262,3 milhões, ante US$ 219,2 milhões em 2013. Na mesma comparação, a empresa passou de prejuízo de US$ 937 mil para lucro de US$ 17,6 milhões. Hoje, a Thomas H. Lee detém 79% das ações da empresa.

Atualmente, a companhia tem 25 restaurantes nos Estados Unidos, 10 no Brasil, um em Porto Rico e em breve será inaugurada uma unidade no México. Segundo o prospecto da oferta, o objetivo da venda das ações é tanto refinanciar dívidas como expandir a rede, especialmente nos Estados Unidos onde, a longo prazo, a Fogo de Chão vê potencial para a abertura de até 100 novas franquias.

 

Terreno fértil para os negócios

 


Ricky Marcellini é proprietário do Chalezinho (SP) e em breve abrirá o The Little Chalé na Flórida (EUA)

 

Para o empresário Ricky Marcellini, que atua no mercado de bares e restaurantes há 18 anos, o bom atendimento de fato oferece uma experiência diferenciada para os clientes. Ele é proprietário do Chalezinho, casa especializada em fondues, localizada em São Paulo, e em breve abrirá o The Little Chalé - um empreendimento aos moldes de seu restaurante paulista - na cidade de Boca Raton, Flórida. Ele afirma que, em seu novo restaurante, pretende manter um padrão de atendimento mais caloroso aos clientes, típico dos brasileiros, criando um diferencial em relação às casas norte-americanas.

Marcellini levará um gerente brasileiro para Boca Raton, e pretende contratar funcionários de origem latina, mas afirma que não utilizará a nacionalidade como requisito principal para contratar seus funcionários. O principal é manter o padrão de atendimento da casa em São Paulo, o que para ele, pode ser feito instruindo os funcionários acerca de sua forma de agir.

Para o empreendedor que pretende abrir seu negócio nos Estados Unidos, Marcellini alerta: “aqui não existe ‘jeitinho brasileiro’. A fiscalização é rigorosa e os mínimos detalhes do que é determinado pela lei, como a posição de uma pia na cozinha, devem ser respeitados.” Além disso, é importante adaptar o cardápio de seu restaurante às preferências locais. Segundo o empresário, na região em que está, ao sul dos Estados Unidos, os pratos costumam ser maiores, além de terem mais sal, mais pimenta e menos creme, se comparados aos que são servidos no Chalezinho no Brasil.

Apesar de ser um terreno mais competitivo, Ricky acredita que um empresário brasileiro que saiba se adaptar aos gostos e regras locais, além de manter um diferencial em seus negócios, tem grandes chances de prosperar no mercado americano. “É um terreno fértil para os negócios. Enquanto no Brasil você paga impostos desde que abre as portas, aqui essa cobrança só é feita a partir do momento em que seu empreendimento começa a gerar lucros. Além disso, as leis trabalhistas são mais simples e não são paternalistas. Não existem férias nem 13º, mas sim acordos entre as partes, e o trabalho é pago de acordo com as horas trabalhadas. A burocracia menor facilita muito”, afirma.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 104 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa