27/08/2015 - Para reforçar renda familiar, jovens pressionam mercado de trabalho

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Desemprego de jovens de 18 a 24 anos foi 12,9% para 18,5% em um ano. Renda média real do trabalhador caiu 2,4% em um ano, segundo IBGE.

 

Em busca de reforço para a renda familiar, jovens brasileiros que não trabalhavam nem procuravam por emprego passaram a disputar vagas com aqueles que já estavam no mercado. A população denominada “não economicamente ativa”, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que divulga os indicadores de emprego do país, está retornando ou ingressando no mercado, levando a taxa de desocupação de jovens de 18 a 24 anos subir de 12,9% para 18,5% em um ano, apontou o IBGE.

“Falta condição financeira. Está ruim a da minha família e a minha também. Resolvi vir atrás de trabalho”, explicou Paulo Fernando Vitalino, de 23 anos, que na sexta-feira (21) buscava uma oportunidade no posto do Sistema Nacional de Emprego (Sine), do Ministério do Trabalho, no Centro do Rio de Janeiro

O morador de Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro, procura uma oportunidade na área de refrigeração, após completar um curso de especialização, e garantiu que “a situação está mais difícil”. Vitalino não trabalha há cinco anos e só tem uma anotação de emprego na carteira de trabalho.

Fernando Vitalino é parte de um movimento que está se tornando mais comum. De acordo com Adriana Beringuy, técnica de rendimento e trabalho do órgão, a intensificação da entrada dos jovens no mercado de trabalho vista nos últimos meses pode estar associada à queda da renda do trabalhador, que recuou pelo sexto mês consecutivo em julho de 2015, "encolhendo" 2,4% em um ano. Com mais gente procurando trabalho, o desemprego do país em julho subiu a 7,5% e registrou a maior taxa para o mês desde 2009, quando ficou em 8%.

“A gente sabe que a redução da renda do trabalho pode trazer impacto na renda do domicílio com um todo. Começa a haver uma necessidade de pessoas que antes não faziam parte da composição do rendimento, agora buscam justamente trabalho para suprir essa necessidade de manutenção de rendimento, que vem diminuindo nesses últimos meses”, analisou.

Com o ensino médio completo, Jennifer Oliveira, de 24 anos, era outra jovem à procura de uma vaga no posto de atendimento do Sine-RJ. Ela mora com os pais, no Jardim América, Subúrbio do Rio, nunca trabalhou, mas busca emprego porque os pais “precisam de ajuda financeira”, contou.

“Eu tive um bebê e ele nasceu com uma complicação de saúde. Então, não poderia no momento. Eu fiquei três anos afastada de procurar emprego por causa dele, porque ficou doente, teve vários problemas de saúde. Agora que ele está na escola, está melhorzinho, estou à procura de emprego para ajudar lá em casa, para ajudar meus pais”, relatou a jovem, que conseguiu uma entrevista, na ocasião, para a área de telemarketing.

A pressão dos jovens no mercado de trabalho também ocorre através daqueles que desejam uma oportunidade melhor. Wallace de Oliveira, de 20 anos, está desempregado há duas semanas, e busca um emprego de auxiliar de serviços gerais ou auxiliar de cozinha.

Antes empregado em um shopping center, o jovem, que mora com a esposa e o enteado, informou que pediu para o empregador dispensá-lo, após ficar doente.

“Eu tinha ficado um pouco doente, aí eu melhorei agora, pedi para dar baixa porque eu trabalhava no shopping e era um pouco puxado. A carga horária, eu trabalhava um dia sim e um dia não, às vezes eu tinha que dobrar, entendeu?”, explicou ele, que saiu animado do posto, após conseguir uma entrevista. “Esse [novo trabalho] é de 6h às 14h, de segunda a sábado, tenho pelo menos um domingo para ter um lazer”, completou.

 

Fonte: G1