25/08/2015 - Selos de origem valorizam produtos genuinamente brasileiros

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Cachaça, manga, vinho, camarão e queijo com indicação geográfica foram destaque em receitas durante 27º Congresso Nacional Abrasel e Mesa ao Vivo Brasília

 

 

Desde 2002, alguns produtos estão dando um passo além e conquistando o registro de Indicações Geográficas (IG), que atestam não somente a sua qualidade como dão ao consumidor a certeza de estar comprando um item original de uma determinada localidade. Estão na lista 43 produtos e serviços brasileiros, sendo 27 deles alimentares.

Essa é uma das estratégias indispensáveis para que pequenos produtores tenham visibilidade e competitividade, especialmente em tempos difíceis para a economia.

A diferenciação é uma maneira de se fortalecer no mercado e também se sobressair no Movimento Compre do Pequeno Negócio, iniciativa liderada pelo Sebrae para incentivar o consumo de produtos e serviços oferecidos por empresas de menor porte, para garantir a sustentabilidade e o desenvolvimento da economia local.

Para o consumidor, comprar alimentos e objetos com certificado de origem pode ser a chance de conhecer produtos de excelência e genuínos, e de contribuir para a sustentabilidade desses negócios rurais. O Movimento será lançado nacionalmente no dia 5 de outubro.

Luciano Carvalho Machado, um dos personagens principais do documentário O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton, se dedica à elaboração do produto há 30 anos. Ele acredita que a IG conquistada em 2012 levou confiabilidade ao consumidor. “Agora, os compradores têm a certeza de que o produto é original da Serra da Canastra”, afirma Luciano.

Esse pequeno produtor da cidade de Medeiros (MG) afirma que até o final do ano as peças redondas chegarão ao mercado com um selo especial trazido da Europa e o código para que o consumidor conheça a história de quem elaborou o produto.

Por conta do sucesso nas exportações, o fruticultor Arthur de Souza comemora a IG das uvas de mesa e mangas do Vale do Submédio São Francisco, cultivadas por milhares de pequenos produtores.

No ano passado 42 mil toneladas foram vendidas para fora do país com a ajuda do selo de indicação geográfica. “Aqui no Brasil, o consumidor está começando a dar valor ao produto com selo. Já na Europa e nos Estados Unidos as pessoas dão preferência aos produtos certificados”, afirma. De acordo com ele, no mercado interno, a caixa de uva comum sai a R$ 50 e a de manga, a R$ 30. Já as que possuem origem comprovada saem a R$ 70 e R$ 80, respectivamente.

No caso dos vinhos do Vale dos Vinhedos, a indicação geográfica melhorou o nível de associativismo e a qualidade dos produtos. É o que conta o diretor-técnico da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), André Laurentis. “São 25 produtores beneficiados, dentre eles 20 pequenas vinícolas. Depois da indicação de procedência as vendas melhoraram, especialmente para o mercado interno, e o turismo na região também foi fomentado”, diz ele.

A maior frequência de turistas na região ampliou o mercado não somente do vinhos, mas também de hotéis, pousadas, restaurantes, ateliês de artesãos, queijarias, lojas de antiguidades, dentre outros. O Vale dos Vinhedos conquistou a Indicação de Procedência, uma das modalidades de IG, em 2002. Dez anos depois, foi reconhecida como a Denominação de Origem.

Os produtores estiveram em Brasília para participar do 27º Congresso Nacional da Abrasel e do Mesa ao Vivo, promovido pela revista Prazeres da Mesa. Durante a programação, puderam falar sobre seus produtos e as vantagens das Indicações Geográficas.

Chefs de cozinha aproveitaram os ingredientes para criar pratos especiais. A cachaça de Salinas foi usada por Mara Alcamin (Universal Diner) para flambar nacos de fígado. Já o vinho entrou na composição do molho para carne de Dudu Camargo (Dudu Bar). O queijo fez par com a carne de porco para rechear o sanduíche de Alexandre Albanese (Nossa Cozinha Bistrô).

 

Apoio

O Sebrae apoia os pequenos produtores no processo de obtenção do registro de  Indicações Geográficas, outorgados pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Essas ações vão desde formalização das entidades coletivas representativas até a realização de levantamento histórico e demarcação de área, que comprovam a notoriedade do território vinculado ao produto.

Programas como o Sebraetec, por exemplo, podem viabilizar o acesso dos produtores das IGs aos serviços tecnológicos para aprimorar processos produtivos e avaliar a conformidade aos requisitos de qualidade.

 

Fonte: Revista PEGN