11/04/12 - Setor de bebidas diz que pode passar possível alta de IPI ao consumidor

Associação diz que setor 'não tem mais condições' de absorver elevação. Setor apela ao governo para adiar ajuste de IPI e PIS/Cofins

Após se reunirem com a Receita Federal, representantes do setor das bebidas frias (refrigerantes, sucos e água) disseram hoje que a indústria pode repassar ao consumidor o possível aumento de custos provocados pela elevação da tributação anunciada pelo governo. "Em 2011, absorvemos o aumento e chegamos ao limite. Não temos mais condições de absorver a elevação de impostos", disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Herculano Anghinetti.

O setor apelou ao governo para evitar, neste ano, o reajuste da tabela de preços das bebidas sobre a qual incidem tributos como Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e PIS/Cofins. O aumento desses valores implicará elevação da carga tributária para as indústrias. O aumento de preços para o consumidor, segundo Anghinetti, leva a um menor volume de vendas no setor, além de menor arrecadação de impostos e impactos sobre a inflação.

Se o governo não atender ao pedido do setor, Anghinetti estima que o IPCA poderia sofrer um aumento de 0,5 ponto percentual. A Abir, no entanto, não estima o impacto direto da maior carga tributária nos preços das bebidas. Em 2010, a Abir e o governo chegaram a um acordo que permitiu o congelamento da tabela usada como base para a tributação.

Em contrapartida, segundo a associação, o setor elevou os investimentos - dos R$ 4,6 bilhões previstos para um total de R$ 5,4 bilhões no ano. Em 2011, o investimento somou R$ 6 bilhões, segundo a entidade. O volume encolheu R$ 1 bilhão em relação ao estimado inicialmente pelas indústrias em razão da negativa do governo para um novo congelamento no ano passado.

 

Fonte: Valor On Line