27/07/2015 Café de brasileira faz sucesso em bairro da moda de Nova York

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Mudança radical exigiu investimento de longo prazo e muita paciência para chef de cozinha que abandonou a TV

 

Muito antes que Williamsburg se tornasse um dos locais mais descolados de Nova York, a empresária e chef de cozinha Fabiane Lima enxergou uma oportunidade naquela parte do Brooklyn que fica a apenas uma estação de metrô da ilha de Manhattan. Há 14 anos, a brasileira nascida em Natal (RN) e criada no Rio de Janeiro abriu um café e restaurante na Bedford Avenue, ponto de encontro 'hispter' de artistas e de famílias com crianças.

"Não existia comércio, não existia nada. Eu praticamente monopolizava. Aí, uns três ou quatro anos depois, as pessoas descobriram Williamsburg e o bairro virou o lugar da moda", diz a empresária, que emprestou seu nome ao negócio.

O Fabiane's Cafe & Pastry oferece um vasto menu com saladas, quiches e sanduíches, além de doces e tortas variadas - todos idealizados pela chef. O toque brasileiro fica por conta de itens como açaí, salada de frutas e bolo de aipim. Antenada tanto em tendências gastronômicas como em opções saudáveis, Fabiane desenvolveu uma linha de produtos sem glúten, incluindo mousses e bolos.

Ao chegar em Nova York há 26 anos como produtora de televisão, Fabiane descobriu uma paixão pela cozinha e decidiu mudar radicalmente de carreira, começando do zero. "Descobri uma faceta dentro de mim que eu não conhecia porque em Nova York você não tem uma pessoa para te ajudar em casa como no Brasil", afirma.

Entre pratos e quitutes preparados para si mesma e para os amigos, Fabiane se formou no French Culinary Institute. O caminho em direção à profissionalização na culinária também incluiu um ano de estágio em alguns dos maiores restaurantes de cozinha francesa em Nova York. "Eu segui o meu coração, o que as pessoas normalmente não fazem. Eu investi bastante, tempo, dinheiro, minha vida praticamente", lembra.

Quando finalmente estava pronta para ter o seu próprio espaço, Fabiane montou um plano de negócios e conversou com diversos possíveis parceiros antes de fechar com um grupo de investidores irlandeses. "Não é só o dinheiro. É a ideia, o sonho. Você quer que as pessoas sintam a mesma felicidade que você", ressalta.

Hoje, a empresária entende as características próprias de Nova York para quem deseja abrir o próprio negócio - como a "burocracia tremenda" que cita entre os percalços para empreender na cidade. Seu melhor conselho foca na contratação das pessoas certas, profissionais especializados que saibam lidar com cada licença, inspeção e regulamentação exigida no nível municipal, estadual e federal. Acima de tudo, como estrangeira prosperando em Nova York com suas criações gastronômicas, está feliz.

 

Fonte: Estadão PME