22/07/2015 - Comer fora está 7,13% mais caro em Fortaleza

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O índice esta ligado ao primeiro semestre e inclui lanches, alimentos de restaurantes, doces, café, cerveja, e outros

 

Com o acúmulo de tarefas no dia a dia, muitas pessoas deixaram de fazer suas refeições em casa, optando por comer em lanchonetes ou restaurantes. Porém, essa prática está custando caro aos fortalezenses. Somente no primeiro semestre de 2015, houve uma elevação de 7,13% nos preços dos alimentos consumidos fora do domicílio na Capital cearense. A variação foi a maior do País, como aponta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Carlos Mendonça, o aumento nos restaurantes e bares registrado no primeiro semestre do ano foi de 16,1% e não de 7,13%. "Eu acho pouca a alta apontada pelo IPCA, visto que houve uma inflação na conta de energia, nos alimentos e o reajuste salarial no início do ano, além do aumento nos serviços terceirizados, que são necessários no setor para a manutenção de equipamentos", explica.

Mendonça ressalta que, mesmo com a inflação sobre os insumos utilizados na alimentação, muitos restaurantes estão segurando os preços para não perder os clientes. "Hoje, nós estamos procurando economizar nos estabelecimentos, reduzindo a energia, economizando água ou, até mesmo, cortando funcionários. Os restaurantes estão diminuindo os gastos de outras formas, para não repassar aos consumidores e comprometerem, assim, a sua demanda", explica o diretor da Abrasel.

O índice sobre a alimentação fora de casa inclui refeições feitas em restaurantes, o consumo de lanches, doces, café da manhã ou mesmo a compra de um cafezinho ou de uma bebida alcoólica em algum estabelecimento da cidade. No acumulado do ano, a variação das refeições feitas em restaurantes, como os de self service, está custando, em média, 4,71% mais caro do que em igual período de 2014. Já as bebidas alcoólicas consumidas em bares de Fortaleza teve aumento de 9,03%, a cerveja em especial, de 4,90%.

 

Receio no consumo

No acumulado de 12 meses, de junho de 2014 a junho de 2015, a variação dos preços da alimentação fora do domicílio em Fortaleza surpreendeu ainda mais, com elevação de 11,58%. Porém, em junho deste ano, comparado com maio passado, a alta registrada foi de 0,89%.

Segundo o diretor da Abrasel, as pessoas estão receosas com o cenário que se encontra o País, refletindo no hábito de consumo. "Os consumidores não entendem o que vai acontecer no Brasil, estão temerosos. Por isso, nesses dois últimos meses (maio e junho), houve uma queda de 35% do consumo em restaurantes e bares, em relação ao mesmo período de 2014", lamenta.

 

Doces lideram alta

Entre os alimentos com maiores altas apontado na pesquisa estão o doce, com elevação de 12,25% (a maior alta do País) e o lanche, com acréscimo de 11,95%.

Segundo Anna Paula Rezende, proprietária da patisserie Anna Paula Doceria Contemporânea, com a compra de insumos mais caro, "é inevitável repassar aos clientes". Rezende explica que, apesar da elevação dos preços, a demanda da doceria continua a mesma. "O meu consumidor em si não reclama pelas altas dos valores, a escolha do meu produto é pela qualidade", diz.

Já a proprietária da Sucré, Lia Quinderé, optou em segurar os preços no primeiro semestre de 2015. De acordo com a chefe, o último reajuste foi realizado em outubro do ano passado. "A gente deveria ter elevado os preços na virada do ano, junto com a inflação, mas optamos em sentir o mercado", conta.

A alta nos produtos da marca deve acontecer em agosto deste ano, com elevação em torno de 10 a 11%. Quinderé explica que, para a revisão de preços, foi analisada a inflação dos valores de cada matéria-prima, caso por caso, para só assim ser calculado o reajuste dos produtos.

 

Brasil

Ainda de acordo com o IPCA, em segundo lugar no ranking dos locais com maiores aumentos na alimentação fora do lar está o Distrito Federal, com alta de 7,11% no primeiro semestre de 2015, seguido por Salvador, com acréscimo de 6,98%. Porto Alegre e Belo Horizonte foram as cidades que registraram as menores elevações, com 4,27% e 4,67%, respectivamente.

O Rio de Janeiro aparece com a maior alta do País nos últimos 12 meses, com variação de 9,95% neste período.

Já em junho deste ano, comparado com maio passado, a maior elevação do setor no Brasil foi de 1,69% em Belém.

 

Fonte: Diário do Nordeste