09/07/2015 - Sanduba vira opção para os executivos no Rio de Janeiro

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Perfil de consumidores de fast food no Rio sofre mudança

 

Terno, gravata e sanduíche nas mãos. O perfil de consumidores de fast food no Rio está mudando, já que até os executivos têm incluído as grandes redes de lanchonetes do Centro no roteiro de almoço, para economizar. Engravatados, como o advogado Fábio Eustáquio, de 29 anos, andavam um pouco distantes de hambúrgueres, queijos derretidos e bacon, mas a alta da inflação sobre as refeições fora de casa tem alterado hábitos. Nesta terça-feira, Fábio esperou por cerca de dez minutos na fila do Burger King para ser atendido. O restaurante estava cheio, mas ele precisa manter a meta de gastar até R$ 25 por refeição para não perder de vista o equilíbrio de seu orçamento mensal.

Comer um combo com um sanduíche de dois andares, batatas fritas e um refrigerante foi a melhor opção que encontrou na Avenida Rio Branco.

— No último ano, notei que (comer fora de casa) ficou mais caro. Já tentei trazer marmita, mas me falta disciplina para fazer comida. Procuro alternar os restaurantes com as opções mais em conta. Um dia estou aqui, no outro vou ao KFC, ao Spoletto — contou.

O custo com a alimentação subiu cerca de 8% nos últimos 12 meses, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta do custo de vida vem devorando o poder de compra do brasileiro e do administrador Jorge Pecly, de 28 anos. Por isso, ele passou a abocanhar hambúrgueres ao menos duas vezes por semana, para tentar conter os gastos.

— Mesmo assim, na última semana do mês, o dinheiro do tíquete-refeição para o almoço acaba. Estamos gastando mais. Isso é notável. Quando não como aqui, no Burger King, procuro os restaurantes a quilo mais baratos ou os pratos executivos. Não dá para ficar sem comer, mas, às vezes, é preciso andar um pouco mais para conseguir as melhores ofertas — explicou Jorge.

 

Marmita volta a ser alternativa

O Rio é uma das cidades mais caras do Brasil na hora de almoçar fora de casa. Segundo a Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), o custo médio na capital é de R$ 33,66, bem acima do valor nacional, de R$ 27,36. Somente em junho, o gasto com a alimentação subiu 1,80%, considerando o estado. Se a ascensão da classe C popularizou o consumo em lanchonetes, agora os preços altos fazem os trabalhadores voltarem às marmitas.

Todos os dias, a mãe do auxiliar de serviços gerais Nelson Ferreira Rodrigues, de 20 anos, prepara o almoço do filho, que trabalha numa loja de tecidos da Saara, maior centro de comércio popular da cidade. O cardápio inclui carne, batatas, arroz e feijão. E ele enfrenta duas horas de viagem em dois ônibus com a refeição debaixo do braço, no trajeto de Padre Miguel, na Zona Oeste, ao Centro.

— Só gasto com o refrigerante — disse o rapaz.

Quem optou por levar a comida de casa para o trabalho sentiu um alívio maior no bolso. O preço da cesta básica caiu no mês de junho, em 15 das 18 cidades pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O Rio registrou o segundo maior recuo, com queda de 6,71%. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) apresentou variação de 0,82% no mês passado, acumulando uma alta de 6,42% no ano e de 9,15% nos últimos 12 meses.

Entre as oito classes de despesas que fazem parte do índice, a de alimentação teve decréscimo. Em junho, o salário mínimo para manter uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 3.299,66. O valor é quatro vezes mais do que o salário de R$ 788, de acordo com a estimativa do Dieese.

 

Fonte: O Globo