03/07/2015 - Preço fixo desbanca refeição a quilo em Juiz de Fora

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Juiz-forano faz as contas e opta por restaurantes com preço único, cujo valor médio é R$ 9,50

 

Os restaurantes que oferecem refeição com preço fixo conquistaram a preferência do juiz-forano que tem sentido o encarecimento dos custos da alimentação fora de casa. Com o valor médio a R$ 9,50, principalmente na região central, o prato feito é considerado economicamente mais vantajoso que a comida a quilo, cujo preço varia entre R$ 29,90 e R$ 59,90 na cidade, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Zona da Mata. Segundo o IBGE, entre janeiro a maio, a alimentação fora de casa subiu 5,14% em comparação com o mesmo período do ano passado. Atento ao aumento da inflação, o consumidor já mensurou o impacto deste item no orçamento.

“Gastava, em média, R$ 180 por mês até o ano passado. Agora, os custos chegam a R$ 250. Meu horário de almoço não é suficiente para ir em casa e voltar, ou busco alternativas mais baratas ou não como”, afirma a auxiliar administrativo Elaine Neves, 42 anos, que viu suas despesas aumentarem quase 40% este ano. Com a necessidade de almoçar fora de casa de segunda à sexta-feira, a solução encontrada por Elaine foi optar pelo prato feito. “O custo-benefício vale a pena.” A porção generosa da refeição, que a torna mais atrativa na comparação com o modelo a quilo, também agrada os consumidores. “A qualidade da comida é boa, e a quantidade sai muito mais em conta do que se eu fosse pagar em um restaurante a quilo”, opina o lojista Wendell da Silva, 20 anos. Há estabelecimentos que possuem duas opções de cardápio, uma fixa que é o chamado prato feito, sugestão do dia ou executivo e outra variável, em que o cliente pode acrescentar um tipo de alimento.

Há 38 anos no mercado, o restaurante Cantina do Amigão sempre buscou se adaptar às mudanças de comportamento do consumidor. “Começamos oferecendo apenas o serviço à la carte. Depois, com o crescimento da procura por comida a quilo, acrescentamos o self-service. Nos últimos dois anos, nosso cardápio passou a incluir também o prato executivo. Agora mudamos novamente”, conta o proprietário Vinícius Sahione Schettino. A recente mudança é um modelo de atendimento que mistura a oferta do self-service com o preço fixo do prato feito. “O cliente pode se servir uma vez à vontade, apenas a carne que é um só tipo e servida pelo garçom. O preço é único”, explica.

Segundo Vinícius Schettino, a alteração se deu por conta da realidade econômica. “As pessoas querem comer bem, mas precisam pagar pouco. E cabe ao setor se adaptar para atender esta necessidade.” O empresário admite que a margem de lucro por refeição diminuiu, mas a demanda de consumidores aumentou com o novo sistema. No Restaurante Gula Gula, que oferece as opções de prato feito e self-service, a proprietária Priscila Oliveira também verificou aumento da preferência dos consumidores pelo primeiro tipo de refeição. “Desde o mês passado, aumentamos os pedidos. Servíamos, em média, 30 pratos por dia, agora subiu para 50.” Já a demanda por comida a quilo tem variado. “Há dias bons, outros mais fracos.” Para ela, o consumidor juiz-forano tem valorizado qualidade e preço baixo.

Na análise do professor da Faculdade de Economia da UFJF, Wilson Rotatori, o momento econômico é responsável pela mudança de preferência do consumidor. “Tudo ficou mais caro, e as pessoas precisam limitar os gastos. É um momento inverso do que aconteceu há alguns anos, quando houve a explosão dos restaurantes self-service.” Segundo ele, se antes o aumento da renda motivou as pessoas a se alimentarem fora do lar, agora o “encolhimento” faz com que busquem alternativas. “Quem pode fazer as refeições em casa, já deixou de ir ao restaurante. Quem realmente precisa, prioriza preços para não impactar demais o orçamento.”

Esse é o caso dos clientes do restaurante Bom Gosto, que só trabalha com prato feito. No local, são servidas, em média, cem refeições por dia. “Nossos clientes fiéis são os trabalhadores da vizinhança”, diz uma das sócias, Amanda Cristina. Confiante, ela espera a situação melhorar. “O momento econômico não está bom, e as pessoas estão economizando. Acredito que esse quadro é temporário.” O diretor executivo da Abrasel Zona da Mata, Marcos Henrique Miranda, observa que todo o setor está sofrendo com o aumento de aluguel e energia. “Sabemos que os consumidores reduziram os gastos com alimentação fora do lar por conta da situação econômica que estamos enfrentando. No nosso setor, os restaurantes comerciais são os últimos a serem afetados, o corte inicial acontece com os estabelecimentos que funcionam à noite.”

 

Fonte: Tribuna de Minas