01/07/2015 - Vale tudo: empresários investem em promoções e estratégias para aquecer o mercado em Manaus

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Donos de negócios querem rebater índices da economia em baixa e a ausência do aquecimento econômico inicialmente previsto para este semestre

 

Esvaziar os estoques e aumentar o fluxo de vendas. Essas são as palavras de ordem dos segmentos de comércio e serviço de Manaus para driblar a instabilidade econômica.

Com os índices da economia em baixa e um aquecimento aguardado para este semestre que ainda não aconteceu, empresários da capital amazonense “arregaçam as mangas” e investem em estratégias para reduzir a queda no faturamento e atrair a clientela. Para isso, vale tudo: de descontos a promoções de eventos - cada segmento faz a sua aposta.

As lojas de materiais de construção, por exemplo, já se movimentam para se recuperar de uma queda estimada em 20% no faturamento nos últimos meses. A Guarany Tintas, da Djalma Batista, é uma das lojas do ramo que aposta em preços baixos para reduzir o estoque.

De acordo com o proprietário da rede Guarany, Aderson Frota, pisos de porcelanato e cerâmica que antes eram vendidos por R$ 28, o metro quadrado, agora podem ser encontrados por até R$ 19, em algumas lojas da rede, uma diferença superior a 30%.

Algumas tintas tiveram redução de 25% no valor de venda e outros itens como ferramentas, portas e fechaduras também ganharam preços mais atrativos. “O esforço é para vender mais e reduzir os custos porque na medida em que a venda cai, os custos fixos ganham uma representatividade maior, comprometendo a lucratividade”, esclarece.

 

Preço de custo

Na concessionária Toyolex, na Avenida Constantino Nery, a estratégia é ainda mais agressiva. A vitrine adesivada estampa a oferta de veículos com parcelas mensais a partir de R$ 499 e taxa de juros zero.

Para o gerente da loja, Ítalo Vasconcelos, a intenção é zerar o estoque até julho oferecendo modelos com preço de nota fiscal de fábrica. “Sempre será melhor vender a preço de custo, do que não vender. Temos que fazer a economia girar. Para isso, as condições oferecidas estão até melhores do que na época em que se oferecia o IPI reduzido”, comenta.

 

Serviços

No setor de serviços, a vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM), Lilian Guedes, conta que em Manaus, os restaurantes com ticket médio a partir de R$ 30, já amargam redução de até 20% no faturamento.

Para recuperar os números, diversas ações tem sido implentadas, explica Lilian. “Os empresários estão combatendo fortemente o desperdício de qualquer material para reduzir custos, motivando os funcionários com premiação para o alvance de metas e principalmente mantendo os preços e evitando demissões”, exemplificou.

 

Investir para vender mais

O proprietário da Eightys Burguer, especializada em sanduíches artesanais, Jean Fabrízio, conta que não costuma praticar estratégias promocionais em seu negócio, por já ter adequado o preço ao custo operacional.

Mas para comemorar os seis anos de funcionamento do local, e também aquecer as vendas, no último dia 24, Jean escolheu seis sanduíches de seu cardápio e os vendeu a R$ 6. “O resultado foi acima das expectativas. A fila fazia volta ao redor da Eightys”, comemorou. Segundo Jean, ações como essa ajudam, mas investir em equipamentos e no treinamento dos funcionários também é uma boa estratégia para contornar a crise.

 

Soluções criativas

O economista Martinho Azevedo afirma que, ao contrário do que já se tentou passar à população, a crise é generalizada. “É só observar. Tudo está mais caro, do cafezinho, passando pelo corte de cabelo no salão de beleza até o serviço de lavagem de carro, isso sem falar de outras atividades maiores do comércio e do setor de serviços. Esses pequenos agentes da base econômica refletem o estado de recessão que estamos vivendo”, apontou.

De acordo com ele, os empresários já perceberam a recessão, a tendência de crescimento da inflação e visualizaram uma recuperação lenta para a economia nacional. “Nada vai se resolver agora, talvez em 2016. Até lá, para se segurar, todas as estratégias são válidas para a classe empresarial não demitir e nem fechar as portas”, argumentou.

O maior desafio, segundo Azevedo, será encontrar a saída mais eficaz. “As opções estão diminuindo. O empresário não pode tomar dinheiro emprestado porque as taxas de juros estão muito altas. Parcelar as vendas ao cliente traz o risco de inadimplência. A solução está na criatividade para enxugar custos sem prejudicar demais os lucros”, concluiu.

 

Blog

“Hoje, qualquer atividade precisa usar a criatividade para aquecer as vendas. O setor de bares e restaurantes, por exemplo, fez um arranjo muito eficiente: diversos empresários se reuniram e criaram feiras gastronômicas. Os eventos caíram no gosto do público, ajudaram no faturamento das empresas e principalmente na divulgação dos estabelecimentos. Funcionou bem e movimentou o mercado. São ações assim, novas e arrojadas, que vão permitir aos segmentos atrair o consumidor, mesmo com os números atuais que indicam um índice de 68% de famílias endividadas em todo o País. Como mantê-las consumindo, apesar disso? Esse é o desafio. Até 2016, quando a economia deve se estabilizar, o empresário deve manter um controle de custo acirrado e buscar novidades o tempo inteiro para conquistar os clientes” - Marcus Evangelista, Presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM).

 

Fonte: A Crítica