25/06/2015 - Nos bares, muito planejamento para convencer o cliente a gastar

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Os bares e restaurantes do Estado de São Paulo também sofrem com a retração econômica. De acordo com informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os estabelecimentos do Estado registraram queda de 10% no faturamento no primeiro trimestre deste ano em comparação com igual período do ano passado.

 

A situação não é fácil, mesmo em um tipo de negócio que vive e se beneficia, muitas vezes, da teoria da compensação – sem dinheiro para gastos maiores, como fazer uma viagem para o exterior ou para comprar uma televisão de última geração, o consumidor acaba ‘se permitindo’ pequenos prazeres.

O Genuíno, tradicional bar localizado na Vila Mariana, em São Paulo, está operando no azul graças a uma série de ações que foram adotadas para amenizar a queda do tíquete médio. Os consumidores, que antes gastavam R$ 72, passaram a desembolsar ‘apenas’ R$ 58 – a comparação foi feita medindo o desempenho do negócio no primeiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Percebemos que o cliente está mais recessivo, não está gastando em pratos caros e não vem mais aquela turma grande da faculdade”, conta Valter Sanches, um dos sócios do estabelecimento. Para contornar essa situação, Sanches diz que “colocou o dedo na ferida”.

O empreendedor, atualmente, controla como nunca o estoque, se esforça para fazer compras bem feitas e procura por promoções. Além de controlar o desperdício, Sanches busca parcerias com marcas e reformulou o cardápio com seis novos pratos. Tudo para compensar a retração do consumidor.

“Se eu compro mais barato consigo fazer promoções para alavancar o happy hour”, diz Sanches, que dá desconto de 50% nos destilados até às 20 horas, oferta a caipirinha em dobro até o mesmo horário e vende chope em dobro de segunda a quarta-feira.

Mesmo diante de tanta criatividade e esforço para contornar a situação, o sócio do bar também precisou reduzir o quadro de funcionários para 26, cinco a menos que em dezembro. “Temos uma previsão de 10% de crescimento. Estou otimista, mas vai depender do segundo semestre. Por enquanto, ainda estou azul”, afirma Sanches.

Aumento. Já no Drosophyla Bar, que está de casa nova desde janeiro, a proprietária Lilian Varella precisa lidar com a alta dos insumos, inclusive de itens importados, além de precisar recorrer com frequência ao caminhão-pipa para lidar com a falta de água, algo que se tornou comum na cidade de São Paulo. “Estamos pulando na chapa quente. Começamos no Plano Cruzado, passamos por muitas crises e certeza que vamos sobreviver a mais essa. Sempre buscamos inovar pelo lugar e pelo conceito”, diz Lilian.

Entre as ações promovidas no bar para lidar com a situação está o desenvolvimento da carta de bebidas com frutas da época, a partir das informações repassadas pela Abrasel e Ceagesp sobre quais alimentos estão mais baratos. A empreendedora ainda promove promoções no happy hour: o cliente ganha uma taça ao comprar dois drinks ‘spritz’ de terça-feira, ‘double drink’ da casa na quarta-feira e baldinho de cerveja com cinco unidades, mas paga quatro na quinta-feira, dia que também tem música jazz no estabelecimento.

Outra estratégia é fazer um trabalho específico para ativar a venda de mais bebidas. A empresária ainda revisou o cardápio para retirar da carta de apresentação os itens que menos atraíam os consumidores. “Ficamos nove meses fechados para reforma. Estamos estáveis e lutando para continuar estáveis, mas preciso aumentar o tíquete médio. É um bar caro para se manter e tenho compromissos a pagar”, afirma Lilian, demonstrando preocupação.

 

Fonte: Estadão PME