23/06/2015 - O sabor e os saberes da gastronomia mineira

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Dotada de heranças dos seus antepassados, das memórias, e dos simbolismos, a gastronomia mineira é fruto de uma vasta memória

 

 

Qual mineiro nunca vivenciou a experiência de se sentar em volta de um fogão à lenha, sentindo os aromas de umas das mais saborosas culinárias do Brasil? Não há como não venerar a diversidade dos pratos e de raízes históricas, como o típico leitão à pururuca, o frango caipira, o pastel de angu, o pão de queijo, o quiabo, o feijão tropeiro e muitas outras delícias oriundas da roça mineira.

Alguns dos principais pratos da cozinha regional abarcaram centenas de anos até chegarem à nossa mesa. Belo Horizonte sintetiza uma grande variedade de manifestações culturais, materiais e imateriais do estado. E dentro desse contexto, a gastronomia é um artefato importante, utilizada hoje para valorizar o turismo cultural da cidade.

Para contar a história dessa rica culinária, é importante destacar muito mais do que os sabores, mas seus saberes. Nossa cozinha é traçada por uma linha que conecta as origens de Minas Gerais, desde a descoberta do ouro, quando surgiram os primeiros povoados que determinaram as cidades de Mariana e Ouro Preto.

Dotada de heranças dos seus antepassados, das memórias, e dos simbolismos, a gastronomia mineira é fruto de uma vasta memória. Recebeu influências que vão dos indígenas aos africanos, passando, obviamente, pelos colonizadores europeus. Para exemplificar, dos índios vieram os pratos à base de milho e mandioca, que derivaram para os mingaus e as canjicas. Os portugueses, por sua vez, ensinaram-nos sobre o uso dos ovos de galinha e as variadas formas de seu manuseio (como ovos cozidos, moles, estrelados e quentes; em bolos e no queijo, que foi adaptado e deu origem ao Queijo Minas, considerado hoje Patrimônio Histórico Imaterial).

Degustar um prato típico das alterosas não é apenas provar uma mistura de ingredientes, é sim uma experiência de muitos anos, passada de geração em geração, que permite oferecer novas culturas e hábitos. Celebrada em eventos nacionais e internacionais, a culinária mineira já foi destaque no maior festival gastronômico do mundo, o Madrid Fusion, na capital espanhola; teve participação especial no Salão do Livro, em Paris; e foi tema da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, no Carnaval 2015 ? isso sem falar nas festas, nos encontros gastronômicos e nos festivais que são realizados na cidade, como o Comida di Buteco, o Botecar, o Brasil Sabor, o Bar em Bar, o Expocachaça, entre outros.

Conhecida como a Capital Mundial de Botecos, Belo Horizonte é considerada um importante polo gastronômico por possuir, em média, 12 mil estabelecimentos do ramo (bares, restaurantes e semelhantes), que geram 72 mil empregos diretos e movimentam cerca de R$ 216 milhões por mês, segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG).

A noite na capital é pulsante. A cidade também é conhecida por ofertar aos visitantes e moradores uma noite eclética, com programação variada em todos os dias da semana. Não poderia deixar de citar as cervejas artesanais (produzidas aqui e na Região Metropolitana) e que já inspiraram a criação de roteiros turísticos cervejeiros, que oferecem, além das visitas às fábricas, um tour arrojado nos bares voltados para essas bebidas especiais, com harmonizações incríveis.

Em nosso estado, a culinária gera renda e oportunidades. Ela é econômica e socialmente importante. Esbanja criatividade e promove sensações únicas. Nós, mineiros, somos privilegiados por possuirmos tamanha dimensão cultural. E como disse o velho Guimarães Rosa: “Minas são muitas”. E se a gastronomia é transversal à cultura mineira, sintetizando em Belo Horizonte toda a sua essência, só posso parafrasear e afirmar: as opções gastronômicas belo-horizontinas (também) são muitas.

 

Fonte: Revista Exclusive