12/06/2015 - Custos e inflação preocupam franquias de alimentação, diz ABF

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A pesquisa ouviu 73 marcas, 28,08% da base associada à ABF

 

 

Doze por cento. Este é o lucro operacional médio das franquias de alimentação no Brasil. O dado surgiu na 9ª Pesquisa Setorial das Redes de Franquias de Alimentação 2014, divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Neste ano, o levantamento calculou os principais custos das unidades. Somando gastos como aluguel, água, energia, pagamentos ao franqueador e impostos, as marcas ficam com cerca de 12% de lucro operacional. “O sistema está tendo uma queda de margens, assim como o mercado”, diz João Baptista Jr, coordenador do comitê de food service da ABF.

Pela primeira vez, a pesquisa ouviu os franqueadores como algumas contas impactam o negócio. O custo médio da conta de água representa 1,02% do faturamento do ponto de venda. Já o gasto com energia elétrica atinge em média 3,28% e o consumo de gás, a média de 1,24%.

O custo total da mercadoria vendida (CMV) médio foi de 34% no ano passado. Já os custos com mão de obra, como salários, encargos e benefícios, representaram 19% do faturamento das redes. “O custo médio de aluguel em shooping foi de 9% e o de aluguel e IPTU em lojas de rua, 6%”, diz Donna.

 

Balanço

Mesmo com os altos custos, o faturamento do setor teve crescimento de 12% em 2014, com total de R$ 21,6 milhões. O ticket médio aumentou 4,9%. “Nós temos poucas áreas, como cafeteria, cervejaria e pizzaria, acima da inflação na variação de ticket. O pessoal não conseguiu repassar todos os custos que teve”, diz Enzo Donna, da ECD Food Service, parceira da ABF na pesquisa.

Veja a variação do ticket médio na tabela abaixo:

 

 

O estudo mostrou que a taxa de crescimento em 2014 comparando a mesma base de lojas foi de 5%. A variação do número de clientes atendidos em 2014 com relação a 2013 foi de 3%. Em quantidade de marcas, o segmento cresceu 7,5%, com mais de 21 mil unidades. Para 2015, a expectativa é faturar 10% mais.

Veja a variação do faturamento por tipo de negócio:

 

 

“Este aumento de 12% aconteceu graças à expansão na quantidade de lojas, e não do ticket. O mercado está retraído e novas fronteiras estão aparecendo. Em uma situação de crise de demanda, temos necessidade de informações e treinamento porque desta vez o mercado não vai nos empurrar”, diz Donna.

 

Tendências

Duas tendências principais foram identificadas no estudo. A primeira é a preocupação crescente com uma alimentação mais saudável. Apesar dos alimentos processados serem quase metade dos cardápios, itens integrais (23%), orgânicos (18%), dietéticos (11%) e naturais (5%) começam a ganhar mais espaço. “O consumidor quer comer bem mesmo que seja comida rápida”, diz Claudio Tieghi, diretor de Inteligência de Mercado, Relacionamento e Sustentabilidade da ABF.

Outra novidade que começa a aparecer com força é o formato de food truck. “Hoje, só 11% das redes disseram ter o formato e a tendência é usar sempre a mesma marca, ou seja, a modalidade food truck é uma derivação da loja física”, afirma Tieghi.

A pesquisa ouviu 73 marcas, 28,08% da base associada, com 9.134 lojas (48,68% do total de associados) e faturamento de R$ 13,575 milhões. O valor corresponde a 62,85% da receita das 260 franquias associadas do segmento de alimentação em 2014.

 

Fonte: Revista PEGN