11/06/2015 - A Ilha da Magia no mapa da Unesco

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Florianópolis torna-se referência internacional da alta cozinha, passando a integrar a rede de Cidades Criativas da Gastronomia

 

 

Referência internacional em turismo, Florianópolis, carinhosamente apelidada de Ilha da Magia, agora ganha também um reforço de peso que promete encantar ainda mais os frequentadores de bares e restaurantes da cidade. Em dezembro de 2014, um anúncio feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura classificou a capital de Santa Catarina como Cidade Unesco da Gastronomia, um título até então inédito entre as cidades brasileiras.

Os esforços se devem principalmente às parcerias da associação FloripAmanhã com a Abrasel em Santa Catarina, a Secretaria Municipal de Turismo, o Sebrae Grande Florianópolis, o SHRBS (Sindicato de Hotéis Restaurantes Bares e Similares de Florianópolis) e a Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina). Em seu site, a FloripAmanhã se define como uma iniciativa de cidadãos conscientes, dos mais diversos setores, que amam Florianópolis e desejam tornar a cidade cada vez melhor: preservada, planejada, inovadora, segura. A ilha agora é uma das oito cidades do mundo que fazem parte da rede de Cidades Criativas da Unesco da Gastronomia. As outras são Tsuruoka, no Japão; Shunde e ChengDu, na China; Östersun, na Suécia; Jeonju, na Coréia do Sul; Zahlé, no Libano, e Popayán, na Colômbia. No Brasil, só mais outra cidade foi escolhida: Curitiba, no Paraná, no setor Design. O título Cidade Unesco da Gastronomia gera visibilidade internacional e tem potencial para incrementar o setor turístico-gastronômico local, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e cultural da região.

De acordo com o presidente da Abrasel em Santa Catarina, Fábio Queiroz, a associação esteve presente em todo o processo que fez com que a cidade recebesse o título. “Foi um período de cinco anos de trabalho, onde foram levantados todos os pré-requisitos exigidos pela Unesco e elaborado um dossiê completo encaminhado à organização”, conta o presidente.

Para ele, o título de Cidade Unesco da Gastronomia é um grande reconhecimento do trabalho realizado pelo setor de bares e restaurantes, além de uma oportunidade de acelerar o desenvolvimento econômico de Florianópolis. “A cidade ganhou não só um título como também um forte incentivo para se desenvolver na área da gastronomia”.

Iniciativas como a criação do Observatório da Gastronomia, de um evento internacional com chefs das outras cidades da rede, a existência de legislação para estímulo a empreendimentos no setor e a integração com outras cidades da criatividade tem ajudado a cidade a cumprir com os compromissos assumidos com o projeto da Unesco.

O diretor da entidade, Eduardo Barroso, é consultor do Projeto Florianópolis Cidade Unesco da Gastronomia, e respondeu algumas perguntas da revista Bares & Restaurantes.

 

B&R - A próxima reunião da Rede Mundial de Cidades Criativas da Unesco acontece em maio no Japão. Quem será o representante de Florianópolis nessa reunião? Qual será a principal reivindicação que Florianópolis irá apresentar?

Eduardo Barroso – Estaremos neste encontro representando o grupo gestor do Programa Florianópolis Cidade Unesco da Gastronomia, coordenado pela FloripAmanhã, e a prefeitura também enviará um representante a ser definido. Vamos apresentar nosso plano de trabalho e buscar parcerias. O plano de trabalho prevê, entre outras atividades, a produção de um festival anual de gastronomia com a participação de chefs convidados de outras cidades criativas, a realização de um workshop com especialistas sobre o tema da cooperação criativa entre design, artesanato, gastronomia e turismo, a criação do Observatório Gastronomia e do Laboratório de Inovação Cultural, já iniciado em parceria com a UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina).

 

B&R - Haverá alguma troca de experiências entre profissionais do setor Gastronomia de Florianópolis com algumas outras cidades do mundo que também sejam destaque no setor? É essa uma das intenções do Cidades Criativas? Uma experiência parecida com a das Cidades Irmãs, que “aproximavam” cidades com iguais especialidades, como Ubá, em Minas Gerais, e Milão, na Itália, dois polos moveleiros?

Eduardo Barroso – Sim, principalmente com a América Latina. A troca de experiências é uma proposta central do Programa, e vai começar na próxima Fenaostra (Festa Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana) com a participação de chefs das outras cidades criativas, entre outras atividades, incluindo programas de intercâmbio acadêmico para estudantes de escolas de gastronomia e intercâmbio técnico e profissional para os profissionais do setor.

 

B&R - A culinária de Florianópolis conserva ainda hoje os traços característicos, como a comida dos manezinhos, a comida luso-açoriana, as comidinhas à base de frutos do mar e peixes?

Eduardo Barroso – Sim, vemos isto em vários restaurantes e também podemos observar que está sendo retomada. Para buscar mais elementos para a revalorização da gastronomia local, o Programa Florianópolis Cidade Unesco da Gastronomia está realizando duas pesquisas, cujos resultados serão apresentados em Seminário no dia 30 de junho, na UDESC. Uma delas é intitulada “Culinária de tradição e de Inovação de Santa Catarina” e está sendo realizada com chefs de cozinha da cidade, visando definir os pratos mais expressivos da cozinha do imigrante catarinense, do litoral de Santa Catarina, e mais especificamente de Florianópolis. Outro estudo qualitativo vai entrevistar 100 pessoas para buscar revelar a memória sensitiva da gastronomia de Florianópolis, hábitos alimentares, lembranças gastronômicas, lugares, personagens e outros usos e costumes relacionados.

 

B&R - Os restaurantes antigos estão engajados nessa nova fase da gastronomia que deu margem para a cidade receber o título de Cidade Criativa?

Eduardo Barroso – Ainda não, mas o Programa prevê ações futuras de capacitação e integração para a inserção da cadeia produtiva local neste novo contexto. Em parceria com a Abrasel-SC, por exemplo, estão sendo definidos os critérios para uso do Selo Saberes e Sabores de Santa Catarina. Os estabelecimentos que fizerem sua adesão deverão comprovar o seguimento dos critérios, como por exemplo a oferta de determinados pratos, com ingredientes, preparação e apresentação padronizadas.

 

B&R - Pode se dizer que existe uma nova culinária local, uma nouvelle cuisine de Florianópolis?

Eduardo Barroso – Está em processo de construção, principalmente com frutos do mar e peixes à moda oriental adaptada.

 

B&R - Outras cidades, como Blumenau, por exemplo, tem uma culinária diferenciada de Floripa ou tudo faz parte da culinária catarinense?

Eduardo Barroso – Em cada cidade há uma cultura gastronômica diferenciada, e isto enriquece a todas e faz de Santa Catarina um estado muito rico e diversificado nesta área.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 103 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa