10/06/2015 - Da economia à sustentabilidade

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Redução de gastos e conforto para clientes fazem com que bares e restaurantes invistam em novos tipos de torneiras

 

 

Ter um negócio conectado com as demandas da clientela e da sociedade é um desafio permanente para gestores de bares e restaurantes. Conforto, higiene e sustentabilidade são necessidades de primeira ordem para que se ofereçam experiências positivas aos clientes, criando-se, por conseguinte, uma boa imagem do empreendimento. Diante aos problemas da escassez de água cada vez mais cotidianos, a instalação de torneiras economizadoras reforçam os argumentos favoráveis a sua adoção por parte dos consumidores em geral, sejam os comerciais ou domésticos. O setor de Alimentação Fora do Lar vem se adequando a essa exigência socioambiental.

É o caso do restaurante Copa Morumbi, localizado no Estádio Morumbi, em São Paulo. “O Copa trabalha com a conscientização de seus clientes e funcionários acerca da economia de água, especialmente agora, que o problema se agravou”, salientou o gerente do restaurante, Vamberto Araújo. As torneiras da cozinha têm redutores de vazão de água. Nos banheiros, estão instaladas torneiras de fechamento automático, equipadas com temporizadores. O fluxo é acionado quando as torneiras são pressionadas, e é interrompido alguns segundos depois.

Segundo o arquiteto Gonçalo Soares, sócio do escritório EcoHabitar, localizado na cidade de Cotia, região metropolitana de São Paulo, essas torneiras, chamadas PressMatic, são as mais usadas em banheiros com grande fluxo de pessoas. “Em locais com muito movimento, as pessoas geralmente são mais descuidadas, e muitas vezes deixam as torneiras abertas”, diz o arquiteto.

A instalação de restritores de vazão também é uma medida comum, mas Soares chama a atenção para o desconforto que esses dispositivos podem proporcionar. “Muitos administradores temem que a pequena vazão possa incomodar os clientes. A solução é a instalação de aeradores, peças que misturam ar a água e aumentam a pressão com que a água sai das torneiras. Isso melhora a experiência do consumidor, pois evita o desconforto causado pela aparente insuficiência de água”.

Para as cozinhas, o arquiteto diz que a redução do volume da água utilizada pode afetar os serviços. Uma alternativa para esses ambientes é a instalação de estruturas que permitam que o acionamento e o desligamento da água sejam mais rápidos, evitando-se o desperdício. Foi o que fez a rede de restaurantes Divino Fogão, que conta com mais de 180 unidades distribuídas em todas as regiões do país.

Em 2012, foi iniciada a instalação de torneiras com acionamento por pedal nas cozinhas do Divino Fogão. Segundo Emiliano Oliveira, diretor de operações da rede, a ação foi motivada tanto por preocupações socioambientais como econômicas. “Esse sistema é eficiente por que as torneiras só ficam abertas quando estão sendo realmente utilizadas. Registramos uma economia de 25% do volume de água, em relação ao período anterior à sua instalação. O investimento inicial foi pago em cerca de quatro meses”. Redutores de pressão da água também foram instalados. Para Oliveira, o excesso de pressão faz com que um volume de água muito além do necessário para um bom desempenho da torneira seja utilizado. “Instalamos redutores com regulagem entre os engates e as torneiras, e os travamos com cola fixa, para que não fossem retirados”, conta.

O arquiteto Gonçalo Soares, do Eco-Habitar, afirma que a adoção das torneiras sustentáveis por bares e restaurantes acaba associando a imagem do estabelecimento à ideia de contemporaneidade, porque evidencia a sua preocupação com uma questão social urgente. “Elas são uma forma de apelo à necessidade do uso consciente da água. Muitas vezes, junto às torneiras, são afixadas etiquetas que chamam a atenção das pessoas para tal questão”, diz.

 

Crise antiga

A escassez de água, porém, não é uma questão muito recente. A Docol, empresa sediada em Joinville (SC), líder em exportação de metais sanitários sustentáveis na América Latina, investe na fabricação de torneiras economizadoras desde 1991. Segundo Levi Garcia, diretor de operações da empresa, a percepção de que a venda desse tipo de torneiras era um bom investimento surgiu em um momento em que o mercado ainda não estava muito atento à necessidade do uso racional dos recursos naturais. “O que inicialmente chamou a atenção da Docol foi a falta de uma infraestrutura que oferecesse mais higiene para os usuários de cozinhas e banheiros compartilhados. Com o tempo a preocupação foi migrando para a economia de água”, diz.

Ainda segundo Garcia, a maior parte das demandas vem da região Sudeste, e a procura aumentou após a estiagem que atingiu a região durante o primeiro trimestre de 2015. O diretor de operações da Docol afirma que a tecnologia ajuda a resolver os problemas do desperdício de água. “As torneiras com temporizadores, por exemplo, podem diminuir pela metade o volume de água gasto. Se multiplicarmos isso pelo número de pessoas que utilizam as torneiras todos os dias, imagine a economia. A ideia é que o automatismo traga um conceito de tecnologia e cuidado, ao proporcionar higiene, conforto e economia”, completa.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 103 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa