09/06/2015 - São Paulo inova com mais linhas noturnas de ônibus

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O sistema, implantado em fevereiro, atende os trabalhadores, beneficiando também os do setor de bares e restaurantes

 

 

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, resolveu enfrentar um dos maiores entraves do transporte público das cidades brasileiras, sobretudo nos grandes centros: a frequência dos ônibus durante o período noturno. Ele resolveu colocar em operação, desde 28 de fevereiro, uma rede com 151 linhas de ônibus, sendo 50 linhas nas avenidas estruturais e outros 101 itinerários, que realizam percursos locais, dentro dos próprios bairros.

A implantação de um sistema específico para a noite, entre meia-noite e as quatro da manhã, com um total de 151 linhas, é uma logística nova, que substitui as 98 linhas anteriormente existentes. Se, no sistema anterior, era comum que os passageiros ficassem no ponto à espera do ônibus durante uma hora ou mais, o novo sistema, denominado Noturno – Rede de Ônibus da Madrugada, contempla uma frequência ininterrupta de 15 em 15 minutos.

O atendimento aos usuários noturnos tem sido um agenda um tanto esquecida na gestão do transporte público das cidades brasileiras, tornando interminavelmente penosa a rotina de trabalhadores como vigias, enfermeiros, babás, manobristas, policiais, e, em grande escala, garçons, cozinheiros e, enfim, funcionários de teatros, boates, bares e restaurantes. A acentuada escassez de ônibus à noite provocava, como efeito colateral, a circunstância de, mesmo contra à vontade, os frequentadores dos eventos de cultura e entretenimento terem de optar pelo uso do automóvel, o que até inibia a opção pelos bares e restaurantes.

É assim que, com o sistema do Noturno, a Abrasel em São Paulo prevê um aumento de 15% ao mês no faturamento dos negócios do setor. De acordo com o advogado e presidente da associação, Percival Maricato, a falta de transporte público gerava uma série de problemas para as casas que funcionam na madrugada. “Será um grande benefício para os bares e restaurantes da cidade. As pessoas que tinham que ir e voltar do bar para casa de táxi, gastavam com transporte o que poderiam gastar no bar”, explica. A expectativa é que a nova medida tenha impacto positivo no faturamento dos estabelecimentos do setor até o fim do ano.

A frota da madrugada atende os passageiros durante o horário em que o metrô paulistano não opera. São 50 linhas estruturais circulando em grandes corredores, que passam a cada 15 minutos, e alimentam as outras 101 linhas que fazem o atendimento local, nos bairros, com intervalos de 30 minutos nas partidas. A SPTrans, autarquia gestora do transporte público por ônibus em São Paulo, estima uma frota de 454 veículos, além de 88 ônibus reservas, usados para garantir o cumprimento dos horários programados para as partidas. No total, 32 terminais serão atendidos. A tarifa é a mesma do período diurno, R$ 3,50.

Se a novidade foi bem recebida pelo setor de bares e restaurantes, os usuários em geral também corresponderam positivamente. De acordo com a SPTrans, no primeiro mês de funcionamento, o Noturno já transportou 722 mil passageiros. O número de viagens realizadas chegou a quase 90 mil. Já no cumprimento dos horários de partidas, o serviço alcançou o patamar de 99% na madrugada do dia 31 de março. Levantamento feito pela SPTrans, em 15 de março (um domingo) apontou acréscimo de 80% no número de usuários, em comparação com a média dos domingos anteriores.

O secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, sublinha que, inegavelmente, a resposta da população é muito favorável, mas ressalva que o sistema encontra-se em sua fase inicial, devendo ter uma melhoria de desempenho, ainda mais acentuada, com o passar do tempo. “O volume de usuários continua crescendo gradativamente, conforme o serviço e seu funcionamento vão se tornando conhecidos pela população”, destaca.

Entre as três linhas mais utilizadas pelos paulistanos no mês inaugural da Rede Noturno, estão as que fazem atendimento na Zona Sul. Para garantir o cumprimento dos horários dos ônibus, a SPTrans e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) utilizam um sistema de GPS para monitoramento. Pensando também na segurança dos usuários de transporte público, a rede noturna conta com a parceria da Guarda Civil Metropolitana, da Polícia Militar, e também, do Departamento de Iluminação Pública da Prefeitura (Ilume), que está investindo na iluminação, sobretudo em pontos de conexão das linhas.

Na região da Avenida Paulista e Baixo Augusta, área central da cidade, que abriga várias opções para diversão noturna, como teatros, cinemas e, principalmente, bares e baladas, a novidade foi celebrada. No Tubaína Bar, especializado em refrigerantes, a maior parte dos trabalhadores depende do transporte público. Verônica Goyzueta, sócia do empreendimento, afirma que a maior parte dos funcionários mora longe do centro e, antes, não tinham opções de transporte para voltar para casa em determinados horários. “Chegamos a negociar os horários para que pudessem pegar o último transporte da noite, porque alguns precisavam esperar o horário de abertura do metrô para chegar em casa, o que era muito cansativo”, comenta.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 103 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa