30/04/2015 - Brasileiros já cortam gastos com lazer

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Contexto econômico do país faz brasileiros começarem a segurar o dinheiro

 

Com a renda corroída pela inflação e o maior o risco de desemprego, o brasileiro começa a segurar o dinheiro. Uma das vítimas dos cortes tem sido gastos com lazer.

A proporção dessas despesas no salário diminuiu de 17,2% em janeiro para 10,9% em março, segundo levantamento do site de finanças pessoais GuiaBolso obtido pela Folha.

O estudo, com 12 mil usuários, mostra que a categoria mais afetada foi a de ida a bares e restaurantes: a parcela desses gastos no salário diminuiu de 7,59% para 4,52%.

As despesas com cuidados pessoais –que incluem cabeleireiro e manicure– tiveram a segunda maior queda. Em terceiro lugar, aparecem gastos com cinema, teatro, clubes e academias.

O valor por saída para lazer também diminuiu no período, com destaque para o gasto com bares e restaurantes, que passou de R$ 610 por mês em média para R$ 509 –queda de 16,6%.

"Há um efeito sazonal, porque em janeiro as pessoas estão com mais dinheiro no bolso por causa do 13º salário e de outras bonificações. Mas chama atenção a queda de fevereiro, mês do Carnaval, no qual as pessoas gastam mais com lazer", afirma Benjamin Gleason, sócio do GuiaBolso.

Ele lembra também que os três primeiros meses do ano são marcados pelo pagamento de impostos por gastos com matrícula e material escolar para quem tem filhos.

Gleason ressalta, no entanto, que a queda apurada em março mostra influência além da sazonal.

"Os consumidores estão começando a se preparar para o ano difícil pela frente."

O administrador de empresas Vinicius Alvarenga, 22, foi um dos que reduziram as saídas. Em vez de ir a restaurante japonês toda semana, passou a ir uma vez ao mês. Além disso, o happy hour passou a ser na casa de um amigo.

Para evitar arriscar as finanças, o consumidor deve se preparar para dias piores.

A recomendação do planejador financeiro Roberto Costa Agi é que o trabalhador mantenha como reserva pelo menos seis meses de gastos fixos. Ele diz que também faz diferença reavaliar serviços contratados, como TV por assinatura, para ver se podem ser reduzidos.

 

Fonte: Folha de São Paulo