24/04/2015 - Em busca da desejada segurança

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Importante para clientes, empregados e empresários do setor, a segurança deve ser colocada sempre em primeiro plano

 

Monitoramento eletrônico 24 horas por dia, botão do pânico e um profissional especializado em segurança fazem parte do arsenal com que o empresário Rosivaldo Freire conta para proteger os clientes e os empregados do restaurante Bodega do Sertão, em Maceió (AL). Proprietário do estabelecimento há dez anos, foi há cerca de seis anos que ele passou por uma situação perigosa. A noite transcorria bem, com a casa cheia e as pessoas se divertindo, até que, em um dado momento, o segurança foi rendido e os bandidos fizeram a festa, levando dinheiro, joias e relógios dos clientes, além de todo o volume em caixa.

Fora o trauma e o constrangimento sofrido, a situação levantou a necessidade de ampliar os investimentos em segurança. Atualmente, o gasto do empresário para manter essa estrutura gira em torno de R$ 2,5 mil mensais. “É necessário estar sempre alerta. Nunca mais passei por esse tipo de situação e espero continuar assim”, afirma Nado, como é conhecido.

Casos como o do Bodega não são isolados e se repetem de norte a sul do país. De acordo com o consultor e gestor de Segurança, Emir Pinho, são vários os motivos que vêm intensificando a mira dos bandidos nos bares e restaurantes. A redução dos efetivos de segurança pública, a desatenção e a despreocupação por parte dos frequentadores e dos donos de estabelecimentos, bem como a certeza da impunidade, são alguns pontos destacados. “Infelizmente, ainda é pequeno o número de estabelecimentos do setor protegidos por dispositivos eletrônicos e humanos. Poucos são os empresários que já conseguiram enxergar que o assunto deixou de ser apenas mais um custo e se tornou uma ação estratégica. A fama negativa é cruel com o negócio”, alerta.

Segundo ele, o público identifica nos ambientes seguros um diferencial competitivo, suficiente para justificar sua preferência por este ou aquele estabelecimento. Outra vantagem levantada por Pinho é o fato de um ambiente seguro evitar desvios ao favorecer a identificação de roubos e furtos por parte da equipe, por exemplo.

Com mais de 15 anos de atuação no mercado, o especialista observa que cada local oferece riscos, vulnerabilidades e realidades específicos, o que exige o emprego de soluções e ferramentas de forma inteligente e equilibrada para contornar os buracos na segurança. “Não existe fórmula mágica. O ideal é procurar um profissional capaz de desenvolver as recomendações de segurança a serem aplicadas, focadas para o local em análise. Vale lembrar que trancas de ferro, câmeras de mentirinha e cadeados não protegem nada e ninguém. A segurança não pode ser tratada de forma irresponsável”, adverte.

Para quem não pode contratar uma consultoria, alguns investimentos apresentam bons resultados. Equipamentos e sistemas eletrônicos, por exemplo, são uma boa opção para os bares e restaurantes, principalmente, pela relação custo/benefício e pelo menor índice de falhas. A gama disponível é grande e atende às variadas necessidades e perfis de orçamentos. Entre os mais empregados estão os dispositivos profissionais de detecção, como sensores, alarmes e câmeras – de funcionamento diurno e noturno, de longo alcance ou de alta definição, que permitem realizar funções de análise de vídeo.

“Porém, faço questão de frisar que, mesmo com todo um magnífico aparato eletrônico, é essencial que cada estabelecimento desenvolva a sua própria política de segurança. A verdadeira proteção resulta da educação de todos e do uso inteligente dos recursos”, ressalta.

 

Sempre alertas

A análise do especialista levanta um ponto importante: segurança também é uma questão de comportamento. “Devemos pensar em todas as possibilidades e nas mais diversas pessoas envolvidas, direta ou indiretamente. Dificilmente uma quadrilha vai invadir um local de forma aleatória. Na maior parte dos eventos criminosos, há o vazamento de informações essenciais à ação, como dia de maior movimento e de pagamento, o trânsito de dinheiro ou a concentração de produtos de valor ou facilmente negociados como moeda de troca”, explica.

Para reduzir riscos e vulnerabilidades é preciso definir políticas internas e externas de segurança, reforçar as regras de postura e a necessidade de ações preventivas, inclusive, junto aos clientes. “A simples ação de fechar uma porta pode ser fundamental para evitar um furto, por exemplo.”

 

Solução conjunta

O saldo de três arrombamentos e um assalto à mão armada, só em 2014, foi a gota d’água para que o empresário Fernando de Oliveira Jorge se empenhasse em uma solução para frear a insegurança cotidiana. Proprietário do Café Nice, tradicional bar e restaurante de Goiânia (GO), ele ajudou a elaborar uma operação diferenciada e que vem apresentando resultados positivos não só para ele, mas para todos os empreendimentos localizados no Setor Bueno – região conhecida por sua agitada vida noturna e grande concentração de estabelecimentos do ramo.

Batizada de Corujão, a ação, resultado do diálogo entre a Polícia Militar e a Abrasel em Goiás, consiste no monitoramento intensivo da área, principalmente, nos dias da semana de maior movimento. De 21h às 5h, uma equipe de dez policiais, distribuídos em cinco viaturas, trabalha exclusivamente na região. “Antes de colocar a Corujão em prática, todos os bares cadastrados foram visitados pela nossa equipe, para levantar as principais queixas e a rotina de cada um”, explica o major da Polícia Militar, Allan Pereira Cardoso. Ele afirma que as rondas são feitas sempre pelos mesmos policiais, o que permite um diálogo mais efetivo com os donos e os empregados dos estabelecimentos, que têm, inclusive, os telefones diretos das viaturas.

Desde que foi implantada, em novembro de 2014, a Corujão vem reduzindo o número de incidentes como roubos nos estabelecimentos e furtos de veículos no entorno. “O objetivo é ampliar ainda mais o projeto, que já está sendo implantado em outras áreas de grande concentração de bares aqui da capital”, afirma Cardoso. Enquanto isso, Fernando comemora o resultado da iniciativa. “Penso muito na segurança não só dos meus clientes, mas dos meus empregados. Trabalhar a noite já não é fácil; sem segurança, então, fica muito complicado”, avalia.

A iniciativa do empresário também levanta a importância da troca de informações e da união entre os donos de bares e restaurantes. Rafael Campos Carvalho, presidente da Abrasel em Goiás, foi um dos grandes apoiadores da empreitada - não só como representante da instituição, mas como empresário do ramo. Dono da Cerrado Cervejaria, também localizado no Setor Bueno, mesmo contando com câmeras, alarmes e grades, ele já sentiu diversas vezes os inconvenientes da criminalidade. “Coloquei cortinas nas vidraças para impedir a visão do interior do bar. É uma medida simples, mas sabemos que objetos como televisões são alvos de criminosos, muitos deles, viciados em drogas, ávidos por algo fácil de ser vendido ou trocado.”

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 102 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa