24/04/2015 - Energia elétrica ficou mais cara, e agora?

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Desde o final de 2014, reajustes já estão ocorrendo na conta de luz e a Aneel autorizou novos aumentos neste ano. O setor precisa criar alternativas para economizar

 

A energia elétrica já está mais cara, o que é reflexo de uma série de medidas tomadas ao longo dos últimos anos. No início de 2013, a presidente Dilma Rousseff aprovou uma lei com o objetivo de baratear a conta de luz em até 20%. Para alcançar essa meta, foi necessário diminuir ou extinguir encargos sobre a tarifa – entre elas, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – e renovar contratos pagando menos pela geração e transmissão de energia. No entanto, a combinação de calor recorde, falta de chuva, desperdício e alto consumo, fez com que o aumento da conta de luz se tornasse uma realidade. De acordo com o IBGE, em 2014 a alta média nas contas chegou a 17,3%. Para este ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) espera elevação de até 40%. Diante de mais uma pressão de custos, o setor de bares e restaurantes precisa estar preparado e criar alternativas para contingenciar esse aumento.

No ano passado, para que não houvesse aumentos significativos, o governo autorizou empréstimos às distribuidoras que chegaram ao montante de R$ 17,8 bilhões. O recurso durou até outubro, quando a Aneel começou a autorizar reajustes em alguns estados. Em fevereiro deste ano, a Aneel autorizou mais uma série de aumentos na tarifa de energia elétrica de distribuidoras localizadas em diversas partes do país.

O governo decidiu ainda suspender um aporte de R$ 9 bilhões, previsto no Orçamento de 2015, para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que tem como objetivo promover a universalização do serviço de energia elétrica em todo o território nacional, por meio de programas como o “Luz para Todos”, por exemplo. Com isso, o valor previsto para este ano será custeado pelos consumidores por meio de novas tarifas cobradas da conta de luz. Os números ainda estão sendo calculados, mas, em 2014, o fundo recebeu R$ 18 bilhões.

A partir dessa decisão, a revisão extraordinária das tarifas está sendo feita neste início de ano para que as distribuidoras possam iniciar a arrecadação dos recursos nas contas de luz. Em média, a cada quatro anos, as tarifas passam por uma revisão para promover o equilíbrio econômico. Quando ocorre algum evento que afeta esse equilíbrio, elas podem pedir a revisão extraordinária, ou seja, fora do prazo previsto.

Por fim, o consumidor também será impactado pelo aumento de 46% no custo da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu, a maior do país. Essa alta reflete, principalmente, nas distribuidoras do Sul e Sudeste do país, que pagarão R$ 4 bilhões em 2015 pela eletricidade recebida da usina, valor que será repassado nas contas de luz.

 

Alternativas para driblar a crise

A situação atual pede mudanças na rotina de bares e restaurantes. Ficar atento aos excessos no gasto de água e energia elétrica e, a partir disso, adotar medidas para reduzir o uso desses recursos, deve significar economia na conta. De acordo com Luciano Salum, engenheiro de Soluções Energéticas da Cemig, primeiramente, é necessário que o empresário identifique os possíveis focos de aumento do consumo, como aquecedores, fornos elétricos, freezers, ar-condicionado e fritadeiras.

“O empresário deve verificar quais substituições ele pode fazer para reduzir a despesa com a luz. É possível, por exemplo, utilizar lâmpadas mais eficientes - como as fluorescentes e de LED - e colocar a geladeira em um local ventilado. Além disso, quando for adquirir algum produto, vale procurar os modelos que tenhamo selo de economia de energia elétrica. Simples mudanças nos hábitos podem fazer a diferença”, ressalta.

Para o especialista, o consumo de energia elétrica, no caso de bares e restaurantes, depende da potência e do tempo de uso dos equipamentos. “Para economizar é preciso reduzir ambos os indicadores, adquirindo equipamentos eficientes e fazendo a utilização apenas pelo período necessário”, explica Salum.

Já Leonardo Resende, gerente de Eficiência Energética da Cemig, afirma que é muito importante verificar o volume interno ocupado e como estão sendo utilizados os equipamentos de refrigeração. “É muito comum encontrar um estabelecimento mantendo no freezer um estoque muito superior ao que comercializa. Um bar que não vende mais que seis engradados de cerveja nos finais de semana e dois durante a semana, não precisa de dez engradados refrigerados à disposição dos clientes. Com isso, o tempo de uso do equipamento é maior, sem necessidade”, avalia.

Ele destaca que o esquecimento é uma das principais causas do aumento da conta de energia elétrica. “Lembrar de desligar os aparelhos que não estão em uso, como, por exemplo, o monitor do computador, reflete no valor final. Realizar a manutenção do ar condicionado e dos freezers também é fundamental. Além disso, o empresário não deve colocar mais produtos que o equipamento de refrigeração suporta, pois é preciso deixar um espaço entre os itens para o ar circular. Outro detalhe é aproveitar a iluminação natural do ambiente, fazendo uso de telhas translúcidas”, sugere.

 

Busque orientação

Caso o empresário tenha alguma dificuldade para planejar novas adaptações é possível buscar orientação especializada. Dórli Martins, consultora de Sustentabilidade do Sebrae-SP, diz que a entidade possui o projeto Metodologia Sebrae de Redução de Resíduos - Cinco Menos que São Mais, que tem como objetivo ajudar o empresário a reduzir suas despesas e, consequentemente, elevar o lucro.

“Essa capacitação foi organizada para proporcionar benefícios econômicos associados à melhoria do desempenho ambiental da empresa. A proposta é abordar a dimensão ambiental de atuação, a partir do prisma da competitividade e da capacidade produtiva, por meio da redução de desperdício, como no caso da energia elétrica e água, possibilitando ganhos ambientais, econômicos e sociais”, explica.

“O primeiro passo foi realizar uma pesquisa para saber quais seriam as melhores formas de economizar energia em casa, para depois replicar nos estabelecimentos. Com atitudes simples, como desligar os eletrodomésticos da tomada, utilizar a luz natural e não deixar os freezers abertos por muito tempo, foi possível reduzir a conta de luz em 25%”, revela.

Além dessas atitudes, Giacomini avalia a troca de lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes e também quer trocar os freezers antigos por novos modelos, que são mais eficientes e econômicos. Ele ressalta que o horário de verão contribui para que as luzes fiquem apagadas por mais tempo.

Já no restaurante Si, Señor, localizado em São Paulo, a criatividade contribuiu para a redução de gastos. De acordo com Jorge Maluf, CEO do estabelecimento, pensar de maneira sustentável não é mais uma aposta, sim uma necessidade. “Diante da crise hídrica, vivenciada em São Paulo, foi instalado um sistema de encanamento que capta toda a água produzida pelos aparelhos de ar-condicionado, cerca de oito litros por dia. O próximo passo é levar esse sistema para os outros estabelecimentos da rede”, explica.

Segundo ele, mesmo antes da crise, sua rede de restaurantes já orientava seus colaboradores durante os treinamentos para que economizassem água e energia ao longo dos processos e procedimentos diários.

 

Bandeiras Tarifárias

A crise hídrica e energética vivenciada em todo país também contribuiu para que entrasse em vigor, no início deste ano, o Sistema de Bandeiras Tarifárias – um sinal regulatório que indica se a energia elétrica está em seu preço normal ou mais cara.

Segundo a assessoria de imprensa da Aneel, foram criadas as bandeiras verde, amarela e vermelha que indicarão se a energia custará mais ou menos, em função das condições de geração de eletricidade. O objetivo é que, com as bandeiras, haja a sinalização mensal do custo de geração da energia e, que assim as pessoas e os estabelecimentos possam adaptar seus consumos.

Em janeiro e fevereiro, a Aneel fixou a bandeira tarifária vermelha, o que significa alta de R$ 3 por cada 100 quilowatts-hora (kWh) utilizados no mês. Já a bandeira amarela representa custos em elevação, com tarifas de R$ 1,50 a mais a cada 100kWh. Somente com sinalização verde não haverá sobretaxação.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 102 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa