20/04/2015 - Em Manaus, restaurantes descartam vagas temporárias para Dia das Mães

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Na maior crise em 15 anos, setor tenta manter quadro para data especial

 

A crise atingiu o setor de alimentação em Manaus, um dos mais dinâmicos na contratação de pessoal. Pela primeira vez em 15 anos, os restaurantes  não devem abrir vagas temporárias para atender os clientes no período do Dia das Mães, data mais importante para a atividade, que tenta reter quem já está contratado. A avaliação é da diretora de relações institucionais da Associação Brasileira de Restaurantes (Abrasel/AM), Lilian Guedes.

“Nunca me lembro de ter um período de recessão no setor como este. Todos os anos havia crescimento de vagas para atender o segmento local. Mas, para este momento, vamos tentar segurar quem já está contratado”, disse.

No ano passado, o número de contratações para o Dia das Mães chegou a  mil trabalhadores temporários, situação diferente, hoje . “De janeiro a março deste ano, houve 900 demissões no setor, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) só no Amazonas. O movimento está devagar, com uma queda nas vendas de 15% a 20%”, disse a dirigente.

Segundo a presidente da Abrasel no Amazonas, Janete Fernandes, os estabelecimentos vão trabalhar para esse período com o quadro atual de empregados. “Embora seja um ramo que sempre precisou de mão de obra para o  Dia das Mães, os estabelecimentos não vão contratar”, disse.

Dos 250 associados da Abrasel, quatro  fecharam os negócios nesse primeiro trimestre devido à crise que  atingiu o próprio estabelecimento de Janete Fernandes. “A Palazzolo tinha mais de 30 anos no mercado. Mas, com a diminuição do faturamento e o aumento dos impostos, achei melhor fechar até passar esse momento”, disse, acrescentando que o restaurante empregava 80  funcionários. Segundo a dirigente, serão mantidos apenas 15, para atender a unidade de entrega, a Palazzolo Delivery. Segundo a presidente, vários estabelecimentos estão à venda. “Com a queda da lucratividade, não dá para trabalhar só para pagar funcionário, aluguel etc”, disse.

A diretora Lilian Guedes diz que ninguém para de comer no momento de crise, mas reduz a ida aos restaurantes. “Se a pessoa saía para comer fora de casa três vezes no mês, hoje, vai só uma”, exemplificou, acrescentando que a maior reclamação é dos associados da Abrasel que trabalham apenas com o serviço de jantar.

De acordo com a diretora, os estabelecimentos de alimentação vêm trabalhando com uma lucratividade muito pequena. “Com essa inflação, encolheu muito a nossa margem de lucro e a gente não consegue passar tudo para os clientes”, disse.

Para o empresário Ricardo Felicori, do restaurante Sabor a Mi, as  vendas caíram entre 10% a 12% nesse primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado. “Pela atual conjuntura econômica, o setor de alimentação vem sido afetado diretamente. Espero que comece a melhorar no segundo semestre deste ano”, disse.

 

Fonte: D24 am