10/04/2015 - Juiz-forano corta supérfluo

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Perante atual contexto econômico, setor de serviços e alimentação fora do lar sente impacto

 

Os juiz-foranos já estão mudando os hábitos de consumo para se adequarem ao atual contexto de arrocho econômico. O aumento da inflação, que passou de 5,39% em fevereiro de 2014 para 7,68% em fevereiro deste ano, a alta do dólar, os reajustes nas tarifas de energia elétrica e dos combustíveis e a elevação nas taxas de juros impactaram o bolso do consumidor. Para fazer o dinheiro durar até o fim do mês, a alternativa tem sido cortar despesas consideradas supérfluas. Os setores de serviços e alimentação fora do lar são os primeiros a sentir o impacto. E se, por um lado, a situação pede mais cautela para garantir o equilíbrio do orçamento doméstico, por outro, exige que os empresários se adaptem à nova realidade e criem alternativas para que os negócios sobrevivam à redução da demanda.

Na casa do representante comercial F.L., de 31 anos, a saída para adequar o orçamento de toda a família à nova realidade econômica foi reduzir serviços não considerados “de primeira necessidade”. Os planos de TV por assinatura e telefonia, por exemplo, foram trocados por pacotes mais baratos. Já o dinheiro gasto por ele e a esposa com a academia de ginástica foi redirecionado para as despesas com educação da filha. “O salário não acompanhou a inflação. A solução foi tentar equilibrar as contas porque muitas delas, como é o caso da escola da minha filha, encareceram”, diz. Os gastos da esposa com o salão de beleza também se tornaram menores. “Antes, ela aproveitava que já estava lá e arrumava cabelo, unhas e sobrancelha. Agora, se preocupa em ir em dias que há promoções.”

A mudança de comportamento não é exclusividade do casal, conforme relata Emerson Beloti, presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), entidade que também representa o setor de serviços. “As pessoas estão se adequando ao contexto econômico que o país enfrenta. A primeira alternativa é tentar trocar um serviço por outro mais barato, mas há casos em que é preciso cortar aquela despesa que não é considerada essencial.” Segundo Beloti, neste segmento, os pacotes de TV a cabo e telefonia são os primeiros a sentir o impacto. “Num segundo momento, a queda da demanda chega às academias de ginástica, salões de beleza, lavanderias e às diaristas. É uma adaptação que o consumidor se vê obrigado a fazer.”

A redução da demanda do salões de beleza tem preocupado o Sindicato Intermunicipal do Setor de Beleza e Similares de Juiz de Fora e Região (Sinterbel). “No ano passado, tivemos queda de 10% do nosso faturamento. Nosso medo é que os salões comecem a fechar”, afirma o superintendente do sindicato Paulo Bitar. Ele explica que, nos últimos anos, muitos empregados decidiram abrir o próprio negócio, o que aumentou a concorrência. “E agora vivemos uma retração econômica que trouxe diminuição da demanda.” Para Bitar, os empresários devem buscar alternativas para se adequar à nova realidade. “Verificamos que os clientes querem agilidade no atendimento, estão dispostos a experimentar novidades e estão suscetíveis aos preços. É hora de capacitar os profissionais para manter a qualidade, inovar em atendimento e oferecer algo a mais.”

 

Mais caro

O setor de alimentação fora do lar também já percebeu a redução do consumo dos juiz-foranos, conforme informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Zona da Mata. “Isso tem ocorrido tanto no dia a dia dos restaurantes, quanto nos dos bares e das casas noturnas”, afirma o diretor executivo da entidade, Marcos Henrique Miranda. Ele destaca que, em alguns estabelecimentos, a queda no movimento chegou a 40%. “O empresário tenta se adaptar também, pois as contas dele encareceram. Os que podem, baixam os preços, outros buscam algum outro tipo de diferencial para manter a clientela.” Para ele, a recuperação é possível, mas acontecerá a médio prazo. “Temos que ser otimistas, mas vai ser preciso algum tempo para o consumo voltar a crescer.”

No último mês, a psicóloga C.B., 29 anos, diminuiu os gastos com alimentação. “Almoçava fora, pelo menos, quatro vezes por semana. Agora, levo a refeição e o lanche para o trabalho. No final do mês, dá para perceber a economia.” Ela diz que o dinheiro que gastava em um único dia, hoje é suficiente para que ela elabore em casa todas as refeições da semana. Além da alimentação, C.B. criou outras alternativas para economizar. “Cortei manicure e pedicure, hoje eu mesma faço minhas unhas. Na Páscoa, preferi fazer os ovos de chocolate à comprá-los prontos.” As economias estão sendo reservadas na poupança.

A atitude da psicóloga é elogiada pelo economista Antônio Flávio Lucca do Nascimento. “O brasileiro tem uma questão cultural de querer gastar mais do que recebe, independente da classe econômica a que pertence. Disciplina e planejamento são extremamente importantes para se ter o equilíbrio financeiro.” O especialista destaca que a situação de arrocho das famílias deve permanecer ao longo deste ano, podendo melhorar em 2016. “Até lá, o mais prudente é economizar da maneira que for possível.”

 

Fonte: Tribuna de Minas