31/03/2015 - Boa vizinhança, parcerias de sucesso

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Além de fortalecer o comércio do bairro, negócios realizados na região onde se localiza um estabelecimento podem favorecer empresários, fornecedores e clientes

 

Sacolão, farmácia, supermercado, loja de roupas, armarinho, padaria, salão de beleza, oficina mecânica... Encontrar o que se precisa perto de casa facilita a vida de muita gente. Imagina para o proprietário de um bar ou restaurante? O comércio de bairro conta com vantagens como economia de tempo e relação de confiança com fornecedores. Antigamente, essa era uma prática comum e muitos empresários adquiriam os produtos na vizinhança de seus negócios. Com o fortalecimento de

grandes redes de supermercado e atacadistas isso mudou e eles passaram a fazer as compras em locais mais distantes ou pela internet, em grande parte motivados por preços mais atrativos e maior facilidade de encontrar determinados produtos. No entanto, será que a economia feita nas compras realmente impacta na conta final? Entram nesse cálculo o tempo perdido no trânsito, o combustível gasto, o estresse e o desconhecimento da origem de alguns produtos? Ou os parceiros da vizinhança ainda são uma boa opção?

No caso de bares e restaurantes, a escolha do fornecedor é uma das tarefas mais estratégicas para que o negócio caminhe bem. Isso porque o produto final oferecido ao cliente são alimentos – sejam em refeições completas ou em um simples petisco. Por isso, estar próximo a estes parceiros faz toda diferença.

Para Ana Fontes, especialista em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP), há vantagens para o empresário do setor e para os fornecedores da região quando os negócios são realizados no bairro. Segundo ela, isso possibilita o fortalecimento das relações com outros empreendedores, contribui para o comércio local e cria parcerias para alavancar os negócios dos fornecedores e proprietários de bares e restaurantes. Todos saem ganhando, inclusive os clientes, que consomem produtos de melhor qualidade.

A especialista explica que o conceito de concorrência pode ser substituído por colaboração e parceria, o que ainda não é uma prática comum entre os empresários. “É preciso vencer medos, desconfianças e algumas barreiras para que isso se torne uma realidade”, diz. Para que a parceria funcione, Ana Fontes ressalta que é necessário que o negócio seja bom para todos, que também faça sentido para os clientes e que traga benefícios para a comunidade.

“Os clientes querem serviços completos, melhores, com bons preços, e fortalecer regiões faz todo sentido, desde que as relações sejam de fato de ganha-ganha e parceria. Caso contrário, somente alguns serão favorecidos”, alerta. Ela acrescenta que vale a pena investir nas redes locais, mas explica que é preciso cuidado para não criar dependência de um único fornecedor.

 

FORTALECENDO OS NEGÓCIOS LOCAIS

Atualmente, com um mercado cada vez mais competitivo, eleger o fornecedor apenas pelo preço pode ser perigoso. É preciso analisar a qualidade do produto, a agilidade de entrega dos itens, o custo total da compra, o atendimento e a flexibilidade para resolver contratempos.

Murilo Oliveira é sócio do Templo Bar de Fé, localizado no bairro da Mooca, em São Paulo (SP). Inaugurado em junho de 2011, o empresário garante que negociar com fornecedores locais é uma boa solução. “Desde o começo, priorizamos as parcerias regionais. Primeiramente, porque conseguimos encontrar os alimentos frescos e de qualidade, o que reflete no bom prato que ofereço ao cliente. Segundo, pela possibilidade de fortalecer a economia local, o que é bom para todos”, ressalta.

Além de dar preferência aos fornecedores locais, Oliveira os indica a outros empresários do setor. “Recomendo os negócios da região e eles também indicam meu bar para seus clientes”, diz. Geralmente, ele compra produtos hortifrútis no bairro onde está localizado seu estabelecimento, assim como faz convênios com empresas de serviço da região.

 

Fonte: Revista MNMV nº13 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa