30/03/2015 - Os anos 90 também estão de volta na gastronomia

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Não é só na moda. Os velhos ícones da gastronomia dos anos 90 estão aí - mas também ganharam uma atualização

 

Rodízio de sushi. Caipirinha de saquê. Salmão de todo jeito. Cheesecake. Petit gateau. Não é sem razão que os grandes ícones da gastronomia brasileira na década de 1990 tenham um certo sotaque estrangeiro. A abertura da economia para os importados trouxe vinhos, chocolates e outros produtos nunca antes provados pela classe média. Foram tempos de descobrir e arriscar - quem diria que peixe cru se tornaria tão popular?

Agora os 90 estão de volta. Com o jeito largadão e as estampas xadrez do grunge, no minimalismo das linhas simples e do preto e branco, nas temporadas do seriado Friends no Netflix. Sem falar nas boy bands, que têm empreendido retornos frustrantes com os seus ex-garotos. Para quem está na casa dos 30, tudo tem aquele cheiro nostálgico de espírito teen.

Na gastronomia, os velhos ícones também estão aí. Retratados sob um certo ângulo gourmet: o chocolate do petit gateau melhorou de qualidade a o sorvete de baunilha passou a exibir os deliciosos pontinhos pretos da vagem natural. O rodízio de sushi demanda um bom sushiman no balcão. Saquê original do Japão é o que não falta. O salmão, antes só de cativeiro, está agora disponível também em sua forma selvagem, mais magra e saborosa. Inclusive o defumado, que se juntou ao cream cheese para formar umas das combinações mais famosas daqueles tempos - quem pode imaginar? - sem celulares e internet.

 

Rodízio de japonês

Diz-se que a ideia de servir churrasco em sistema de rodízio surgiu na década de 1960, no Paraná. De lá para cá, os mais diversos pratos já entraram no baile de garçons que se tornou marca registrada brasileira. Pizza, comida tex-mex, petiscos, sorvete... Mas talvez o mais curioso de todos continue sendo o sushi.

Aconteceu em algum momento por volta de 1990, quando a obrigação de comer coisas saudáveis ainda era uma onda meio alternativa. Primeiro o sushi desembarcou nos Estados Unidos, que trocaram o atum pelo salmão na linha de frente e deram tons flamboyant de abacate e cream cheese à austeridade do bolinho japonês. A moda seguiu para o Brasil, onde o abacate virou manga e o sushi deu um perpétuo golpe de mestre no churrasco - a carne vermelha, até então orgulho nacional, começava a sofrer pesadas críticas dos cientistas da nutrição.

Bastariam apenas dez anos para que sushi superasse o churrasco. Pelo menos na cidade de São Paulo, que contava, em 2003, com 600 restaurantes de comida japonesa contra 500 churrascarias. A ideia do rodízio era simples. Além do sushi, outros pratos japoneses, alguns chineses e todos com um toque brasileiro.

Em 1990, a quantidade era o que importava nos rodízios. Nos dias de hoje, a qualidade, nos pratos e no ambiente, anda pedindo mais atenção, e algumas casas estão se adaptando para abrir espaço entre a concorrência apertada.

 

Coquetel 'Sex on the beach'

A indústria das bebidas sempre criou as tendências. O culto ao corpo também influenciou gerações de receitas. O cinema também marcou sua influência e divulgou milhares de novos hábitos alimentares - quem nunca morreu de vontade de comer algo que viu na telona? Quando pelo menos três desses fatores se juntam, nasce um mito. É como podemos chamar o Sex on the Beach (vodca, peach schnapps, suco de laranja, e grenadine), drinque que todo mundo bebericou pelo menos uma vez nos bailes da juventude afora.

 

Apesar de ser comum reinventar algumas receitas, a fórmula do Sex on The Beach do Bar Numero, que segue como um dos drinques mais pedidos por todas as idades, permanece igual. Pelo menos 48 garrafas de vodca são contabilizadas em alguns dias para dar conta da demanda. "Hoje, as pessoas fogem de creme de leite, sorvete ou gema de ovo nos drinques", diz Derivan Ferreira, "mestre" dos bartenders da cidade e comandante de um dos balcões de maior responsabilidade na cidade. Ele acompanha as tendências desde o tempo em que a coquetelaria brasileira se resumia a batidas adoçadas a muito leite condensado.

 

Fonte: Revista GQ Brasil *Matéria na íntegra disponível no site