30/03/2015 - Energia elétrica ficou mais cara, e agora?

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Desde o final de 2014, reajustes estão acontecendo na conta de luz e a Aneel autorizou novos aumentos neste início de ano. O setor precisa ficar atento e criar alternativas para economizar

 

A energia elétrica já está mais cara, o que é reflexo de uma série de medidas tomadas ao longo dos últimos anos. No início de 2013, a presidente Dilma Rousseff aprovou uma lei com o objetivo de baratear a conta de luz em até 20%. Para alcançar essa meta, foi necessário diminuir ou extinguir encargos sobre a tarifa – entre elas, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – e renovar contratos pagando menos pela geração e transmissão de energia. No entanto, a combinação de calor recorde, falta de chuva, desperdício e alto consumo, fez com que o aumento da conta de luz se tornasse uma realidade. De acordo com o IBGE, em 2014, a alta média nas contas chegou a 17,3%. Para este ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) espera elevação de até 40%. Diante de mais uma pressão de custos, o setor de bares e restaurantes precisa estar preparado e criar alternativas para contingenciar esse aumento.

No ano passado, para que não houvesse aumentos significativos, o governo autorizou empréstimos às distribuidoras que chegaram ao montante de R$ 17,8 bilhões. O recurso durou até outubro, quando a Aneel começou a autorizar reajustes em alguns estados. Em fevereiro deste ano, a Aneel autorizou mais uma série de aumentos na tarifa de energia elétrica de distribuidoras localizadas em diversas partes do país.

O governo decidiu ainda suspender um aporte de R$ 9 bilhões, previsto no Orçamento de 2015, para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que tem como objetivo promover a universalização do serviço de energia elétrica em todo o território nacional, por meio de programas como o “Luz para Todos”, por exemplo. Com isso, o valor previsto para este ano será custeado pelos consumidores por meio de novas tarifas cobradas na conta de luz. Os números ainda estão sendo calculados, mas, em 2014, o fundo recebeu R$ 18 bilhões.

A partir dessa decisão, a revisão extraordinária das tarifas está sendo feita neste início de ano para que as distribuidoras possam iniciar a arrecadação dos recursos nas contas de luz. Em média, a cada quatro anos, as tarifas passam por uma revisão para promover o equilíbrio econômico. Quando ocorre algum evento que afeta esse equilíbrio, elas podem pedir a revisão extraordinária, ou seja, fora do prazo previsto.

Por fim, o consumidor também será impactado pelo aumento de 46% no custo da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu, a maior do país. Essa alta reflete, principalmente, nas distribuidoras do Sul e Sudeste do país, que pagarão R$ 4 bilhões em 2015 pela eletricidade recebida da usina, valor que será repassado nas contas de luz.

 

Em busca de alternativas

Conscientes da importância de atitudes ambientalmente corretas, muitos empresários do setor já adotam medidas para evitar o consumo excessivo de energia elétrica. Gabriel Veiga, sócio do bar Charles Edward, fundado há 19 anos, em São Paulo (SP), é um deles. Em seu estabelecimento, a maioria das lâmpadas é de LED. Outra ação que está adotando é instruir a equipe a só abrir as geladeiras quando necessário. “Temos feito testes, aumentado o tempo de parada das geladeiras, buscando a economia”, afirma.

Além disso, Veiga colocou alertas ao lado dos interruptores que orientam as pessoas a se lembrarem de apagarem as luzes. Para ele, as medidas são necessárias, sobretudo porque a conta de luz tem um alto impacto sobre o faturamento do bar. “O segundo ponto é pela questão do sistema elétrico do país estar entrando em colapso. Haverá reajustes pesados nas contas de luz ao longo deste ano, podendo chegar a até 40%. Acreditamos, inclusive, que haverá racionamento de energia.”

Também em São Paulo (SP), Sinvaldo Lima, proprietário da Montecatini Trattoria, garante que tem feito a sua parte. “Há quatro meses, efetuamos a troca da fritadeira elétrica por uma a gás, o que ocasionou uma redução de aproximadamente R$100 na conta de luz”, lembra.

Diante dessa economia, o restaurante decidiu ampliar as medidas, passando a deixar as luzes do salão desligadas durante o dia. “Conscientizar os empregados é o mais difícil e importante, pois eles que estão ali o tempo todo. É preciso orientá-los até que se torne rotina. Economizar é sempre bom para os orçamentos, mas o mais importante é refletir sobre as questões ecológicas, em especial diante da crise que acontece em São Paulo e em outras regiões do país”, reitera. De acordo ele, até o momento, as medidas geraram uma economia de, aproximadamente, 10% na conta de luz.

 

Dicas para economizar

Aquecimento

- Controle o tempo de utilização dos fornos elétricos, fritadeiras e aquecedores.

- Controle a temperatura dos fornos elétricos, fritadeiras e aquecedores.

- Evite manter os equipamentos ligados desnecessariamente.

 

Resfriamento (geladeira, freezer e ar-condicionado)

- Procure os modelos que tenham o selo de economia de energia.

- Instale o aparelho em local bem ventilado.

- Evite abrir a porta sem necessidade ou por tempo prolongado.

- Evite guardar alimentos e líquidos ainda quentes.

- Faça o degelo periodicamente.

- Controle a temperatura do ar-condicionado e mantenha as portas do ambiente fechadas.

- Desligue o ar-condicionado quando o seu uso não for necessário.

 

Iluminação

- Utilize lâmpadas eficientes, como as fluorescentes e as de LED.

- Utilize luminárias de boa refletância e limpe-as frequentemente.

- Utilize lâmpadas de vapor de sódio nas áreas externas.

- Use cores claras nas paredes.

- Desligue as lâmpadas desnecessárias.

- Desligue as placas luminosas desnecessárias.

- Nos banheiros e áreas externas podem ser utilizados sensores de presença.

 

 

Fonte: Revista MNMV nº13 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa