26/03/2015 - História de amor vira negócio que fatura R$ 420 mil por fim de semana

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Elysa Barranco e Miguel Mendoza são os fundadores da rede Paleteria, dona de seis lojas no Paraná

 

Quando Elysa Barranco, de 40 anos, viu o empresário Miguel Mendoza, de 49 anos, pela primeira vez, ele estava de costas. Mesmo assim, ela diz que se apaixonou. "Um homem alto, grisalho, parado em frente à porta do restaurante. Na hora soube que ele era especial", diz a designer de Curitiba, capital do Paraná.

Era maio de 2008 e Elysa almoçava com uma amiga que não encontrava havia bastante tempo. No fim da refeição, o garçom avisou às duas que a conta já estava paga e apontou para o sujeito de cabelo grisalho na mesa ao lado. Começava ali a história do casamento de Elysa e Mendoza. E também a história da Paleteria, franquia que comercializa paletas mexicanas na capital paranaense e fatura até R$ 420 mil por fim de semana.

Mendoza é mexicano e estava no Brasil encarregado de um projeto de trabalho. Depois que terminou seus negócios, ele resolveu voltar para o México. Elysa não pensou duas vezes: largou a empresa de designer que tinha há 10 anos e viajou para a Cidade do México junto com o novo namorado. Por lá, tiveram a ideia de negócio que trariam para o Brasil. Acontece que a curitibana era fã das tradicionais paletas mexicanas, uma espécie de picolé com recheio que se tornou febre no Brasil no último verão. "Eu comia várias e comentei com o Miguel que um negócio desses daria muito certo aqui", diz a empreendedora. "Ele ficou com isso na cabeça."

Ainda no México, o casal começou a estudar as diferentes receitas da paleta. Os dois queriam que os produtos fossem feitos sem nenhum ingrediente industrializado e também que tivessem sabores diferentes, com a cara do consumidor brasileiro. "No México, a paleta de doce de leite é a mais comum. Sabíamos que era um produto muito saboroso, mas queríamos ter variedade."

O resultado veio depois de um ano - e uma briga. Durante uma tentativa de fabricar as paletas, Elysa e Mendoza tiveram uma discussão sobre o projeto do negócio. Para fazer as pazes, o mexicano passou os dias seguintes tentando criar uma paleta de morango e leite condensado, uma das sobremesas favoritas da esposa. "Quando provei, vi que tínhamos chegado a um produto muito bom, que tinha muitas chances de virar um sucesso no Brasil", afirma Elysa. Depois de terem acertado o ponto da paleta, o casal focou no desenvolvimento de novos sabores, como paçoca e pistache.

 

 

Em abril de 2011, eles voltaram a Curitiba para abrir as portas da Paleteria.O lugar escolhido tanto para a loja quanto para a primeira fábrica foi um imóvel antigo da família da empreendedora. A decoração foi toda feita sob a temática mexicana, com artigos e itens de decoração coloridos que o próprio casal trouxe de suas viagens. Por lá, hoje, são fabricadas de 60 mil a 100 mil paletas ao mês, dependendo da estação do ano.

Apesar de ser bom não gastar com aluguel, o casal tinha dúvidas quanto à localizaçao do ponto no início. "É atrás das docas de um shopping. Além disso, em pleno outono no Paraná, quem iria comprar sorvete?." Os indícios do sucesso viriam logo. Aos poucos, curiosos começaram a entrar na loja e a espalhar a novidade. Em setembro, uma fila de 20 minutos passou a se formar frente do estabelecimento todo final de semana. Mais tarde, um ano depois da inauguração da loja, a Nestlé pediu para que o casal incluísse um selo da empresa em suas paletas de morango com leite condensado. "Foi uma chancela de muito respeito", afirma Elysa. No verão, o sabor corresponde a até 40% das vendas da Paleteria.

Mesmo com a alta demanda, Mendoza e Elysa demoraram ainda um ano para abrir a segunda loja, no município de Morretes. Depois, optaram por expandir por meio de franquias. Atualmente, a rede tem quatro lojas franqueadas, todas no estado do Paraná. O plano dois dois é chegar a 10 unidades ainda este ano. Os empreendedores não revelam o faturamento mensal da rede, mas afirmam que hoje a Paleteria vende até 6 mil paletas por final de semana.

Sobre a explosão de negócios do mesmo tipo no Brasil, Elysa diz que não se sente ameaçada. "Fomos uns dos primeiros, temos muita experiência no que fazemos", afirma. "Além disso, qualquer obstáculo é fichinha para um negócio que começou com uma história de amor assim."

 

Fonte: PEGN