06/03/2015 - Bares projetam alta de até 15% com linhas noturnas de ônibus

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Abrasel estipula índice de crescimento para estabelecimentos que funcionam durante a madrugada na cidade de São Paulo

 

As novas 151 linhas noturnas de ônibus da capital paulista devem aumentar o número de clientes em bares e restaurantes durante a madrugada. A previsão é que o incremento no faturamento seja de 15% ao mês, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo (Abrasel-SP).

Desde a última semana, começaram a funcionar linhas de ônibus da meia-noite até as 4 horas da manhã. Ao todo, 800 mil paulistanos devem se beneficiar com a medida e a nova opção de locomoção na madrugada deve impulsionar o movimento em estabelecimentos como os bares Siga La Vaca e Paróquia, além de redes como Big X Picanha e Boi na Brasa.

"A falta de transporte público gerava uma série de problemas para os estabelecimentos que funcionam depois da meia-noite. Primeiro com relação ao número de clientes, que diminui consideravelmente com a Lei Seca. Outro fator negativo é o preço dos táxis, que neste período operam com valores mais elevados", afirma o presidente de Abrasel-SP, Percival Maricado.

"Atualmente, a queda no faturamento de estabelecimentos que funcionam na madrugada é de 20%", comentou Maricato. Em 2012, no período de implantação de adendos na Lei Seca, o setor registrou queda nas vendas de 40% nos estabelecimentos. No entanto, no decorrer do tempo o segmento se adaptou e equilibrou o faturamento, com campanhas do motorista da vez, entre outras ações.

A nova legislação impactou locais como o Siga La Vaca, um espaço procurado para happy hour e comemoração de aniversários, no centro da cidade. Para o diretor de marketing e eventos do espaço, Maruan Khalil, porém, a nova medida da implantação das linhas noturnas deverá provocar a mudança de comportamento dos clientes.

"Temos grande movimento depois da meia-noite e a medida pode gerar aumento importante no número de consumidores. Há clientes com o hábito de ir embora antes da meia-noite e outros chegam nesse horário para aproveitar a madrugada. Agora eles não serão mais prejudicados pela falta de opções e poderão chegar ou sair a qualquer hora", exemplifica.

 

 

Funcionários

Bares e restaurantes que operam em locais residenciais e fecham antes da uma hora da manhã, também deverão ser beneficiados com as novas linhas de transporte na capital. É o caso do bar Paróquia, localizado na Vila Marina, zona sul de São Paulo. O gerente de vendas, José Antônio Rodrigues, conta que a maior vantagem deve ser para os funcionários.

"O maior benefício será para os colaboradores, que terão melhores condições de retornar para casa depois do expediente de trabalho. Eles não precisarão esperar na rua pelo retorno do transporte público." Para ele, outro ponto positivo será na contratação de novos colaboradores. "Agora poderemos contratar pessoas de qualquer região da cidade. Antes já eliminávamos os currículos de candidatos que não moravam na zona sul", afirma Rodrigues.

Para ele - que já trabalhou no setor em Fortaleza (CE), onde há transporte público durante a madrugada -, a falta de ônibus de forma circular neste período é uma grande falha. "Nunca entendi como uma cidade como São Paulo não oferecia ainda o serviço de transporte noturno."

 

Confiança

Sem dúvida de que o setor terá um crescimento significativo no faturamento na capital paulista, o diretor de expansão da rede Mr. Beer, Fernando Fernandes lembra que o tíquete médio individual nos bares e restaurantes é de R$ 70,00.

Entretanto, com a falta de transporte público a única opção era recorrer ao táxi e o gasto acabava se equiparando ao valor consumido durante um momento de lazer.

Segundo o executivo da marca que atua com cervejas especiais com lojas e bares, o total acabava sendo inviável para algumas pessoas e elas tendiam a diminuir a frequência em estabelecimentos durante à noite. "Com a opção de transporte mais barato, os consumidores poderão gastar mais", destaca.

 

Estratégia

A Prefeitura de São Paulo precisa investir em uma estratégia forte de comunicação para informar aos usuários a nova oferta de ônibus, afirma Fernandes. "Os consumidores que saem para restaurante e bares não estão habituados a utilizar o transporte público. Criar um mapa com os itinerários e horários disponíveis deve gerar confiança nos consumidores e pode ser uma boa saída para divulgar o novo serviço."

Ainda que a Prefeitura de São Paulo tenha as novas linhas operando com o apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Guarda Civil Metropolitana, a falta de segurança também é uma preocupação entre os empresários e um que fator pode contribuir para a queda no movimento de alguns locais, como aponta o gerente do restaurante Boi na Brasa, Armando Gonçalves.

"Não creio que só o aumento das linhas de ônibus fará crescer o faturamento no comércio. É preciso ver o problema da falta de segurança. Na Praça da República, por exemplo, ninguém tem coragem de dar uma volta depois de determinado horário. Com um policiamento mais efetivo poderíamos mudar a situação". Gonçalves também acredita que para os funcionários, a oferta de transporte será um enorme benefício, pois aumentará a qualidade de vida deles. "Quem trabalha de madrugada terá mais rapidez para chegar em casa", diz o gerente.

Com a perspectiva de crescer 25% este ano apoiada na implantação da nova rede de transporte, a rede Big X Picanha segue otimista. A empresa, que faturou cerca de R$ 49,4 milhões em 2014, conta que antes da extensão do horário de ônibus tinha de antecipar o fechamento para cumprir a carga horário dos funcionários, que era outra dificuldade para operar durante o período.

De acordo com o sócio proprietário e diretor de implantação e franquias da rede, Zupa Silva, agora isso deve mudar. "Tenho certeza de que vai acontecer um crescimento no faturamento por conta da nova medida. Em função da lei seca, muitas pessoas não saem de casa, mas com o funcionamento do transporte público durante toda a noite irá facilitar a locomoção pela cidade e teremos mais pessoas circulando durante a madrugada" comenta.

Silva explica que os restaurantes da rede e o Consulado da Bahia (restaurante também administrado por ele), foram projetados para atender até a uma hora da madrugada. Com a falta de opções de transporte à noite era necessário, porém, fechar antes disso - estratégia que poderá mudar em breve. "Para completar a carga horária de alguns funcionários, antes tínhamos de fazer eles entrarem à tarde, período de pouco movimento. Isso deve mudar."

 

Fonte: DCI