09/02/2015 - Marmita light impulsiona novos negócios e empregos

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Refeições saudáveis, rápidas e entregues em casa ou no serviço têm virado febre em Maringá

 

A preocupação em consumir alimentos mais saudáveis, ricos em nutrientes e com baixa caloria tem impulsionado o mercado de marmitas light em Maringá. Quem não dispõe de muito tempo para cozinhar e não dispensa uma refeição balanceada já encontra vários estabelecimentos da cidade que oferecem este tipo de serviço.

O cardápio é composto geralmente por arroz ou massas integrais, legumes cozidos, saladas e carnes grelhadas. Quem trabalha no segmento garante que os alimentos são preparados de forma mais saudável. "Não usamos conservantes, o sal de cozinha comum é substituído pelo sal marinho. O tempero dos alimentos é feito com ervas frescas", afirma Kariny Brunelli, sócia de uma empresa do ramo.

A empresária vende porções individuais de acordo com o gosto de cada cliente. Segundo ela, o cardápio é feito para atender todas as necessidades nutricionais que uma pessoa precisa consumir durante o dia. "Vendemos porções congeladas. Procuramos substituir do congelador das pessoas produtos industrializados por alimentos muito mais saudáveis."

O negócio de Kariny é novo. Começou em setembro do ano passado e, de acordo com ela, as vendas já triplicaram desde então. "A ideia surgiu quando trabalhava em uma academia. Notei que haviam muitas pessoas que procuravam produtos leves, mas não encontravam." Hoje são vendidas de 70 a 80 refeições diárias com preço médio de R$ 13. Ela conta com uma auxiliar de cozinha, além de um motoboy, mas as expectativas são tão boas que outras duas pessoas devem ser contratadas até o final do ano para ajudá-la no preparo das refeições.

A empresária Silvânia Mançano é uma das clientes de Kariny. Ela é dona da cantina em uma academia e, além de consumir, revende os alimentos lights. "O sistema de entrega do nosso fornecedor é superorganizado, uma característica que vale muito para gente. É bacana que o nosso aluno encontre variedade de produtos e sabores. Nós provamos o cardápio e damos sugestões de pratos e lanches que vendem bem aqui", ressalta.

O público consumidor é variado. Formado por pessoas que querem perder ou manter o peso atual, ou mesmo atletas e praticantes de atividades físicas como é o caso do empresário Hugo Hawthore. Ele conta que por praticar musculação procura manter uma alimentação saudável e balanceada. O estilo de vida acabou virando negócio. Atualmente Hawthore também trabalha no ramo de comida light e faz a entrega diariamente de cerca de 50 marmitas. "Eu tentei unir o útil ao agradável", brinca.

 

Cardápio ideal

Segundo a nutricionista Natália Valentin Ferreiro, o cardápio ideal é aquele que respeita a necessidade individual de cada pessoa, seja ela de calorias ou restrição de certos alimentos, além de trazer sabor e prazer para o consumidor, através de uma refeição variada e natural que ofereça ao corpo os nutrientes necessários para o seu bom funcionamento.

Natália conta que recomenda este serviço para os pacientes que se queixam da falta de tempo, devido principalmente à carga excessiva de trabalho. "Conseguimos assim manter o foco no resultado esperado do tratamento, sendo ele emagrecimento, busca por bem-estar mental e físico, para melhorar o rendimento no trabalho e na vida pessoal, prevenção ou tratamento de doenças."

 

Plano estratégico é essencial

A consultora do Sebrae Patrícia Valente afirma que para ter sucesso no ramo de refeições leves é fundamental ter um plano estratégico consolidado. O investidor deve conhecer o segmento de alimentação e levar em conta a diversidade de padrão de consumo, como o aumento de pessoas das classes C e D comendo fora de casa.

No caso específico da alimentação, a atenção deve ser no que é permanente e o que é modismo. "É necessário conhecer bem o perfil do cliente e antecipar o que ele deseja de modo a ofertar produtos e serviços que vão permanecer. Quem valoriza alimentação leve vai ser um consumidor fiel, por isso também vai esperar novidades de tempos em tempos. O empresário deve se antecipar ofertando produtos diferenciados até que a relação se inverta e o cliente busque naquela empresa os itens que mais gosta", orienta.

Outro cuidado especial é controlar todos os processos, da compra dos ingredientes à entrega da marmita. Nesse ramo a comida deve ser higiênica, leve, atrativa, saborosa e chegar na hora combinada. "O cliente de comida em domicílio espera receber em mãos um prato com a mesma qualidade do que seria servido em um restaurante", destaca a consultora.

Sobre o prenúncio de tempos sombrios e economia estagnada esse ano, a consultora afirma que é mais seguro direcionar investimentos para a inovação de processos e produtos que têm custo menor do que as grandes ampliações de estrutura, por exemplo.

De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, o índice de mortalidade das empresas do segmento é alto, estima-se que 50% delas sejam extintas em apenas dois anos de atividades, o que exige cautela em dobro e capacitação para encarar as dificuldades nos primeiros anos.

Para se sobressair num mercado tão concorrido, o ideal é buscar excelência e manter o negócio numa escala controlada. Sempre há espaço para flexibilizar o plano estratégico, desde que seja feito um constante exercício de pensar nas ações empresariais para que o investimento não custe a saúde financeira da empresa.

 

Fonte: O Diário de Maringá