03/02/2015 - Escassez de água: hora de repensar atitudes

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Empresários de bares e restaurantes passam a adotar posturas ambientalmente corretas para diminuir o desperdício de água

 

O Brasil vive uma das maiores crises hídricas de sua história. A escassez de água deixou de ser um problema localizado e passou a impactar diversas regiões do país, sobretudo o Sudeste – com destaque para a situação do estado de São Paulo. A capital paulista, também conhecida como terra da garoa, se viu na pior estiagem dos últimos 80 anos. Apesar das chuvas no final do ano, os níveis dos reservatórios não subiram; pelo contrário. Na primeira semana de dezembro, por exemplo, a capacidade do Sistema Cantareira seguia em queda e chegou a atingir o nível de apenas 8,7%, segundo medição divulgada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O Rio São Francisco, considerado um dos mais importantes do país, também viu sua nascente, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, secar em setembro - fato inédito. Diante da falta de água em alguns locais e ameaça de racionamento em outros, empresários do setor de bares e restaurantes passaram a criar alternativas para economizar água e evitar possíveis prejuízos.

De botecos a sofisticadas casas, todos sofreram as consequências da estiagem. Roberto Rodrigues Junior, proprietário da Quick Pizza, em São Paulo, diz ter sido afetado desde o início da crise hídrica. “Primeiro, ficávamos sem água a partir das 22h. Depois, a água começou a faltar por volta das 17h30. Como as caixas d’água são grandes, não fiquei sem água nos banheiros e cozinha. Porém, minha máquina de café é ligada à água proveniente da rua. Por isso, fiquei sem ter o produto para oferecer”, ressalta.

Para evitar mais transtornos, o empresário ressalta que implementou diversas ações com o intuito de economizar água. Para realizar a limpeza do salão, trocou a mangueira pelo pano de chão. Adquiriu também uma lavadora de alta pressão, para realizar a higienização dos banheiros e cozinha. A calçada deixou de ser lavada e a limpeza passou a ser realizada apenas por meio de varrição. Além disso, as toalhas das mesas começaram a ser lavadas apenas quando a máquina alcança seu nível máximo.

Segundo Rodrigues, ao implantar essas medidas, conseguiu diminuir em 20% o consumo de água da sua pizzaria. Para chegar a essa redução, também investiu no treinamento dos colaboradores, conscientizando-os da necessidade de economizar não apenas água, como também energia elétrica, gás e produtos de limpeza.

O grupo Divino Fogão também buscou soluções para economizar água. Com 175 unidades em todo o país, a rede de restaurantes descobriu, por meio de pesquisas, que a torneira com pedal seria uma boa alternativa. A própria equipe de manutenção da rede, que é comandada por Emiliano Silva, diretor de Operações da empresa, fez a pesquisa de preço, os testes e as avaliações.

As torneiras estão sendo substituídas gradualmente e, hoje, todas as novas lojas já são inauguradas com a torneira de pedal. Com essa medida, cada loja que já fez a substituição do equipamento chegou a gastar de 20% a 30% menos de água.

Além da água, o Divino Fogão também tem investido na redução do consumo de energia elétrica. As lojas inauguradas desde o início de 2014 já contam a utilização exclusiva de lâmpadas de LED. Com a substituição dos produtos tradicionais pelo LED, a expectativa do diretor de operações é que o consumo de energia elétrica seja reduzido entre 9% e 12%.

 

Como economizar

Para evitar o desperdício de água, os proprietários de bares e restaurantes devem, primeiramente, conhecer o hidrômetro. É o que aconselha Alessandro Perdigão, gerente da Divisão de Ações Mercadológicas da Superintendência Comercial da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). “É esse equipamento que mede o consumo de água. É preciso verificar onde está instalado e fazer o acompanhamento regular do consumo”, explica.

Na cozinha, para a limpeza dos pratos, talheres e copos, a dica é deixar acumular o máximo possível, retirar todos os resíduos e jogá-los no lixo e só depois fazer a higienização necessária. “É aconselhável ensaboar a maior quantidade de vasilhames possível, enxaguando-os posteriormente de uma só vez, abrindo a torneira o necessário para um enxague correto. É importante, também, colocar um redutor de vazão para reduzir o volume de água”, orienta Perdigão.

Deixar uma torneira aberta por um minuto gasta em média de 12 a 20 litros de água, levando em conta a vazão e a pressão. Se uma torneira ficar gotejando por um dia, 45 litros de água podem ir, literalmente, ralo abaixo. Por isso, o recomendado é limpar primeiramente os restos de comida e o excesso de óleo e gordura, ensaboar o máximo de vasilhas, para depois enxaguar.

Com relação ao banheiro, ele explica que é necessário verificar o estado de uso do vaso sanitário e das torneiras. Se possível, trocar os equipamentos hidráulicos antigos por novos, considerados inteligentes, que são programados para o uso racional de água. Perdigão frisa que é preciso verificar o volume e a pressão de cada equipamento hidráulico, uma vez que estudos e pesquisas mostram que essa troca pelos “equipamentos inteligentes” alcança, em média, 50% de economia de água. Na faxina, ao invés de mangueiras, o correto é usar balde e um pano úmido.

Quando for higienizar alimentos, ele orienta que “se for em grande quantidade, é interessante colocar os alimentos – frutas, verduras e hortaliças – em um recipiente com água potável e algumas gotas de água sanitária ou cloro, que vão eliminar os micro-organismos existentes nesses alimentos, e dar um enxágue apenas para retirar a água na qual ficaram armazenados”, conclui.

 

Fonte: MNMV nº 12 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa