30/01/2015 - Contratos temporários sobem em todo o país

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Alimentação fora do lar é o setor que abrirá mais postos de trabalho

 

No verão deste ano, a expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é que sejam criados 35,5 mil postos de trabalho temporários no setor de turismo em todo o país. Conforme estudo da entidade, divulgado na última terça-feira (27), o número representa um aumento de 1,1% na comparação com igual período do ano passado. Historicamente, a entidade afirma que 72% da oferta anual de vagas temporárias no turismo brasileiro ocorrem no período, que vai de novembro a fevereiro.

Em 2013, a região Sudeste ainda concentrou mais da metade dos trabalhadores do setor (58%), participação que se manteve estável nos últimos anos. O Nordeste ultrapassou a região Sul do País e, hoje, concentra 15,8% dos empregados no turismo brasileiro, contra 15,1% de oito anos atrás (2007). A região Sul, por sua vez, perdeu representatividade, respondendo atualmente por 15% contra 15,7% de 2007, demonstra o levantamento da CNC.

 

DESTAQUES

O segmento que mais deve abrir postos de trabalho é o de alimentação fora do lar, que inclui bares e restaurantes e é responsável por mais da metade (53,4%) das vagas geradas, o que equivale a 18,9 mil postos. Em seguida, vem o ramo de hospedagem (pousadas, hotéis e similares), com 30,7% do total de empregos no turismo no período, gerando 10,9 mil vagas – volume que representa quase a totalidade (99,3%) das suas vagas temporárias ao longo de cada período de 12 meses. Já os serviços de transportes de passageiros, agências de viagens, operadoras de turismo, aluguéis de veículos, atividades culturais, recreativas e esportivas, deverão oferecer, juntos, 5,7 mil oportunidades de emprego (15,9% do total).

A média salarial de admissão no setor também avançou (3,6% em relação a 2014) e deve chegar a R$ 1.150,00, no final do ciclo de contratações. Os segmentos do turismo que deverão oferecer as maiores remunerações deverão ser os de transportes (R$ 1.561,00), seguido pelos serviços culturais (R$ 1.395,00) e de hospedagem (R$ 1.065,00). Bares e restaurantes deverão ofertar salário médio de R$ 971,00. Algumas atividades oferecem remunerações bem acima da média do setor e do próprio mercado de trabalho em geral, como, por exemplo, os segmentos de transporte marítimo de cabotagem (R$ 4.176,00); transporte aéreo não regular de passageiros (R$ 2.835,00) e transporte marítimo de longo curso (R$ 3.666,00).

 

PERFIS

O levantamento realizado pela Divisão Econômica da CNC traça, também, um perfil da mão de obra no setor de turismo segundo faixa etária e grau de instrução. No recorte por faixa etária, a entidade aponta que o turismo pode ser considerado um setor “jovem” no mercado de trabalho brasileiro. Do total de trabalhadores atualmente empregados no setor (3,5 milhões), 17,4% têm idades entre 18 e 24 anos – na média total do mercado trabalho, essa proporção é de 16,2%. Mais da metade dos trabalhadores do setor (50,5%) têm entre 30 e 49 anos. “Os serviços de alimentação e de hospedagem representam uma excelente porta de entrada no setor, especialmente, para trabalhadores jovens, uma vez que o nível de qualificação exigido não é elevado”, destaca a CNC, em nota.

Entre 2007 e 2013, o mercado de trabalho no setor de turismo experimentou um aumento significativo no salário médio real (23,7%, descontando-se a inflação), ganho ligeiramente acima da média do mercado de trabalho (21,5%). Uma das principais razões para a observação de ganhos mais altos no setor turístico foi a maior busca por qualificação por parte dos trabalhadores do setor.

Em 2007, 172,3 mil trabalhadores formais dessa área (7,3% do total do setor) tinham, pelo menos, o nível superior incompleto. Seis anos depois, segundo o levantamento, o número de trabalhadores com este nível de qualificação cresceu 92% (passando a 331,2 mil) – mostrando que, apesar do menor grau de instrução da mão de obra, os profissionais do setor têm se qualificado mais rapidamente que a média dos trabalhadores. No mercado de trabalho em geral, a participação desses trabalhadores mais qualificados passou de 19,2% para 22,3%, registrando-se um avanço significativo de 47,4%, no mesmo período, porém, menor que o do setor de turismo.

 

AVALIAÇÃO

Na avaliação do economista da CNC, Fábio Bentes, a desvalorização cambial diminuiu a procura por viagens internacionais, favorecendo o turismo interno, mas a desaceleração econômica também teve efeitos no setor. “O menor crescimento do emprego e da renda nos últimos 12 meses reduziu o ritmo de expansão real do setor de serviços turísticos, como os de alimentação e hospedagem. Ao final de 2014 esses segmentos apuravam um ganho de receita de 1,7%, contra os +2,1% verificados em 2013”, destaca Bentes.

 

Fonte: O Estado CE