Racionamento voluntário de água já é realidade entre as redes varejistas

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Com a estiagem, empresas do setor começam a se preparar para enfrentar a seca. Muitas ampliaram a sua capacidade de armazenamento e estão melhorando a gestão das lojas

 

Flávia Milhassi

São Paulo - A ampliação no número de caixas d'água como forma de armazenamento, redução do uso de materiais que demandem lavagem posterior e a utilização de lava-louças - atualmente econômicas -, estão entre as iniciativas de algumas empresas que passaram a adotar racionamento voluntário.

Com a perspectiva do início do esquema de racionamento de água em São Paulo, empresas de alimentação, como restaurantes e redes de fast food, começam a se preparar para evitar queda nas receitas que serão geradas ao longo deste ano, sendo que algumas adaptações podem reduzir o consumo de água em até 30%.

"Em setembro do ano passado começamos a nos preocupar com a possível falta de água na capital. Para que as franquias não fiquem desabastecidas, já que fornecemos todos os produtos vendidos, aumentamos o número de caixas de água dentro da fábrica, reativamos uma com capacidade de 11 mil litros que tinha sido inutilizada anteriormente e, se for necessário, compraremos água de carros-pipa", afirmou o diretor da rede de franquias Mr Cheney, Lindolfo Paiva.

Só na ampliação dos reservatórios de água na fábrica da companhia, Paiva afirmou ter investido R$ 15 mil. "Se for necessário, nós também implantaremos outros sistemas para economizar água. Mas, com a estrutura que temos hoje, creio que conseguiremos atender 200 unidades, isso se o racionamento for por períodos curtos".

Ao atuar no segmento alimentar, o uso da água - tanto para fabricação dos alimentos quanto na manutenção da limpeza de pontos de venda - exigiu alguns ajustes. Mas a rede acredita que conseguirá fazer com que as 42 unidades hoje em operação economizem de 20% a 30% do consumo. "Reorganizamos alguns processos de limpeza dos equipamentos e as lojas estão sendo equipadas com lava-louças, pois trabalhamos com café também. Aconselhamos os franqueados a juntar um número significativo de pratos, xícaras de café e talheres antes de ligar o equipamento", concluiu Paiva.

 

Estratégia

A rede de fast food McDonald's afirmou estar pronta para uma possível falta de água crônica, como enfatizou o vice-presidente de marketing para a América Latina da companhia, Roberto Gnypek. "As lojas já são equipadas com sistemas de água de reúso, além de torneiras econômicas, que dispensam menos água nos banheiros e na cozinha", disse.

Gnypek ainda sinalizou um possível aumento na capacidade de todas as caixas de água da rede, que estão localizadas em metade das 840 lojas que a companhia mantém no Brasil. "Se for preciso, toda a capacidade de armazenamento deverá ser ampliada, o que ainda está em fase de estudos".

Apesar de a preparação, que Gnypek esclarece "ser somente uma possibilidade" - sem a certeza de que os planos deverão ser colocados em prática no País - pode ser complicada nas lojas da região metropolitana, localizadas em shopping centers, isso porque elas dividem esses locais com outros lojistas, além de não serem responsáveis diretamente pelas caixas d'água desses empreendimentos. Em todo o País, 420 lojas do McDonald's estão em centros de compras.

Por ser responsável pela manutenção da água dos lojistas, os shopping centers também já programaram medidas para a redução do consumo de água. O Grand Plaza Shopping inaugurou no início de maio do ano passado, em Santo André (SP), um sistema de reúso de água que consumiu investimentos médios de R$ 5 milhões ao empreendimento.

Segundo a empresa, a tecnologia permite que aproximadamente 100% do esgoto gerado pelo centro de compras seja tratado internamente e devolvido para reúso. Isso ocorre em operações como lavagem de estacionamento, descargas em vasos sanitários, torres de resfriamento para ar-condicionado e regas de jardim.

Instalado em uma área de 178 mil metros quadrados, o sistema vai gerar economia de 48% no consumo de água, resultante de técnicas de reutilização que dispensam a aquisição junto às redes convencionais de abastecimento. O volume de esgoto a ser tratado e reutilizado como água corresponde mensalmente a 8,3 milhões de litros.

No acumulado do ano, representaria uma economia aproximada de 100 milhões de litros de água, o suficiente para encher 36 piscinas olímpicas ou abastecer uma comunidade de até 300 mil pessoas.

 

Água

A estiagem, que castiga os níveis dos reservatórios que abastecem 20 milhões de pessoas nos domicílios e estabelecimentos comerciais da região metropolitana de São Paulo, começou a ser discutida no início de 2014. Isso aconteceu quando os níveis do reservatório da Cantareira - formado por seis represas - baixou para a menor marca de sua história, com um nível de 28%.

Em um ano, além do esgotamento do reservatório da Cantareira, que fornece água para mais de 6,5 milhões de pessoas; dois contingentes da chamada reserva técnica foram utilizados. Essas medidas para sanar o problema foram apenas paliativas, tornando o racionamento necessário, a fim de evitar um total colapso.

Fonte: DCI