26/03/12 - Trabalhar com comida rende lucro de até 20%

 

Bom nível de emprego e aumento da renda no Brasil estimulam o desenvolvimento do setor de alimentação

A taxa de desemprego ficou em 5,7% em fevereiro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma das menores da história. O rendimento médio real do trabalhador ficou em R$ 1,699,70, o que representou avanço de 1,2% sobre janeiro.

Esses fatores estimulam o setor de serviços no Brasil e uma das áreas mais beneficiadas é a de alimentação, pois os brasileiros com mais dinheiro no bolso podem comprar mais refeições fora de casa. O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) estima que já existam 1,5 milhões de bares/restaurantes no país, que geram 4,5 milhões de empregos.

E toda essa força também favorece os pequenos e médios negócios, como marmitarias e buffets. Segundo Karyna Dantas, consultora especialista para alimentação fora do lar do Sebrae-SP, bem administrada uma empresa como essa pode ter lucratividade variando entre 10% a 20%. “Mas é preciso ter uma gestão bem assertiva e um gestor participativo”, ressalta.

Passos/ Ela orienta que um dos passos iniciais para quem quer entrar no ramo de marmitarias ou buffets, antes de pensar em custos, é a elaboração do cardápio. O interessante é que o futuro empreendedor analise o que vai ofertar para o seu cliente para depois prever todos os custos de investimentos, abertura e implementação do negócio. Para isso ser feito com segurança, um plano de negócio deve ser elaborado.

Tudo isso para ter um planejamento anual, mais longo, ou seja, diminui a chance de tomar decisões apressadas ou erradas. “Isso ajuda principalmente depois do negócio formalizado e constituído, onde deverá ser previsto os períodos de risco, como a sazonalidade de produtos, dos serviços e das demandas”, diz.

FORMALIZAÇÃO/ Para quem abre um negócio, a informalidade é sempre uma dúvida: pode-se pagar menos impostos, mas o empresário não tem acesso a financiamentos, fica fora das regras legais do país e por isso pode se acomodar e não pensar em crescer.

Uma alternativa para os pequenos se legalizarem é o Empreendedor Individual, programa do Ministério do Desenvolvimento que formaliza os negócios com o pagamento de um valor fixo mensal de R$ 36,10. É uma boa dica para quem pensa em marmitaria. Isso dá direito a benefícios como auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria, entre outros. Veja mais em www.portaldoempreendedor.gov.br.

Dinheiro / Também há instituições que emprestam dinheiro para pequenos empresários cobrando juros baixos. O Banco do Povo Paulista, por exemplo, cobra 0,5% ao mês (veja mais em www.bancodopovo.sp.gov.br). Também existe o programa nacional de microcrédito Crescer, que atende nos bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, com juros de 0,6% ao mês (veja mais em www.caixa.gov.br/voce/Credito/mpo_crescer/index.asp).


Buffet familiar do Interior é bom exemplo

Em 1998, o comerciante Felisberto Ferrari, 46 anos, resolveu incrementar seu boteco, como ele mesmo chamava, em Santa Cruz do Rio Pardo, interior paulista. Num esquema familiar, dentro de casa mesmo, ele começou a fazer refeições para melhorar os dias de pouco movimento. Rabada com polenta, frango caipira com arroz, dobradinha, vaca atolada.

O sucesso foi surgindo e mais fregueses aparecendo. As refeições passaram a ser feitas em mais dias da semana e aí apareceram as necessidades de ter mais espaço e gente trabalhando. “Uma foi a minha sogra e outra, uma tia. Depois minha esposa acabou saindo do trabalho para nos ajudar”, lembra. Aí estava começando a surgir o Buffet Água Benta. Ele começou a ser chamado para fazer refeições em eventos da cidade, como reuniões políticas, encontros agrícolas e casamentos. Como não tinha todos os utensílios, foi necessário emprestar ou alugar alguns para dar conta dos novos trabalhos.

Dicas /O buffet chega hoje a atender de duas a três festas por final de semana, incluindo em cidades vizinhas e até na Capital. A equipe conta com 65 pessoas, entre cozinheiros, garçons, bar tenders e maitres. As festas atendidas chegaram a ter mil pessoas e ele também já vende marmitas no dia a dia, cerca de 200 por dia.

Como explicações para seu sucesso, Ferrari cita a preparação das festas com muita antecedência, a adaptação à legislação trabalhista, o investimento em modernização e melhores equipamentos, o uso de alimentos de primeira qualidade e também, claro, fazer o que gosta. “Comecei a cozinhar com minha mãe por ser o filho mais velho. Fui aprendendo pratos, me interessando”, conta.

Ele afirma que consegue, em média, um lucro mensal de 15% a 20% do valor investido. A quantidade de trabalho também é grande. O buffet começa a trabalhar sempre no dia anterior e as festas duram de seis a oito horas.

 

Jundiaí está entre as cidades mais caras

O Índice Alelo de Preço Médio de Refeição, de 2011, mostra que Jundiaí é a terceira cidade mais cara do interior de São Paulo para se comer fora com preço médio de R$ 29,71 por pessoa. Em primeiro lugar está Sorocaba, com preço médio de R$ 30,54, o que representa um aumento de 15,11% em relação à pesquisa do ano anterior, que apontava um custo médio de R$ 26,53.

Os dados, apurados pelo Instituto Datafolha em parceria com a Alelo, administradora de cartões-benefício e cartões pré-pagos, apresentam a média nacional de R$ 27,46 - valor que representou aumento de 2,54% em relação ao preço médio nacional de R$ 26,78, verificado pela edição anterior da pesquisa.

Depois de Sorocaba, a segunda cidade mais cara do interior de São Paulo é Piracicaba, que apontou valor médio de R$ 29,99, seguida então por Jundiaí. Na quarta posição, vem Indaiatuba, que registrou a média de R$ 27,93, e, logo depois, está Ribeirão Preto, onde almoçar fora de casa gira em torno de R$ 27,53. Em seguida, estão as cidades de Mogi das Cruzes (R$ 26,36), Campinas (R$ 26,33), São José do Rio Preto (R$ 26,16), São José dos Campos (R$ 24,37) e, por último Bauru, (R$ 21,62), considerada a cidade mais barata do interior de São Paulo (entre as pesquisadas) e sétima do ranking nacional. De acordo com o levantamento, o posto de cidade mais cara do Brasil para se comer fora de casa fica com São Luís (MA), onde uma refeição custa, em média, R$ 36,21.

 

Fonte: Diário de SP