18/11/2014 - Com disparada de preços fora de casa, vale-refeição anda defasado

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Disparada nos preços da alimentação fora de casa corrói mais da metade do valor médio dos tíquetes oferecidos pelas empresas

 

O tíquete da firma nunca valeu tão pouco. A inflação alta e persistente destruiu o poder de compra do vale-refeição oferecido pelas empresas como complemento salarial dos trabalhadores. O preço médio de uma refeição no país — com prato principal, bebida, sobremesa e café — está em R$ 30,14, enquanto o valor diário do benefício fica, em média, em R$ 13: uma diferença de R$ 17, com base nos dados mais recentes da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert). No Centro-Oeste, onde a comida é mais cara, a defasagem chega a quase R$ 18,50.

Os preços relacionados à alimentação fora de casa têm aumentado de forma disseminada nos últimos anos e em um ritmo bem acima da inflação média, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os tíquetes, negociados anualmente, não conseguem acompanhar os reajustes nos restaurantes. Desde 2010, o valor médio da refeição cresceu 65% no Brasil e, no mesmo período, os vales tiveram aumento de apenas 30%, menos da metade.

A distorção no valor dos tíquetes é um fato incontestável, sustenta o presidente Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci. Um dos problemas está no fato das empresas costumarem reajustar o benefício com base no IPCA geral, e não na inflação específica da alimentação fora de casa, sempre maior. O aumento de preços, acrescentou, não deve dar trégua. “Há grande pressão por reajustes salariais dos funcionários do setor e isso afeta muito os custos do empresário”, defendeu.

Com a economia estagnada, as empresas passaram a priorizar a manutenção do nível de emprego, deixando o reajuste de vale-refeição em segundo plano. “Infelizmente, temos de enfrentar a defasagem do tíquete. Os valores atuais não estão adequados à realidade. A conjuntura econômica adversa prejudicou muito as empresas”, comentou o presidente da Assert, Artur Almeida. Não à toa, as negociações nos acordos coletivos se acirraram quando a pauta é alimentação. E raramente os trabalhadores têm saído delas satisfeitos.

Entre os fatores que puxam os preços nos cardápios, estão alimentos em alta, aluguel inflacionado e folha de pagamento. “Se a gente repassasse tudo mesmo, ninguém mais frequentaria restaurante”, lamentou Rubens Rodrigues da Cunha, 52 anos, gerente de um estabelecimento no Sudoeste. Para ele, responsável por fazer as encomendas toda semana, a inflação castiga hoje como nos tempos em que a estocagem era necessária. “Nada está sob controle e a carestia é muito maior do que a oficial. Quem compra sabe disso”, reforçou.

Os clientes que pagam com vale-refeição no restaurante de Rubens respondem pela metade do faturamento. A queda do movimento lá na segunda quinzena do mês é perceptível. Quem trabalhacom o modelo self-service, como ele, tem sentido mais intensamente a desvalorização dos tíquetes. “O benefício não tem dado para nada. É por isso que, ao longo do mês, a demanda anda diminuindo cada vez mais cedo”, contou.

 

Dragão impiedoso

A mudança de metodologia na coleta de dados para definir o preço médio da refeição no Brasil ajuda a explicar o seu avanço bem superior aos do vale-refeição. Artur Almeida, presidente da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), ressalta, contudo, a particular força da inflação dos alimentos. “É fato que o governo está tendo dificuldade para controlar o aumento dos preços”, sublinhou. Em outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) rompeu o teto da meta pelo terceiro mês seguido, cravando em 6,59% no acumulado de 12 meses. O indicador que mede só o conjunto de itens da alimentação fora de casa registrou alta, em um ano, de 10,03%.

 

Fonte: Correio Braziliense *Matéria na íntegra disponível no site