07/11/2014 - Possibilidade de corte de energia no verão preocupa indústria e comércio de BH

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Apagões aconteceriam durante as madrugadas nas principais capitais do país

 

O verão só começa no mês que vem, mas a possibilidade de corte de energia entrou na pauta de preocupações do empresariado mineiro. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) vai cobrar do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) explicações sobre a possibilidade de apagões durante a madrugada em algumas cidades do país, entre elas Belo Horizonte. O comércio e o setor de serviços também ficaram alarmados com notícia publicada nessa terça-feira por um jornal de circulação nacional, dando conta de um corte seletivo a partir de janeiro. Por meio dele, usinas deixariam de fornecer eletricidade normalmente, caso os reservatórios não alcancem o nível de 30% até o início de 2015.

Presidente do Conselho de Política Econômica e vice-presidente da federação, Lincoln Gonçalves quer marcar reuniões técnicas com o ONS para entender o processo, caso a possibilidade de corte seletivo se confirme. “Essa notícia levantou a preocupação do setor produtivo. São muitas dúvidas que temos, não só no setor industrial. Comércios, supermercados, todos precisaremos de prazo para tomarmos medidas de segurança. Qualquer tipo de corte deve ser discutido com a sociedade.”

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Fernando Júnior, vê a notícia como algo “inimaginável”. De padarias a boates, seriam muitos os afetados se a medida for confirmada. Além de comprometer o funcionamento de serviços tipicamente noturnos, outro problema é a qualidade de produtos perecíveis mantidos pelos estabelecimentos. “Não há essa opção para nós. Isso acaba com o setor. Tem que haver outra alternativa.”

Superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues não acredita em corte de energia, mas numa negociação com a companhia distribuidora para redução e economia de consumo. “Não vejo essa irresponsabilidade. Se houver necessidade, haverá parâmetros que preservem o mínimo para os setores”, afirma.

O presidente da Associação Brasileira dos Geradores de Energia (Abrage), Flávio Neiva, também não vê essa possibilidade: “Não se economiza de madrugada para gerar na ponta. Não se ganha nada com isso, a não ser que a energia seja guardada por meses até melhorar os níveis dos reservatórios. Não é guardando energia durante apenas algumas horas do dia que haverá resultado positivo”. Para ele, o mais plausível são medidas para incentivar a economia de energia, como ocorreu em 2001.

O ONS tranquiliza o empresariado e a população dizendo que não adotará medida radical. Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Alto São Francisco, Lessandro Gabriel da Costa disse que em reunião recente com operadores, em Salvador (BA), foi informada e discutida a diminuição das vazões para controlar os volumes de água. Para ele, racionamento será inevitável. “Ainda não sabemos se teremos chuva capaz de abastecer calhas e reservatórios, e isso preocupa. Tenho a impressão de que o governo está segurando a informação do racionamento, querendo afastar essa possibilidade. Quando a bomba estourar, será nas mãos da sociedade.”

 

Fonte: Estado de Minas Online