03/11/2014 - Hora de adequar os salões

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Saiba como tornar o espaço mais acessível e confortável para atender as necessidades dos clientes com alguma deficiência ou mobilidade reduzida, tornando seu negócio mais competitivo

 

Uma paixão nacional, aquele momento de encontro nos bares e restaurantes já foi incorporado no dia a dia das pessoas. Seja para celebrar, reunir a família ou participar de um happy hour com os amigos, as pessoas estão sempre em busca de locais que atendam suas necessidades. Por esse motivo, o empresário precisa estar atento à qualidade do atendimento, sobretudo à acessibilidade para pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida.

Dados de 2012, apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstram que o país tem 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência seja visual, auditiva, motora ou mental. Dessa forma, é importante que o setor tenha em mente que o público faz parte de sua clientela e precisa encontrar condições adequadas para frequentar os estabelecimentos.

De acordo com a arquiteta Aline Ostrowska, sócia do Popovic Ostrowska Arquitetos, a principal norma que regulamenta tais aplicações é a NBR 9050/04, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Para bares e restaurantes, recomenda-se que disponham de, pelo menos, 5% do total de mesas, com o número mínimo de uma mesa, acessível a pessoas com cadeira de rodas. Recomenda-se, além disso, que pelo menos outros 10% sejam adaptáveis para acessibilidade”, explica.

Já a altura das mesas deve estar entre 0,75 metros e 0,85 metros do piso. Ou seja, essa é a altura padrão, ideal para todos, tanto com cadeiras de rodas ou não. “Vale ressaltar que as mesas devem possuir altura livre inferior de no mínimo 0,73 metros do piso. A distância mínima entre os pés deve ser de 0,90 metros, permitindo, assim, a aproximação da cadeira de rodas. Quanto à circulação das cadeiras ao redor das mesas, deve haver uma faixa livre de 0,90 metros e área de manobra para o acesso”, avalia.

Aline Ostrowska destaca também os cuidados com os balcões de atendimento e com os caixas para o pagamento. “Os balcões devem estar localizados em rotas acessíveis e dispor de uma parte com extensão de, no mínimo, 0,90 metros e ter altura de, no máximo, 0,90 metros do piso. Quando for prevista a aproximação frontal, o balcão deve possuir altura livre inferior de, no mínimo, 0,73 metros do piso e profundidade livre inferior de, no mínimo, 0,30 metros.”

Já as regras para os caixas de pagamento, segundo ela, dependem do tipo de atendimento que o local oferece aos seus clientes. Se os consumidores precisam se dirigir ao caixa para efetuarem o pagamento é necessário adaptá-lo de acordo com as mesmas medidas dos balcões. Caso a conta seja levada até a mesa não será necessário modificações. “Lembrando que o estabelecimento deve oferecer o mesmo tipo de atendimento a todos os clientes, sem distinção”, reforça.

Outro ponto importante é tomar cuidado com o piso, os quais devem ter superfície regular, firme, estável e antiderrapante sob qualquer condição, de forma que não provoque trepidação em dispositivos com rodas (cadeiras de rodas ou carrinhos de bebê). A arquiteta explica que se admite inclinação transversal da superfície até 2% para pisos internos e 3% para pisos externos e inclinação longitudinal máxima de 5%. Inclinações superiores a 5% são consideradas rampas e, portanto, devem ser tratadas como tais.

“Não é necessário que o piso seja de um material específico, mas é preciso que o material utilizado atenda às condições citadas. Recomendamos, ainda, evitar o uso de padronagem na superfície do piso que possa causar sensação de insegurança, como, por exemplo, estampas que, pelo contraste de cores, possam causar a impressão de tridimensionalidade”, sugere.

As entradas dos estabelecimentos, segundo Aline Ostrowska, também merecem atenção especial, visto que são fundamentais para proporcionar o acesso dos clientes ao salão. Segundo ela, todos devem entrar no estabelecimento sem obstáculos e dificuldades, por meio de rampas ou plataforma elevatórias. “Esse é o cenário ideal para todos os estabelecimentos: acesso e uso democrático do espaço”, define.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº99 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa