18/09/2014 - Sintonia Fina

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Ano atípico, segundo consenso entre os empresários do setor de franquias. Copa do Mundo em casa, eleições à vista, inflação em alta e queda do consumo são alguns dos ingredientes que levaram boa parte das empresas a repensar suas estratégias e, em muitos casos, a colocar o pé no freio em relação à expansão das atividades. Com crescimento bem acima do PIB, estimado para este ano em torno de 1%, o seguimento de franchising assiste às movimentações sem, contudo, gabar-se dos próprios números. De acordo com a Pesquisa Trimestral de Desempenho, recém-divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), entre janeiro e março de 2014 o faturamento do setor cresceu 10% em relação ao último trimestre de 2013, com 82% das marcas associadas garantindo aumento de vendas e apenas 15% registrando queda.

 

Uma performance de respeito para quem fechou 2013 com um faturamento de R$ 115 bilhões, 11,9% mais que no ano anterior. "Trata-se de um momento de colocar a casa em ordem e trabalhar mais para obter os mesmos resultados", diz Cristina Franco, presidente da ABF. "É essencial ter um olhar racional, conservador, porém com atitude."

 

Na visão de Cristina, a tendência é de revisão de planos de expansão, voltando o foco para o interior do país, para cidades de menor porte onde ainda há muito potencial. O setor conviverá com a chegada de novas bandeiras estrangeiras, já que o Brasil continua na moda lá fora. "As franquias estrangeiras farão uma pesquisa mais refinada, se associarão a parceiros locais e a grupos conhecidos, mas virão", acredita a presidente. "As redes nacionais precisam continuar atentas e ativas para dividir o mercado em condições de igualdade."

 

Foi em busca de dados e métricas efetivas sobre o desempenho da rede que, em 2012, Humberto Ribeiro, franqueador da Mr. Beer, encheu a rede de indicadores, capazes de comparar cada unidade dentro da própria rede e também em relação à concorrência. No primeiro sinal amarelo, ele entra em contato com a unidade cobrando melhores resultados. "Franquia exige acompanhamento in loco diário", reforça.

 

De posse desses números, Ribeiro redefiniu sua forma de trabalhar. Há dois anos, contava com 18 fornecedores para seus mais de 100 rótulos exclusivos de cervejas. Ao final de 2012, eles foram reduzidos a cinco e hoje são apenas dois. "Adquirimos uma importadora e diminuímos o número de intermediários. Isso nos deu escala e melhor poder de negociação", ressalta Ribeiro.

 

Embora o setor seja considerado maduro, há, ainda redes que se empolgam com os bons ventos do segmento e acabam comercializando mais unidades do que sua estrutura permite atender. "Vendeu-se franquia de marcas antes que os manuais de operação fossem concluídos", diz o consultor Paulo Ancona, da Vecchi Ancona Consulting. "Com a economia instável, o consumo baixando e o crédito rareando o mercado começa a passar por um processo de depuração."

 

De acordo com Ancona, há casos reais de franquias com vendas gordas, mas perdendo dinheiro porque não fazem a precificação correta e tampouco sabem a lucratividade alcançada em cada um dos itens disponíveis no cardápio. Posicionamentos como esse tendem a acabar, daí a necessidade das redes de se reorganizar, lançar mão de softwares de gestão, treinar melhor os funcionários, trabalhar com indicadores e, se for o caso, enxugar a equipe.

 

Assim como reduzir custos é importante, diminuir os índices de desperdício é essencial, sobretudo para redes que atuam na área de alimentação. Estima-se que 30% dos alimentos produzidos no Brasil vão para o lixo, sem nenhum tipo de reaproveitamento. Atento a isso, o chef Eric Thomas, fundador do Restaurante Tantra, especializado em culinária asiática, optou por trabalhar apenas com alimentos disponíveis na estação com o melhor preço. A regra foi aplicada às quatro unidades franqueadas, equipadas com o Mongolian Grill, uma chapa no centro do restaurante na qual os clientes podem preparar seus pratos com ingredientes frescos, legumes e 42 tipos de temperos e especiarias.

 

"Na época da alta do preço do tomate, do champignon ou de proibição da pesca da lagosta, por exemplo, usamos produtos compatíveis, sem mexer na qualidade e no preço dos ingredientes. A decisão é tomada na hora da compra", afirma Thomas. Outro cuidado é com a tropicalização do cardápio. Se a franquia fica no litoral, a opção é pelo uso de mais frutos do mar.

 

Com 15 unidades em operação, a rede China House também conseguiu diminuir os índices de desperdício e baixar os custos de produção com a adoção do pré-preparo dos pratos, quando todos os ingredientes são pesados e fracionados, evitando a perda de insumos. Paralelamente, reduziu o mix de produtos e alterou a receita de alguns pratos mais consumidos na hora do almoço. "Conseguimos economizar 5% sobre o faturamento, que no ano passado chegou a R$ 11 milhões", diz o diretor Jorge Torres.

 

Fonte: Valor Econômico *Leia na íntegra no site do Valor