09/09/2014 - Doces americanos, como cookie e cheesecake, viram negócio para brasileiros

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Os doces norte-americanos têm invadido cada vez mais o Brasil. Por aqui, há lojas especializadas em cookies, brownies, cheesecakes e cupcakes, e até quem faça "sanduíches" de cookies com sorvete. Esse movimento segue a tendência de segmentação de negócios que começa a se consolidar no país, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

Aberta em dezembro de 2013 com investimento de R$ 110 mil, a loja Cheesecakeria, em São Paulo, é especializada no bolo feito com queijo. A empresa vende, em média, 700 minicheesecakes por final de semana, segundo a proprietária, Fernanda Zecker, 34. Cada unidade custa R$ 5.

Ela diz ter aprendido a receita com a avó ainda na adolescência. Mais tarde, começou a preparar a sobremesa –que sempre era elogiada– para encontros familiares e de amigos. Em 2011, após uma viagem aos Estados Unidos, percebeu que poderia transformar seu hobby em um negócio.

"Na Califórnia, vi muitas lojas especializadas num produto único e resolvi fazer o mesmo por aqui", diz. Zecker, então, criou uma página no Facebook para divulgar seus cheesecakes. Em poucos meses, o dinheiro das vendas já igualava seu salário como advogada: R$ 10 mil, na época.

Foram dois anos até abrir a loja física. Nesse período, a empresária fez cursos, ampliou os sabores disponíveis e alterou a receita para que tivesse maior aceitação. "Suavizei o sabor de queijo, que na receita original era muito forte e poderia não agradar o paladar da maioria dos brasileiros", afirma.

Ao todo, a loja tem 18 opções de cobertura para o cheesecake, como goiabada, doce de leite, maracujá, paçoca, sonho de valsa e o tradicional, de frutas vermelhas, carro-chefe do negócio.

A fatia individual custa R$ 15 e o bolo para 15 pessoas sai por R$ 160. Por mês, a empresa fatura R$ 60 mil, somadas as vendas de todos os produtos.

 

Loja de cookies vira rede de franquia

Especializada em cookies, a rede Mr. Cheney foi criada em 2004, com investimento de R$ 180 mil. A empresa vende o biscoito em dez sabores diferentes, como macadâmia, nozes, pasta de amendoim, chocolate branco e M&Ms. Cada unidade custa R$ 4,75.

Para abastecer as 31 lojas da rede (26 franqueadas e cinco próprias), a empresa investiu R$ 1,5 milhão em uma fábrica própria, onde são produzidos 200 mil cookies por mês, segundo o fundador da marca, Lindolfo Paiva, 49.

"O franqueado recebe o produto congelado e só precisa assá-lo. A nova fábrica tem capacidade para atender até 400 lojas", afirma o empresário. No ano passado, a rede faturou R$ 12 milhões.

Para abrir uma loja da franquia, o investimento inicial varia de R$ 250 mil a R$ 280 mil (inclusos instalação, taxa de franquia e capital de giro). O faturamento médio mensal de uma unidade é de R$ 45 mil, segundo Paiva. A margem de lucro, no entanto, varia de R$ 5.400 a R$ 11,2 mil.

Paiva diz ter aprendido a receita com o norte-americano Jay Cheney (daí o nome da empresa). Os dois se conheceram, em 1986, quando faziam trabalhos voluntários em Bagé (RS). Mais tarde, Cheney tornou-se chef em uma loja especializada em cookies nos Estados Unidos, e ensinou a receita ao amigo em visita ao Brasil.

 

Espaço para expandir no mercado é limitado

O mercado apresenta espaço limitado para as lojas de doces norte-americano, para o professor de empreendedorismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Nelson Fragoso. "São produtos focados nas classes de maior poder aquisitivo e, por conta disso, a oferta de pontos comerciais próximos a esse público é menor", diz.

Além disso, esses modelos de negócio são facilmente copiados, de acordo com o diretor da consultoria Food Service Company, Adri Vicente Júnior. Para não ficar para trás na disputa com os concorrentes, a empresa precisa ser fiel ao que se propõe a vender.

"Se o empresário diz que a receita dele é a original dos Estados Unidos, ele tem de cumprir. Hoje, as pessoas estão viajando mais. Se o produto não for igual ao que elas consumiram lá fora, haverá um impacto negativo para o negócio", afirma.

Segundo Fragoso, para se manter no mercado, as empresas precisam investir na variedade de sabores e em produtos complementares. "A loja pode ser especializada, mas não deve depender de um único produto com um único sabor", declara.

 

Fonte: UOL Economia