19/03/12 - Comer lanche fora de casa está mais caro em SP

Comer um hambúrguer, um cheese-salada ou misto-quente com um suco está mais caro na Região Metropolitana de São Paulo. O preço do lanche subiu 3,7% só nos dois primeiros meses do ano, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta é quatro vezes maior que a inflação geral de 0,87% no mesmo período e o reajuste mais alto desde 2007.

De acordo com a gerente do IPCA, Irene Machado, o preço da alimentação fora de casa está subindo de uma forma geral desde o ano passado e continua pressionando o índice de inflação este ano. “A alta pode estar relacionada à combinação de elevação da renda, aumento de demanda e encarecimento dos insumos usados no preparo dos lanches”, afirma.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP), Joaquim Saraiva de Almeida, o aumento dos preços logo no começo do ano pode estar relacionado a uma minoria de empresas que optaram em segurar os repasses do final do ano passado para aplicar em 2012 ou dividir o reajuste em duas etapas. Isso porque, em geral, a remarcação de preços é feita entre outubro e novembro após a revisão dos custos ser feita.

O segundo semestre é escolhido para a revisão dos valores cobrados porque em julho é definida a correção salarial da categoria. Já nos meses seguintes os principais insumos, como a carne e derivados de leite, sofrem alterações de preço por causa da entressafra.

Outros ingredientes também podem sofrer alteração no preço em razão de fatores climáticos ou aumento de demanda, por exemplo, e causar impacto nos custos do estabelecimento e consequentemente ser repassado para o consumidor. Além disso, o setor inclui na conta os gastos com as tarifas de água, energia elétrica, aluguel e impostos.

 

Vem mais

Diante dos fatores que pesam no preço do lanche, portanto, o consumidor pode esperar mais reajustes ao longo do ano. Só em 2011, o lanche ficou mais caro, em média, 8,55%, segundo o IPCA.

“As pessoas não conseguem se deslocar com facilidade em São Paulo e elas têm a necessidade de almoçar fora de casa, próximo do emprego, para ganhar tempo e evitar o estresse dos deslocamentos. A melhora da economia e mais pessoas no mercado de trabalho favorecem o setor de alimentação fora de casa, principalmente no almoço”, diz Saraiva.

É o caso do bancário Thiago Marques Lopes dos Santos, de 25 anos, que sempre almoça fora de casa. Quando o dia está muito corrido, ele costuma comer um lanche. “Já cheguei a pagar R$ 8 por um misto-quente. Se peço mais um suco gasto mais de R$ 10 e ainda não fico totalmente satisfeito. Fazer um lanche poderia ser uma alternativa mais barata, mas sai caro também”, diz. Santos também costuma comer lanche nos finais de semana com a mulher. “Mas não dá para ir sempre senão fica muito caro”, conta o bancário.

A consultora de relacionamento Cláudia Cerqueira, de 26 anos, também acha os preços dos lanches elevados, mas não deixa de consumi-los. “Almoço todos os dias fora”, conta Cláudia, que de segunda a quinta-feira faz refeições completas, mas de sexta-feira prefere comer um lanche.

A consultora também frequenta hamburguerias, que vendem opções mais elaboradas. “É um pouco mais caro, mas atende à minha expectativa.”

Os estudantes Fábio Renan de Oliveira, de 18 anos, e Guilherme Gomes Pereira da Silva, de 16 anos, vieram de Araçatuba para visitar o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Museu do Ipiranga na capital. “Visitamos São Paulo pelo menos uma vez por ano. O custo de vida aqui é muito alto e já viemos preparados sabendo que vamos gastar mais para comer”, conta Oliveira.

 

Fonte: Estadão