26/08/2014 - Uma cerveja com sabor 'bourbon', por favor

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A nova onda das cervejarias é o "vintage", com o armazenamento do líquido em antigos barris de madeira

 

Nova York - Faz tempo que a produção de cerveja dos Estados Unidos decidiu ir muito além da conhecida Budweiser, mas agora a nova onda das cervejarias é o "vintage", com o armazenamento do líquido em antigos barris de madeira, utilizados para o envelhecimento de "bourbon", vinho e brandy, para se encher com seu sabor.

 

A cerveja, tradicionalmente a bebida alcoólica mais barata do cardápio de um bar, vem há alguns anos reivindicando sua condição de produto sofisticado: são feitas degustações, visitas guiadas às cervejarias, a gama de sabores se multiplica e os preços sobem, exatamente como a espuma.

 

"Como mestres cervejeiros, estamos sempre buscando formas de conseguir novos sabores. E uma maneira que encontramos foi o envelhecimento da cerveja em barris que antes foram utilizados para o vinho e outras bebidas", explicou à Agência Efe Damian Brown, um dos responsáveis da The Bronx Brewery, que distribui sua bebida por toda Nova York.

 

Em sua cervejaria há 50 tonéis para cervejas envelhecidas em barris de gin, "bourbon" e vinho. Outras, como a The Brooklyn Brewery, disponibilizaram mais de 2 mil barris para o envelhecimento de cerveja que se concentram exclusivamente no sabor "bourbon".

 

Já a Other Half Brewing tem sua preferência pelo aroma do vinho. Atrás ficam as cervejas frutadas e fermentadas com diferentes cereais. Este tipo flerta com o conceito de coquetel.

 

Além da imaginação dos produtores, agora existe também a predisposição dos consumidores.

 

"Antes havia muitos preconceitos sobre o que se poderia pedir em uma cerveja. Mas isso mudou nos últimos anos e as pessoas não se importam com uma cerveja que se parece com vinho, se deram conta que o sabor é tão bom ou melhor que podem escolher exatamente o que querem", comentou à Agência Efe Zach Mack, proprietário de um bar especializado em cerveja no East Village de Nova York.

 

Superado esse preconceito, foi criado todo um mercado "gourmet" para as cervejas e ele não se restringe à cerveja americana, mas atualmente reúne várias tendências que ocupam a obsessão do consumidor, coroadas, como diz Mack, por "algo tão (norte) americano como agregar sabores".

 

Por um lado, o impulso dado pelos processos artesanais, pois, depois de anos utilizando barris de aço inoxidável, a cerveja se reencontrou com a madeira de suas origens, o que remete a uma época tão glamorosa como a da Lei Seca.

 

O que, certamente, repercute no preço, de aproximadamente US$ 12 por garrafa.

 

"É muito mais caro do que o envelhecimento em tanques de aço inoxidável, tanto pelo tempo que envolve (algumas de nossas cervejas levam mais de um ano) como pelo preço de manutenção dos barris", comentou Brown.

 

Por outro lado, vivemos na era da sustentabilidade e o envelhecimento em barris de madeira envolve a reciclagem.

 

Entretanto, isso se deve mais ao acaso do que à consciência ecológica, pois quando os mestres cervejeiros decidiram reutilizar os antigos barris usados para o envelhecimento de outros licores e vinhos, se deram conta da sinergia que surgia com suas cervejas.

 

"Um tonel novo pode ser muito caro, portanto os primeiros que decidiram voltar à madeira foram até as destilarias para reutilizar os velhos barris e, assim, conseguir um melhor preço", explicou Mack.

 

Por último, é um produto local. "Provavelmente isso é o que mais nos agrada. É algo claramente americano e está funcionando", disse Mack, que descreveu o sabor da cerveja de "bourbon" como "delicioso".

 

Para ele, esta nova maneira de consumir cerveja é compatível com a de toda a vida. "É o mesmo que acontece com os hambúrgueres. Você até pode ir a um McDonald's, mas também existem opções mais sofisticadas", garantiu.

 

Mesmo com tanta erudição na produção de cerveja, tanto os produtores como os proprietários dos locais não querem que seu produto se transforme em um bem de luxo.

 

"A cerveja sempre será uma bebida do povo", opinou Brown, "só fazemos o possível para garantir que ela seja da melhor qualidade e que conquiste a imaginação, o coração e a mente" dos consumidores, acrescentou.

 

Fonte: Revista Exame