20/08/2014 - Governo estuda adiar reajuste das bebidas

CLIPPING - NOTÍCIAS DOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DO PAÍS

 

Segundo técnicos da equipe econômica, embora seja preciso corrigir valor da base para a incidência do IPI e do PIS/Cofins, decisão é política e considerafatores como disputa eleitoral e impacto sobre a inflação

BRASÍLIA - O governo federal estuda adiar novamente o reajuste da tributação do setor de bebidas frias, previsto para começar em setembro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ontem que o governo não desistiu da ideia de aumentar a tributação desse segmento, que inclui cervejas, refrigerantes, refrescos e isotônicos. Mas disse que ainda conversará com representantes do setor sobre o assunto.

- A gente vai conversar com o setor - afirmou Mantega.

Segundo técnicos da equipe econômica, embora seja preciso corrigir o valor das tabelas de preços que servem como base para a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do PIS/Cofins, essa decisão é política e leva em consideração outros fatores, como a disputa eleitoral e o impacto que isso terá sobre a inflação. Foi por isso que Mantega decidiu conversar com o setor antes de bater o martelo. De acordo com assessores, o ministro vai convidar as empresas para uma conversa ainda esta semana ou na próxima.

A elevação da tributação de bebidas frias havia sido anunciada no fim de abril e entraria em vigor em 1º de junho, muito perto do início da Copa do Mundo. Mas em maio, depois de uma ameaça do setor e bares e restaurantes de elevar em até 12% os preços de bebidas e demitir 200 mil trabalhadores, o governo federal recuou e decidiu adiar a atualização da tabela de preços para setembro. O problema é que isso deixou a decisão para um momento delicado, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial.- Isso pode acabar fazendo com que haja um novo adiamento - admitiu um técnico.

Além de se preocupar com o impacto da atualização das tabelas de preços sobre os índices de inflação, o governo quer evitar um desgaste político. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, defendeu um adiamento na elevação dos tributos. Além disso, ele disse que o setor quer uma mudança no modelo de tributação das bebidas frias, que hoje ocorre por meio de uma correção das tabelas de preços desses produtos. Solmucci espera uma solução até o fim do ano, mas acredita que isso não ocorrerá antes das eleições presidenciais.

- A atual forma de correção das tabelas cria um processo inflacionário e precisa mudar. Pensamos que o prazo de três meses que havia sido dado seria suficiente para discutir um novo modelo, mas não foi - disse Solmucci, que defendeu ainda que a atualização da tabela seja diluída em um período que vai de três a cinco anos. - O setor está vivendo um momento de rentabilidade muito baixa e o consumidor está gritando que não aguenta mais aumento de preços - afirmou.

 

Fonte: O Globo