04/08/2014 - Vendedores de praias do Rio viram empresários após sucesso na areia

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Dona da Barraca da Vanda abriu restaurante no Leblon. Aos 19, Rafael vendia na areia; aos 27, tem duas lojas e quer franquia.

Aos 66 anos, Vanda Pires, enfim, vai abrir o próprio negócio. Ela e o filho Leandro Raggio, donos de barracas de drinques na praia do Leblon, área nobre na Zona Sul do Rio, reuniram as economias para abrir um restaurante em um dos metros quadrados mais caros da cidade: a Rua Dias Ferreira, a 900 metros do seu ponto nas areias, no Posto 12. O Bença será inaugurado nesta sexta-feira (1º) com pratos brasileiros típicos e bebidas como as feitas na tenda, que alavancaram os lucros e elevaram mãe e filho ao improvável patamar de empresários. A história é incomum, mas não é a primeira erigida nas areias cariocas.

Não muito distante de onde a barraca de Vanda foi montada há 15 anos na frente da Rua Rainha Guilhermina, um caminho semelhante começou a ser traçado. Em 2006, Rafael Krás fez oito hambúrgueres vegetarianos e levou para vender na Praia de Ipanema. O sabor de um e o carisma de outro garantiram o sucesso do sanduíche de soja, apelidado de "Hareburguer". Hoje, Rafael (também apelidado, de HareRafa) tem duas lojas de fast food saudável e disponibilizou a marca para interessados em criar filiais.

No caso dele, o "estalo" apareceu da necessidade de juntar dinheiro para viajar com a namorada para a Bahia nas férias — uma missão difícil para um estudante de 19 anos desempregado. Deu certo. Oito anos depois, eles estão noivos e ela é sócia em uma das lojas. Vão se casar no mesmo mês de setembro, quando a primeira loja foi inaugurada em Copacabana. Comprar as passagens, desta vez, foi bem mais fácil. Em vez da Bahia, passarão a lua-de-mel em Bariloche.

Já para a Dona Vanda (agora mais "dona" do que nunca!), o sonho de abrir um estabelecimento é antigo. Ex-comissária de bordo, ela caiu de paraquedas no mercado informal depois de perder espaço no mercado de trabalho. "Na aviação comercial, depois dos 30, a pessoa é velha. E é difícil entrar no mercado depois de muitos anos voando", diz.

Com a simpatia, conquistou clientes no Posto 12. Com os drinques aprendidos pelo filho com o bartender Walter Garín, as vendas aumentaram. Eles juntaram dinheiro e compraram o imóvel do restaurante recém-fechado, onde funcionava o Azeitona e Cia (que virou até bloco de carnaval).

O sonho da família estava prestes a ser realizado, mas sem a presença de alguém importante. Mal sabia ela que, ao voltar do hospital onde o marido acabara de morrer, encontraria o seu mais novo restaurante devastado por um incêndio. "Meu lema é: 'eu posso tudo'. Às vezes, chegamos a achar que não ia dar", diz ela.

O filho completa. "Um ia dando força para o outro. Demoramos cerca de um ano e meio juntando dinheiro para comprar [o restaurante]. Vendi um veículo, me desfiz de uns bens materiais. Tudo em prol de um sonho", resumiu Leandro.

 

A marca Sucolé

Mais do que a realização pessoal, a criação de um novo negócio é uma questão de sobrevivência para quem vive nas areias. "Vendo mais no verão, mas, às vezes, chove muito até mesmo no verão. É relativo. A jogada é não depender só da praia", garante Luis Claudio Santos Barros, conhecido como Claudinho. O sucolé dele — uma batida de frutas não alcoólica servida em saquinho — virou mania há mais de duas décadas.

Recentemente, no entanto, ele resolveu recorrer a investidores para transformar o Sucolé do Claudinho em sorvete. Além disso, quer abrir um negócio de venda de polpa de fruta, que possa render lucros o ano todo. "Virei empresário, mas não largo a praia. Não fico só na fábrica. Às vezes, saio como ambulante. Até porque construí uma relação com os meus clientes e tem todo o lado do marketing, a divulgação", frisou.

 

Fonte: G1 - Rio de Janeiro