28/07/2014 - Com "boom" de restaurantes, culinária japonesa se populariza em Londrina

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Para especialistas, casas que oferecem comida oriental agradam a um público variado por conta da variedade, sabor e preço acessível. Restaurantes tradicionais e redes dividem espaço no mercado local

A sensação de que existe um restaurante japonês a cada esquina de Londrina pode estar muito próxima de ser verdade. Somente nos últimos três anos, cerca de 30 novos estabelecimentos deste tipo foram abertos na cidade, segundo estimativa da Associação de Bares e Restaurantes de Londrina (Abrasel). “Há um apreço muito grande dos jovens pela culinária oriental, especialmente pela japonesa, que oferece diversas opções de pratos por preços relativamente acessíveis”, analisa o presidente da Abrasel em Londrina, Arnaldo Falanca.

Para o professor de Culinária Internacional do Centro Universitário Filadéldia (Unifil), Fabiano Pedroso, a popularização dos restaurantes japoneses ganhou força no Brasil há cerca de cinco anos, especialmente por conta dos estabelecimentos especializados em temakis, sushis e sashimis. “Há alguns anos, quando eu trabalhava no Rio de Janeiro, os temakis clubes estavam na moda e ganharam espaços em outras regiões do Brasil gradativamente.”

Para Pedroso, apesar de chegar tardiamente ao Norte do Paraná, a moda dos restaurantes japoneses tem uma vantagem na região: o número de descendentes de imigrantes. “Além dos próprios descendentes preservarem e gostarem da culinária tradicional, os ocidentais que moram nessa região têm respeito e gostam muito dessa especialidade.”

 

Tradição

Miguel Masuda conta que foi o primeiro a investir em um restaurante propriamente japonês em Londrina, há pouco mais de 19 anos. “Quando eu abri o Kabuto tinha apenas um estabelecimento que vendia comida japonesa, mas vendia chinesa também em uma espécie de karokê. Por isso, eu acredito que fui o primeiro”, defende. Masuda afirma que, para se manter em um segmento cada vez mais competitivo, decidiu cultivar o que ele acredita ser a essência da culinária nipônica: a beleza na arrumação do prato.

“A comida japonesa aguça três sentidos principais: visão, olfato e paladar. Mas o visual é essencial. Quem não tem esse cuidado, peca na tradição.” Além disso, Masuda afirma que a opção de manter sempre o mesmo sushiman, no caso ele próprio, é um diferencial do Kabuto. “A pessoa percebe quando muda o sushiman, porque muda a espessura, o corte. Manter o produto sempre igual agrada muito o cliente”, ensina.

Rosangela Shimizu, proprietária do Restaurante Kyoda, também mantém uma das mais tradicionais e antigas cozinhas japonesas de Londrina. Ela conta que o restaurante foi inaugurado há 18 anos pelo sogro, que já tinha experiência adquirida no preparo dos pratos em um restaurante de São Paulo.

Ela diz acreditar que a opção pela culinária tradicional mantém um público fiel, formado por pessoas das mais variadas idades. A única adaptação realizada pela casa foi a opção de rodízio. “Eu sei que o meu preço não é dos menores, mas nós oferecemos apenas alimentos muito frescos e os nossos clientes sabem e valorizam isso.” Ela conta que alimentos típicos do ocidente, como cream cheese, rúcula e tomate seco, por exemplo, não integram o menu do Kyoda. “Eu, particularmente, gosto do sushi com rúcula e tomate seco, mas decidimos não aderir a essas adaptações porque preferimos oferecer a cozinha oriental clássica.”

 

Fonte: Jornal de Londrina