25/07/2014 - Segurança alimentar em xeque na China

CLIPPING - NOTÍCIAS DOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DO PAÍS

 

A China passa por mais um escândalo de segurança alimentar, e desta vez até os fornecedores estrangeiros estão na mira.

Nos últimos cinco dias, clientes de restaurantes desde Xangai até Tóquio ficaram atordoados por revelações de que hambúrgueres, nuggets de frango e outros produtos adquiridos em algumas das mais famosas redes de fast food do mundo - como o McDonald's, a KFC e a Pizza Hut, as duas últimas controladas pela Yum! Brands - foram feitos com carne estragada.

A carne veio de uma divisão chinesa do OSI Group, processadora de alimentos com sede em Aurora, no Estado americano de Illinois. Essa divisão, a Shanghai Husi Food, apareceu em reportagem na TV chinesa no dia 20 que mostrava trabalhadores reembalando carne velha e mudando as datas de validade antes de remetê-la às varejistas. Em suas investigações, a polícia de Xangai já deteve cinco pessoas envolvidas.

"Acho que não existe nenhum alimento seguro na China", disse Yang Xue, de 30 anos, um auxiliar de escritório de Xangai. "Se você escolher outros produtos, o mesmo problema vai voltar a ocorrer. O governo deveria assumir a responsabilidade por causa de sua falta de supervisão", afirmou.

A reportagem da TV estatal Dragon mostrou imagens feitas com câmera oculta de trabalhadores nas instalações da Husi em Xangai trocando as datas de validade de carnes de frango e bovina vencidas. Depois da divulgação da reportagem, Starbucks, Burger King e lojas de conveniência da rede 7-Eleven deixaram de vender produtos da empresa. O governo do Japão também suspendeu importações da Shanghai Husi após a FamilyMart ter recolhido os produtos da processadora de seus pontos de venda japoneses.

A desconfiança dos consumidores chineses com o leite e outros alimentos nacionais os atraiu para as marcas estrangeiras.

Essa preferência por marcas externas beneficiou redes de restaurantes estrangeiras no passado, percebidas pelos clientes chineses como as redes que serviam alimentos mais limpos, disse James Button, diretor da consultoria do setor Smithstreet, sediada em Xangai.

"Os consumidores tinham antes uma ilusão de segurança", disse Button. "Se a pessoa comer num pequeno restaurante de propriedade familiar, pode não confiar inteiramente que a casa usa óleo limpo ou se a carne é fresca. Essa mesma preocupação agora abarca todas" as comercializadoras de alimentos e bebidas.

A China está tentando fortalecer a segurança alimentar do país com mais punições por infrações, intensificação da fiscalização de informações sobre segurança alimentar e aumento dos valores das indenizações a consumidores, todas medidas previstas em novo projeto de lei.

 

Fonte: Valor Econômico *Para ler a matéria na íntegra, visite o site do Valor