22/07/2014 - Gestão de resíduos: um compromisso do setor

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Fazer a correta separação dos materiais contribui para o meio ambiente e já se tornou um diferencial competitivo

No Brasil, de acordo com estudo realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2012 foram geradas quase 64 milhões de toneladas de resíduos sólidos, o que equivale a uma geração per capita de 383 quilos por ano. Desse total, 51,4% do material coletado foram matéria orgânica, 13,5% plástico, 13,1% papel, papelão e tetra pak; 2,9% metais, 2,4% dos resíduos foram vidro e 16,7% outros materiais.

Atualmente, menos de 2% desses resíduos são submetidos à compostagem ou são utilizados para aproveitamento energético – destinos ambientalmente corretos e que agregam valor econômico para o material que seria descartado.

Para tentar reverter essa situação, desde 2010 vigora no Brasil a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Baseada no conceito de responsabilidade compartilhada, a sociedade como um todo – cidadãos, governos, setor privado e sociedade civil organizada – passou a ser responsável pela gestão ambientalmente correta dos resíduos sólidos.

As responsabilidades do setor privado, o que inclui bares e restaurantes, são o gerenciamento ambientalmente correto dos resíduos sólidos, pela sua reincorporação na cadeia produtiva e pelas inovações nos produtos que tragam benefícios socioambientais, sempre que possível.

Rosa Maria Nakabayashi, bióloga e gestora ambiental, explica que a PNRS exige que a gestão seja realizada. “Todas as empresas são obrigadas a fazer a reciclagem e reutilização. Em bares e restaurantes, as ações se fazem mais necessárias, uma vez que um dos maiores resíduos são as sobras de alimentos, que não deveriam ser descartadas e misturadas a outros tipos de resíduos”, explica.

O ideal, segundo ela, é recolher as sobras, como as cascas de alimentos e demais matérias orgânicas e realizar, por exemplo, uma compostagem. O material entrará em decomposição e poderá virar adubo. Porém, nem todos os alimentos podem passar por esse processo. “Alimentos prontos muito ácidos, como arroz temperado com alho e cebola e carne frita são mais difíceis para entrarem em decomposição”, alerta. Já os legumes, por exemplo, são ideais para esse procedimento.

Além dos orgânicos, outros materiais podem e devem ser reciclados, tais como latas de alumínio de cerveja e refrigerantes, garrafas pet, caixas de papelão e embalagens.

Para fazer essa separação, Rosa Maria orienta que é necessário ter coletores. “O microempresário não precisa gastar muito. Apesar de existirem cores específicas para cada tipo de resíduo, em estabelecimentos menores pode-se usar duas lixeiras, de cores diferentes, com pedais e tampa, para separar o resíduo orgânico do reciclável”, sugere. Em cidades e bairros onde ainda não existe o recolhimento pela prefeitura, a dica é levar o material aos centros de coletas e até a grandes supermercados, que recebem esses resíduos e fazem parcerias com associações de catadores de papel.

Entretanto, para que essa gestão funcione, ela diz que, por menor que seja o estabelecimento, é importante realizar treinamentos constantes com todas as pessoas que fazem parte da equipe. “Em um bar ou restaurante quem vai tirar os pratos da mesa é o garçom. Ele já pode colocar os restos da comida no coletor certo”, reitera.

Outra forma de realizar a gestão dos resíduos é evitar a sua produção. “Além de dar o destino adequado aos resíduos, os bares e restaurantes precisam evitar os desperdícios. Nos restaurantes a quilo, por exemplo, ao cozinhar uma determinada quantidade de arroz, deve-se questionar se aquela porção é realmente a ideal ou se pode ser preparado um pouco menos”, ressalta.

 

Exemplo a ser seguido

Desde que foi fundado, em 2009, o restaurante Rima dos Sabores, em Belo Horizonte (MG), utiliza os três “R” da sustentabilidade: Reduzir, Reciclar e Reutilizar. De acordo com Juliano Caldeira, dono do restaurante, ele resolveu aplicar o que já fazia em casa. “Já separava os reciclados junto a minha esposa há bastante tempo e resolvemos incluir também no nosso negócio”, explica.

A mesma orientação dada por Rosa Maria foi a que Caldeira recebeu da Associação dos Catadores de Papel Papelão e Material Reciclável (Asmare): separar os materiais recicláveis – secos e limpos, dos orgânicos – o que é feito pela entidade.

A quantidade de material separado pelo Rima dos Sabores impressiona. São, em média, 250 quilos por semana. “Juntamos muitas garrafas, mais de 300 semanalmente”, constata. No entanto, todo esse material não vem apenas do restaurante. A comunidade do entorno também leva seus resíduos para o Rima dos Sabores, que acabou se tornando um ponto de referência quando o assunto é reciclagem e sustentabilidade.

Todo o óleo do restaurante também é reciclado, evitando assim danos à saúde humana e poluição ambiental. “A Recoleo recolhe nosso óleo semanalmente para empresas de biodiesel. Alguns vizinhos e clientes também deixam, semanalmente, óleo para recolhimento”, afirma Caldeira.

As ações não param por aí. Além de a Asmare recolher o material para reciclagem, ela também fornece todo o mobiliário e decoração utilizados no restaurante, promovendo a redução dos resíduos, a inclusão social e contribuindo economicamente para melhorias na vida dos catadores e artistas da Asmare.

Para quem ainda não faz a gestão de resíduos, o empresário deixa seu depoimento. “É trabalhoso, pois não é sempre que conseguimos alguém para buscar os reciclados e, nesse caso, eu mesmo levo no meu carro aos galpões. Não me custa muito, apenas um pouco do meu tempo e dos funcionários para levar até a garagem do bar diariamente, onde guardo e faço a destinação final, toda semana. Temos de ter mesmo é boa vontade”, finaliza.

 

Fonte: Revista MNMV nº9 - Matéria na íntegra disponível na revista