18/07/2014 - O equilíbrio entre luz e sombra

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A importância dos projetos de iluminação para atrair mais consumidores e aperfeiçoar a experiência e satisfação

De detalhe, a iluminação não tem nada. “É por meio dela que se decide que características ressaltar e quais deixar à sombra”, explica de antemão o arquiteto e lighting designer Guinter Parschalk, que atualmente comanda o Studio IX, em São Paulo. Em seu escritório, a importância da luz para os projetos foi traduzida em um conceito: ela é considerada “um componente indissociável da arquitetura e do espaço construído e, portanto, matéria-prima virtual para atender as necessidades dos clientes, sejam elas funcionais, econômicas, formais ou emotivas.”

Sendo assim, tão imprescindível, o que muda em um bar ou restaurante com um bom projeto de iluminação? “Muda tudo para quem tem dois olhos”, responde Parschalk, enfaticamente. E acrescenta: “a luz é a primeira impressão da arquitetura. Quando você vê uma coisa atraente, você prova”, explica. Em se tratando de restaurantes e estabelecimentos afins, a iluminação deve acompanhar esse contexto, sendo coerente com o produto e o perfil do público.

Para os espaços mais aconchegantes, ele exemplifica, o melhor é usar lâmpadas mais amarelas e de tonalidade âmbar, que remetem ao nascer e pôr do sol. “É algo que existe desde a época das cavernas e das fogueiras.” Já a luz que puxa para o branco e para o azul é indicada para um ambiente mais dinâmico. Não dá para estabelecer padrões rígidos, mas, prestando atenção em espaços bem planejados, é possível identificar as propostas de ambientes mais intimistas nos serviços à la carte, ou de espaços mais claros em restaurantes do tipo self-service e fast-food.

Especialista em projetos comerciais e há mais de dez anos à frente de seu próprio escritório de arquitetura e design de interiores, instalado no Rio de Janeiro, a arquiteta Daniela Mattos também defende o protagonismo da iluminação nos projetos arquitetônicos. “É um dos fatores mais importantes para o sucesso de um estabelecimento, pois vai contribuir para a impressão que as pessoas terão do local, destacar os pontos de maior interesse, o ambiente e as cores”, avalia.

 

Nem demais nem de menos

A chave está no equilíbrio, garantem os especialistas. É possível criar ambiências diferentes apenas promovendo mudanças na iluminação. Em outras palavras, não é preciso jogar tudo a baixo para reformar um espaço e torná-lo mais convidativo. Porém, claro, tudo depende do que já existe e do que precisa ser feito. “Podemos transformar um ambiente sem graça em um local interessante”, ressalta Daniela Mattos. Para isso, explica, é possível “criar diversas cenas variando o tipo e a quantidade de luz, com grupos de luminárias e dimmers – dispositivos que controlam a intensidade da luz produzida – apropriados. Sempre tomando cuidado, pois tanto ambientes muito claros quanto muito escuros são desconfortáveis.”

Além de contribuir para criar a ambiência, a iluminação organiza e hierarquiza os espaços. Com ela, os arquitetos definem fluxos, planejam e direcionam a comunicação visual. E, assim como é relevante pensar na experiência dos clientes, as atividades operacionais ou gerenciais devem ser contempladas nos projetos. É fundamental satisfazer, por exemplo, as tarefas de limpeza e manutenção para permitir uma boa condição de uso.

Ponto importante para quem pretende contratar um projeto luminotécnico é o investimento que precisa ser feito. O que só pode ser avaliado caso a caso. Entretanto, Daniela Mattos destaca que “a economia de luz é um fator importante a ser levado em consideração, pois dependendo do tipo de lâmpada que utilizamos, podemos reduzir os custos ou elevá-los muito. Optar por lâmpadas de LED significa um investimento mais alto, mas elas consomem muito menos energia.

 

A ciência por trás das escolhas

Os efeitos, inclusive os indesejados, provocados pela iluminação estão relacionados ao fato de ela ser um agente que interfere nas condições comportamentais, influenciando o ritmo e desempenho no dia a dia. A arquiteta e doutoranda Cláudia Vargas confirma isso. Ela desenvolve e coordena uma pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (no Grupo ProLUGAR/PROARQ/ UFRJ) e estudou, durante o mestrado, a influência da iluminação em projetos de arquitetura destinados aos serviços de alimentação.

Segundo ela, a iluminação de estabelecimentos comerciais “pode induzir mais ou menos ao consumo, considerando que a percepção da luz provoca alterações comportamentais e de humor que vão influenciar nas avaliações sobre a qualidade desses ambientes. Essas sensações, provocadas nos usuários após a experiência, possivelmente serão duradouras e influenciarão em atitudes futuras”, avalia.

 

Noite e dia

Para criar experiências positivas, fora de shoppings e praças de alimentação onde sequer é possível ter a noção de quando é noite ou dia, os bares e restaurantes localizados na rua precisam integrar a iluminação artificial com a natural. Nessa condição, a pesquisadora Cláudia Vargas, que também dirige o próprio escritório especializado em projetos para o setor, sugere tratar das questões relacionadas ao controle da incidência da radiação solar direta e seus ofuscamentos, conforme a proposta arquitetônica do lugar, por meio do uso inteligente de barreiras de proteção que bloqueiem a incidência direta, mas, ao mesmo tempo, permitam o aproveitamento dessa luz.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº97 - Matéria na íntegra disponível na versão impressa