17/07/2014 - Acessibilidade é inclusão

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Garantir a mobilidade em bares e restaurantes é uma obrigação, mas pode se transformar em uma forma de conquistar o cliente

Quem já teve um pé quebrado ou alguma lesão que o impedisse de exercer as atividades com a mesma intensidade que antes, sabe como é incômodo estar em um local com muitos degraus, sem sinalização e acesso adequado. Imagine os milhões de brasileiros com deficiência ou mobilidade reduzida? Ser tratado com respeito e dignidade em um ambiente é um direito de todo cidadão. A acessibilidade garante a inclusão das pessoas e tem se tornado pauta para gestores de bares e restaurantes.

Atualmente, existe um entendimento e preocupação do empresário do setor em adaptar seu espaço para oferecer mais segurança e autonomia a seus clientes. Muitos estabelecimentos, inclusive, passaram a incorporar diretrizes no sentido de universalizar a mobilidade em seus espaços. Apesar dos avanços, muitos proprietários de bares e restaurantes ainda não sabem exatamente o que precisam modificar e têm dúvidas com relação à norma que rege a acessibilidade.

Segundo Aline Ostrowska, arquiteta do escritório Popovic e Ostrowska, a acessibilidade em bares e restaurantes deve ser implantada, sobretudo conforme a Norma Técnica da ABNT NBR 9050/04 – Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos. A regulamentação garante o uso do espaço por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, o que inclui indivíduos em cadeiras de rodas, idosos, gestantes ou obesos, por exemplo.

Ela ressalta que é comum os empresários executarem as obras de acessibilidade sem a realização de um projeto prévio e, às vezes, sem considerar as Normas Técnicas. “O resultado é prejuízo financeiro para o estabelecimento, pois as adaptações acabam sendo reconstruídas, o que resulta em uma ineficiente utilização dos espaços ou equipamentos”, alerta. A fim de evitar problemas futuros, a arquiteta aconselha que um profissional especializado para elaborar o projeto e acompanhar a obra seja sempre consultado. “Não adianta ter um desenho bonito, um ambiente diferenciado e não estar dentro das Normas”, explica.

 

Pontos prioritários

Existem algumas exigências que não podem ser esquecidas. O empresário do segmento precisa ficar atento à Norma e também aos pontos prioritários para melhor atender as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Abaixo, é possível encontrar algumas dicas da arquiteta, especialista em acessibilidade e membro do conselho Municipal dos Direitos das pessoas com Deficiência, Bárbara Rabelo.

Rebaixamento da calçada para acesso ao estabelecimento: mesmo que um cliente com mobilidade reduzida vá de carro ou de taxi, em algum momento, ele precisará acessar a calçada para chegar ao estabelecimento.

Rampa vencendo desnível na entrada (quando esse existir) com inclinação adequada: a entrada de muitos estabelecimentos possui degraus e não há rampas para vencer o desnível com a devida inclinação máxima de 8,33% para até 80 centímetros de desnível.

Banheiro acessível: a falta de banheiro acessível no estabelecimento, (tendo em vista que se trata de uma necessidade básica) impossibilita que o cliente com alguma deficiência ou mobilidade reduzida frequente o estabelecimento. O banheiro precisa de uma porta com largura mínima de 80 centímetros, vaso com altura entre 43 centímetros e 45 centímetros com assento, lavatório com altura entre 78 centímetros e 80 centímetros, barras de apoio associadas ao vaso e lavatório instaladas nas alturas adequadas, saboneteira e toalheiro com altura entre 80 centímetros e 120 centímetros, entre outros critérios estabelecidos pela NBR 9050/04.

Mobiliário acessível, sobretudo mesa e balcão de atendimento: mesmo que o estabelecimento ofereça mesas acessíveis, o balcão também precisa ter altura de pelo menos 90 centímetros e profundidade adequada para o uso.

Plataforma elevatória para acesso a outro(s) pavimento(s): se há no estabelecimento outros pavimentos acessados pelo público, é fundamental garantir a mobilidade por meio de plataforma elevatória, rampas ou elevador.

Deve-se evitar que ocorra a “acessibilidade assistida”: uma forma deturpada de acessibilidade alternativa em que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida dependem de funcionários ou de demais usuários para serem carregados no acesso aos veículos.

Ainda é importante oferecer: rota acessível que permita ao usuário condução adequada desde o veículo, ou via pública, até sua mesa e demais espaços do local; vaga reservada na via pública associada à rampa que vence o desnível da calçada; entrada com largura superior a 80 centímetros; circulação com largura mínima de 90 centímetros para permitir o deslocamento com conforto; sinalização visual (indicando, por exemplo, entrada, saída, banheiro, acesso ao segundo pavimento); sinalização de piso tátil nas calçadas e dentro do estabelecimento. Além disso, a NBR 9050/2004 da ABNT pede que 5% das mesas sejam acessíveis a pessoas com cadeira de rodas, sendo adotada pelo menos uma e recomenda que outros 10% sejam adaptáveis.

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº97 - Matéria na íntegra disponível na versão impressa