14/07/2014 - Tendência mundial, caminhões de comida estão chegando ao Rio

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Primeiro, os chamados 'food trucks' estacionam em eventos, e em breve nas ruas

A gastronomia de rua é um clássico carioca. Dos doces vendidos em tabuleiros pelas mulheres retratadas por Jean Baptiste Debret nos arredores do Paço Imperial, séculos atrás, ao podrão turbinado com milho, ervilha, passas, batata palha e ovo de codorna em carrocinhas da Lapa, há décadas, quitutes degustados na calçada estão arraigados na rotina da cidade. Agora, o cardápio urbano está prestes a ganhar um toque gourmet: no rastro do recente sucesso de São Paulo, o Rio quer botar os food trucks na rua. E está em vias de dar sinal verde à circulação de caminhões, furgões, trailers e vans que preparam comida de qualidade na caçamba.

O projeto de lei 808/2014, que prevê a “legalização e a organização do comércio de alimentos em logradouros públicos’’, está tramitando em comissões da Câmara Municipal. Elaborada pelo vereador Marcelo Queiroz (PP), a ideia foi alinhada com representantes do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio). Otimistas, renomados chefs estão investindo em cozinhas itinerantes, movimento que acompanha uma tendência já firmada em metrópoles do mundo todo, com destaque para as dos Estados Unidos.

— O food truck tem tudo a ver com o perfil do Rio, uma cidade voltada para a rua — acredita Pedro de Lamare, presidente do SindRio. — A ideia é ocupar lugares estratégicos com uma gastronomia acessível. Não é para competir com bares e restaurantes regulares, é para somar.

Lagoa Rodrigo de Freitas, Aterro do Flamengo e Praça Paris são alguns dos possíveis pontos onde serão estabelecidas vagas específicas para os furgões pilotados por chefs. A Zona Portuária, por sua vez, pode vir a servir de estacionamento fixo e sediar um food park oficial.

— Estamos obtendo parecer favorável, e a previsão é que, se aprovada, a lei entre em vigor até janeiro de 2015 — conta Marcelo Queiroz. — Além de contemplar cariocas no dia a dia, os food trucks são ótimos para grandes eventos. Na Jornada Mundial da Juventude, por exemplo, sofremos com falta de opção. Temos urgência: as Olimpíadas estão aí.

O conjunto de normas é uma adaptação da lei paulistana, que entrou em vigor em maio, para a realidade do Rio. Uma das diferenças é que, em solo carioca, seria vetada a permissão de mais de uma concessão à mesma pessoa jurídica, evitando assim a formação de redes itinerantes.

— O food truck é uma opção mais acessível a todos, inclusive para o chef que não tem grana para abrir o próprio negócio, como eu, nesse Rio de preços impraticáveis — diz Checho Gonzales, ex-Zazá Bistrô.

 

Destino temporário: evento e shopping

Enquanto a lei não vem, a caravana culinária começa a se fazer notar em eventos fechados. É o caso da vespa Ape dos anos 50 adaptada pelo Venga, estacionada no Parque da Bola, no Jockey Club, na Gávea, desde o início da Copa do Mundo. A filial itinerante do bar de tapas tem menu enxuto: croquetas de jamón, hamburguesas de atum, patatas bravas e churros de chocolate.

Findo o Mundial, o veículo retrô, comandado pelos sócios Fernando e Roberto Kaplan e Daniel Oelsner, tem planos de estacionar na ArtRio.

— No dia que sair a lei vamos botar o truck para circular por toda a cidade. Espero que seja em breve — torce Fernando.

Vizinho do food truck do Venga no Parque da Bola, o trailer paulistano Los Mendozitos chegou ao Rio para participar do evento de futebol. Após a Copa, a adega ambulante que vende rótulos de pequenos produtores de Mendoza, na Argentina, vai passar três meses no primeiro piso do Shopping Leblon. É o quarto trailer do trio Ariel Kogan, Danilo Janjacomo e André Fischer — os outros três estão em pontos estratégicos da capital paulista: na loja Adriana Barra, nos Jardins, na feirinha da Praça Benedito Calixto e no Butantã Food Park. Tanto na lei de lá quanto no projeto de cá, bebida alcoólica não pode ser comercializada em vias públicas.

— Recebemos convites de outros dois shoppings e de uma feirinha. A gastronomia de rua está cada vez mais forte no Rio — opina André, que, em dias de jogos do Brasil, vendeu, em média, 150 garrafas por tarde, a preços entre R$ 55 e R$ 79.

A advogada Maria Isabel Matos, de 30 anos, virou fã dos food trucks durante o Mundial. Comprava tacinhas no Los Mendozitos e comidinhas no Venga:

— Tinha ideia de comida de rua ser sinônimo de podrão, mas revi os meus conceitos. Além de tudo, o caminhãozinho vermelho e o trailer azul são duas fofuras. Estou me sentindo em Nova York.

 

Fonte: Caderno Ela - Jornal O Globo Para ler na íntegra, visite o site d'O Globo