30/06/2014 - Turistas da Copa em Manaus preferem fast-food e bares a restaurantes

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Enquanto restaurantes reclamam da queda no movimento, bares como o Armando comemoram a alta nas vendas

MANAUS – A procura dos turistas por bares, lanchonetes e restaurantes que vendem comida a quilo, os fast foods, aumentou mais de 50% em Manaus durante os jogos da Copa realizados na Arena da Amazônia. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), esse aumento tem relação com o perfil dos turistas. Porém, a entidade confirmou uma queda de 10% no volume de clientes nos estabelecimentos tradicionalmente a la carte no mesmo período.

De acordo com o administrador do Bar do Armando, Roberto Carvalho, as vendas no estabelecimento aumentaram 100% e o clima positivo de comemoração ganhou notoriedade mundial. “Foi boa a repercussão que o bar ganhou na imprensa local, nacional e até internacional”, observou. Segundo ele, os petiscos mais pedidos são os bolinhos de bacalhau e o sanduíche de pernil. Na carta de bebidas, a preferência é pela cerveja ‘estupidamente’ gelada seguida pela caipirinha tradicional. “Embora demore um pouco mais, é preparada de forma artesanal, amassando o limão e o açúcar no pilão, feita na hora”, disse.

O bar funciona há mais de 50 anos ao lado da Praça São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus. O fundador, “seu” Armando, era um português que manteve a tradição das receitas dos bolinhos de bacalhau e sanduíche de pernil, agora seguida à risca pelos herdeiros do local. “Ele veio de Portugal para melhorar de vida e conseguiu transformar o bar em um local bem frequentado por todos, intelectuais, juízes, desembargadores, médicos, lavadores de carro. Um local bem eclético, frequentado por todos. Esse é o legado que ele nos deixou”, salientou.

Para a presidente regional da Abrasel, Janete Fernandes, a queda na procura pelos restaurantes que servem pratos a la carte aconteceu por causa da sobretaxa nos preços dos cardápios praticadas pelas agências de viagens. Os turistas do grupo classe A foram os primeiros a procurar a Abrasel para fechar os pacotes. Mas, alguns turistas gaúchos, desse grupo A, fecharam um preço de R$ 119 e a agência chegou a cobrar R$ 600. “Mesmo o turista ganhando em euros, ele não está rasgando dinheiro. Esse é um dos exemplos, em que os turistas vieram procurar se informar com a Abrasel e descobriram que não era o preço aplicado”, informou via assessoria de comunicação.

Para tentar reverter esse problema, a Abrasel realizou ações de panfletagem nos principais pontos de concentração dos turistas em Manaus. “A procura não chegou nem perto do esperado. O pior foi que não conseguimos nem manter o fluxo de clientes que vínhamos mantendo antes da Copa. Vamos torcer para conseguir reverter isso, mas está difícil”, alertou Janete Fernandes.

Ainda sobre os preços elevados dos cardápios, o sócio proprietário da FM Turismo, Pedro Mendonça, disse que as agências, em casos especiais, solicitam um evento para um grupo com apenas um almoço, aí sim é feito um cardápio especial para aquele dia. “Não significa que o turista vai optar pelo mesmo cardápio, por exemplo, por cinco dias. Esses são eventos esporádicos, em que alguns grupos de 20 ou 30 pessoas fecham com as agências e aí é possível que tenha acontecido um caso esporádico”, justificou.

Mendonça não concorda com o aumento dos preços previamente definidos pela Abrasel. “Não houve aumento. Eu não achei que ia ficar rico só nesse período aumentando o preço e criando uma antipatia junto aos meus clientes, que o ano inteiro me apoiam”, disse. O empresário disse que optou por cativar os turistas. “Eles dão a preferência e quando chega na época da Copa aumentam 300%. Não concordo com isso, não aumentei tanto assim, mas ouvi dizer que muitos estabelecimentos aumentaram muito”, informou.

Na opinião de Mendonça quem faturou no Mundial foram os barzinhos populares. “Os turistas gostam de ficar nos botecos bebendo. É um torneio de futebol, não o Festival de Jazz, nem o Festival de Ópera. É um outro público e, mesmo que o fosse, eles estão procurando o lado popular, regional do público que se diverte sem luxo”, frisou.

O empresário concluiu que os turistas da Copa economizam na alimentação para poder pagar ingresso caro e hotel caro. “A verdade é essa. Sou dono da Peixaria do Largo, o movimento foi baixinho, bem aquém do esperado, e nós não aumentamos os preços. Os botecos ganharam dinheiro”, finalizou.

 

Invasão dos ingleses

Quem invadiu a cidade e chegou primeiro no Centro Histórico foram os ingleses. Alguns grupos anteciparam as reservas no Bar do Armando. “Logo no início da Copa, foram os ingleses que chegaram primeiro. Enquanto os italianos iam para os restaurantes, os ingleses lotavam os bares”, relatou. “Os ingleses fizeram contrato conosco, antes de viajar, com grupos de 80 e de 100 pessoas. E nós ficamos na dúvida: será que vem mesmo esse pessoal? E eles vieram”, comemorou.

No dia do jogo entre ingleses e italianos, a procura pelo estabelecimento superou as expectativas, e o consumo de cerveja ultrapassou a quantidade de caixas vendidas em uma semana. “Vendemos entre 150 e 170 caixas de cerveja por semana, mas no dia que antecedeu o jogo da Inglaterra e Itália a procura nos assustou. Vendemos 200 grades em um único dia. Nossa sorte foi que nossos fornecedores nos deram o suporte necessário”, relatou Carvalho.

Para Carbajal Gomes, proprietário do Bar do Caldeira, reduto boêmio do Centro de Manaus, a Copa tem sido sinônimo de muitas vendas. “Nos preparamos para esse momento e não temos do que reclamar. Recebemos os turistas de braços abertos e com muita música e alegria”, comemorou.

 

Fonte: Portal Amazônia