24/06/2014 - Aos olhos do mundo

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Os brasileiros e estrangeiros que circulam pelo país acompanhando a Copa do Mundo deverão desembolsar cerca de R$ 6,7 bilhões nos 32 dias de jogos somente para os gastos na área de turismo, uma cifra equivalente a 10% do faturamento obtido pelo setor em 2013, de acordo com estimativas do Ministério do Turismo (MTur).

Em contrapartida, esse período deixará de contar com as viagens corporativas e de férias que costumam ocorrer todos os anos, adiadas ou suspensas por causa do evento. O balanço desta conta deverá mostrar um ano positivo para os negócios, mas sem um pico de faturamento capaz de fazer história, segundo representantes da indústria.

O primeiro Boletim de Desempenho Econômico do Turismo do ano mostra que o faturamento médio das empresas cresceu 7,1% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. A sondagem realizada pelo MTur, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que o segmento com maior expansão foi o de turismo receptivo, que cresceu 14,7%, seguido das agências de viagem e parques temáticos, com alta de 9,6% do faturamento, hotelaria (8,9%) e operadoras de turismo (7,1%).

Hotéis, bares, restaurantes e agências de viagens admitem, no entanto, que o Mundial proporcionará outros ganhos, nem sempre mensuráveis. A experiência de receber turistas de todas as partes e a superexposição do país no exterior são alguns desses legados que ficam para as empresas e deverão reverberar por muitos anos.

No dia de abertura da Copa, no Itaquerão, na zona leste de São Paulo, a capital paulista tinha 76,6% de suas vagas de hospedagem ocupadas - ante 62,1% dois dias antes; 93% dos restaurantes e bares dos bairros Bela Vista, Jardins e Pinheiros festejavam o movimento da noite anterior, 10% mais passageiros desembarcavam no Terminal Tietê e 531 estrangeiros recorriam às Centrais de Informações Turísticas, segundo dados do Observatório do Turismo da Cidade de São Paulo. Além desse efeito imediato nos negócios, o monitoramento apontou que 98,7% das mensagens sobre a cidade postadas nas principais redes sociais foram positivas. Durante a partida Brasil e Croácia, foram publicados 12,2 milhões de comentários sobre o jogo somente no Twitter, informou o microblog.

Segundo o MTur, após as denúncias de irregularidades, o governo federal substituiu o Bem Receber Copa, cujos programas tinham por base contratos com entidades privadas, pelo Pronatec Copa, em que as vagas para qualificacão passaram a ser pactuadas com instituições de ensino. No Pronatec, foram oferecidas 166 mil vagas para cursos e, até abril deste ano, o balanço mais recente, estavam formados 80 mil profissionais. Deste total, 28 mil aprenderam um segundo idioma, a maioria o inglês.

"O jeito é esquecer aquele projeto monumental que tínhamos para capacitar o setor de turismo e compensar as nossas deficiências com a gastronomia maravilhosa que temos e nosso esforço e simpatia únicos para atender as pessoas", afirma o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci Júnior. Segundo ele, a expectativa é superar o crescimento médio de 30% que costuma ocorrer no segmento em ano de Copa do Mundo. "Os nossos bares são bem diferentes dos de outros países. Lá fora, as pessoas saem para comer snacks, onion rings etc. Aqui o bar é uma experiência gastronômica que, em dia de jogo, vira uma grande festa. Os jovens brasileiros vão para os bares porque querem conhecer o alemão, o árabe, o japonês. É parte da nossa cultura. Com a Copa no Brasil, o bar vira um ambiente de confraternização global."

Esse clima de festa colaborou para o expressivo aumento dos gastos com cartão de crédito. Segundo a Visa, durante o período de abertura da Copa, entre 12 e 15 de junho, visitantes internacionais movimentaram US$ 27 milhões com seus cartões, alta de 73% em relação ao mesmo período do ano passado e 47% maior se comparado aos primeiros dias da Copa das Confederações da Fifa, de 15 a 18 de junho de 2013.

Solmucci Júnior diz que as empresas fizeram a tradução de mais de 3.500 cardápios nas cidades-sede e a qualificacão, em parceria com o MTur, de 15 mil trabalhadores de atendimento. O setor, em que a maioria das companhias é de pequeno porte, também foi beneficiado por programas do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) voltados à melhoria de gestão e aumento da competitividade.

Segundo o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, foram beneficiadas 40 mil empresas em um período de três anos, com impacto de R$ 380 milhões nos negócios, considerando todas as áreas envolvidas com a Copa, em que o turismo é a principal.

A expectativa é de que este volume atinja R$ 500 milhões até o fim do evento. "O grande legado que fica para estas empresas é que elas são hoje muito mais competitivas, mais 'antenadas' com o mercado e estão mais preparadas para atender os turistas do que estavam antes da Copa", afirma Barretto.

Nas estimativas do MTur, durante a Copa, 3,1 milhões de turistas brasileiros e 600 mil estrangeiros estarão circulando pelo país, e seus gastos (os R$ 6,7 bi) deverão colocar em movimento outras compras - as dos fornecedores da cadeia que atende esta demanda -, fazendo com que o impacto no PIB alcance R$ 30 bilhões.

Fonte: Valor Econômico